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SÃO PAULO – O Ibovespa tem dia negativo nesta quinta-feira (29), um dia após o Federal Reserve deixar as portas abertas para aumento de juros nos Estados Unidos em dezembro e em meio à temporada de balanços corporativos no Brasil.
Por aqui, foram divulgados balanços de nomes de peso da Bolsa, com os bancos Bradesco e Santander, além das siderúrgicas Usiminas e Gerdau. Entre ontem à noite e essa manhã, foram reportados resultados de 12 empresas. Para conferir, clique aqui.
Entre os destaques, além dos bancos, que recuaram após divulgarem seus números do trimestre, as empresas de telecomunicações, Oi e TIM voltaram a chamar atenção, liderando os ganhos do dia com os rumores de uma possível fusão entre as duas.
Confira abaixo os principais destaques corporativos desta sessão:
Bradesco (BBDC3, R$ 23,50, -3,89%; BBDC4, R$ 21,04, -4,49%)
As ações do Bradesco caíram após resultado do terceiro trimestre. O banco anunciou lucro líquido contábil de R$ 4,12 bilhões no período, alta de 6,3% contra o mesmo trimestre do ano passado, mas queda de 7,9% frente ao segundo trimestre deste ano. O lucro ajustado, sem eventos não recorrentes, registrou alta de 14,8% na comparação anual e foi para R$ 4,533 bilhões, ficando quase estável na comparação com o segundo trimestre.
A provisão para devedores duvidosos da companhia mostrou um crescimento de 15,1% na comparação anual, para R$ 3,852 bilhões. O ROAE (Retorno sobre Patrimônio Líquido) foi de 21,2% no período, queda de 0,7 ponto percentual na comparação com o segundo trimestre.
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Segundo a XP Investimentos, o Bradesco reportou um resultado em linha com as expectativas no lado positivo a melhora na margem financeira, segmento de seguros e também a receita com serviços. No lado negativo a inadimplência gera motivos de preocupação.
Oi (OIBR4, R$ 2,00, +6,95%)
As ações da Oi voltaram a disparar após notícia sobre proposta de aporte. Segundo reportagem de O Globo, os conselheiros da Oi aprovaram proposta da Letter One, de forma unânime, mas pediram redução de nove meses para 60 dias o prazo da negociação. De acordo com uma das fontes do jornal, a operação de fusão com TIM (TIMP3, R$ 7,92, +3,15%) vai sair. As ações da operadora também repercutem positivamente à notícia.
O conselho também pediu que o fundo LetterOne dê garantia de que serão aportados US$ 4 bilhões e não até US$ 4 bilhões. A Oi vai encaminhar carta-resposta ao fundo.
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Santander (SANB11, R$ 13,67, -3,05%)
O Santander Brasil, maior banco estrangeiro no país, comunicou que teve lucro líquido R$ 1,266 bilhão no período, queda de 67,4% sobre o trimestre imediatamente anterior, quando houve pagamento de dividendo extraordinário. O lucro recorrente somou R$ 1,708 bilhão no terceiro trimestre, alta de 2% ante o segundo trimestre. O número veio acima da previsão média de analistas ouvidos pela Reuters, de R$ 1,415 bilhão.
O banco fechou setembro com carteira de crédito de R$ 261,98 bilhões, alta de 11,7% em 12 meses. No conceito ampliado, o estoque de financiamentos do banco atingiu R$ 332,34 bilhões, avanço de 13,4% ano a ano.
O índice de inadimplência acima de 90 dias do Santander Brasil ficou em 3,2%, estável em relação ao trimestre imediatamente anterior.
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JBS (JBSS3, R$ 14,60, -4,82%)
As ações da JBS recuaram forte, chegando a desabar 7,04% na mínima do dia, após dados do terceiro trimestre da sua subsidiária americana Pilgrim’s Pride. A companhia viu seu lucro cair 46% no período, para US$ 137,06 milhões, menor do que os R$ 255,98 milhões registrados no mesmo trimestre de 2014.
O Citi Group citou que o resultado veio fraco, com Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) recuando mais do que 20%, abaixo das estimativas. Vale lembrar que na sexta-feira a JBS reportará seu balanço do terceiro trimestre, depois do fechamento do pregão.
Gerdau (GGBR4, R$ 5,43, -1,27%)
As ações da Gerdau e sua controladora Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 2,51, -1,95%) viraram para queda após balanços. A Metalúrgica Gerdau anunciou também uma oferta de 500 milhões de ações.
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Sobre o resultado, a Gerdau registrou um prejuízo líquido de R$ 1,96 bilhão, revertendo um lucro de R$ 262 milhões na comparação com o mesmo período do ano passado. O resultado da Gerdau no trimestre foi influenciado por itens não-recorrentes, relativos a baixas contábeis, principalmente de imobilizados e ágio, no valor de R$ 2,2 bilhões, sem impacto no caixa.
O lucro líquido consolidado ajustado, por sua vez, foi de R$ 193 milhões e, considerando os itens não-recorrentes. A receita líquida alcançou R$ 11,9 bilhões no período, evolução de 11% frente ao mesmo período do ano anterior.
Para a XP Investimentos, o resultado veio acima das expectativas, mas a dinâmica do setor (principalmente o cenário interno) e alto nível de alavancagem, ainda preocupam.
Usiminas (USIM5, R$ 2,81, -3,44%)
A Usiminas teve prejuízo líquido de R$ 1,042 bilhão no terceiro trimestre de 2015, ante prejuízo líquido de R$ 24 milhões no mesmo período do ano anterior. O Ebitda ajustado foi negativo em R$ 65 milhões no período, ante indicador positivo de R$ 357 milhões no terceiro trimestre de 2014.
Segundo a XP Investimentos, o resultado veio muito ruim, com volumes fracos e redução nos preços, combinados com um aumento expressivo no endividamento da companhia, atingindo 6,8 vezes o indicador dívida líquida/Ebitda.
Petrobras (PETR3, R$ 9,30, -1,06%; PETR4, R$ 7,61, -1,17%)
As ações da Petrobras viraram para o negativo no fim do pregão, seguindo a queda dos preços do petróleo no mercado internacional. O petróleo brent registrava baixa de 0,57%, a US$ 48,80 o barril.
Ambev (ABEV3, R$ 19,00, -2,21%)
As ações da Ambev caíram pelo segundo dia seguido, depois que o governador Geraldo Alckmin enviou uma proposta de lei hoje para aumentar o ICMS da cerveja (de 18% para 23%) e do cigarro (de 25% para 30%) em São Paulo, enquanto diminui o tributo sobre remédios (de 18% para 12%).
Via Varejo (VVAR11, R$ 4,40, -4,14%)
As ações da Via Varejo caíram seguindo o balanço fraco do terceiro trimestre. A empresa mostrou prejuízo de R$ 46 milhões no terceiro trimestre, ante lucro líquido de R$ 216 milhões no mesmo período de 2014. O Ebitda ficou em R$ 45 milhões, queda de 91,3% contra um ano antes.
Segundo o BTG Pactual, o resultado veio mais fraco do que o esperado, com fraca performance de vendas (queda de 22,7% nas vendas líquidas), uma vez que as iniciativas para melhorar a receita líquida ainda não surtindo efeito (conversão da Lojas Ponto Frio em Casas Bahia e fechamento de outras lojas). Além disso, os analistas ressaltaram margem Ebitda (Ebitda/Receita Líquida) de apenas 4%, representando queda de 6,1 ponto percentual na comparação anual, além de uma queima de caixa de quase R$ 1 bilhão.
WEG (WEGE3, R$ 14,53, -4,97%)
Uma das companhias que chegou a ser “queridinha” do mercado no início deste ano acaba de reverter os ganhos acumulados em 2015. A fabricante de motores elétricos e tintas industriais WEG chegou a subir 33% no acumulado do ano, mas passou a cair recentemente e após a divulgação de seus resultados do terceiro trimestre, seguiu sua trajetória negativa na Bolsa. Com as perdas de hoje, a companhia passou a recuar 2,23% em 2015.
A companhia teve alta de 2,6% no lucro líquido do período, apoiada em forte expansão de receitas no mercado externo, mas pressionada por efeitos de variação cambial sobre a dívida, que teve forte alta no período. A companhia teve lucro de R$ 265,4 milhões, enquanto o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) foi de R$ 395 milhões.
Os analistas Renato Mimica e Samuel Alves, do BTG Pactual, se mostraram mais decepcionados com os números, levando-os a revisar para baixo as perspectivas da companhia, principalmente com a estimativa de receitas mais fracas no mercado interno. Diante disso, eles reduziram o preço-alvo das ações da WEG de R$ 17,00 para R$ 16,00, com recomendação neutra.