Por que debate entre Lula e Flávio pode atrair audiência, mas não deve mudar eleição

Especialista diz que debates raramente mudam votos, mas avalia que erros e episódios inesperados podem repercutir na reta final da campanha

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O primeiro confronto direto entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) na campanha presidencial de 2026 deve atrair atenção especial dos eleitores, mas isso não significa que o encontro vá provocar mudanças nas intenções de voto.

A avaliação é do cientista político Bruno Soller, sócio da Real Time Big Data, em entrevista ao Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, nesta sexta-feira (16).

“São raros os debates que conseguem mexer de fato na opinião pública”, afirmou Soller, ao analisar o encontro marcado para domingo (18), às 20h, na Band. Os dois candidatos confirmaram presença.

Para o cientista político, a expectativa em torno do debate está relacionada à ausência de confrontos diretos entre Lula e Flávio durante o primeiro turno. O encontro será a primeira oportunidade de acompanhar os dois candidatos discutindo propostas e respondendo um ao outro fora dos ambientes controlados pelas campanhas.

Soller acredita que o confronto pode ser marcado por acusações e referências a investigações envolvendo pessoas próximas aos candidatos. Nesse cenário, considera possível que o debate termine sem alterações relevantes na percepção do eleitorado.

“Eu acho que vai ser um debate de muitas acusações, muitos enfrentamentos diretos, um acusando o outro de alguma coisa”, disse.

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O peso de um erro

Apesar de considerar incomuns as mudanças eleitorais provocadas por debates, Soller ressalta que episódios inesperados podem ganhar repercussão e influenciar a disputa.

O analista citou confrontos de eleições anteriores em que o desempenho de candidatos chamou atenção pela mudança de postura ou por dificuldades diante das câmeras.

“Uma performance muito extraordinária para o bem ou muito deficitária num debate pode mexer nos cenários”, afirmou.

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Na avaliação de Soller, o preparo das campanhas tende a reduzir a possibilidade de situações desse tipo, mas não elimina a imprevisibilidade de um confronto ao vivo.

“Estamos falando de seres humanos, não estamos falando de robôs, e seres humanos podem estar num dia ruim, podem estar num dia mais nervosos”, disse.

O debate acontece em meio a uma disputa apertada. Pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (15) mostrou Flávio com 51% dos votos válidos e Lula com 49%, resultado que configura empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.

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Nessa reta final das eleições, o Mapa de Risco contará com edições especiais, ao vivo, de segunda a sexta-feira, às 18h, pelo canal do Youtube do InfoMoney. 

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Marina Verenicz
Política | Brasil | Mundo