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Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) apresentam caminhos diferentes para as contas públicas, mas deixam uma pergunta sem resposta na campanha: de onde virá o dinheiro necessário para estabilizar a dívida e abrir espaço para a queda dos juros?
Na avaliação de Josilmar Cordenonssi, professor de Ciências Econômicas da Universidade Presbiteriana Mackenzie, o próximo presidente terá de enfrentar decisões mais difíceis do que aquelas apresentadas ao eleitor até agora.
“O Lula é mais ou menos fazer o ajuste fiscal sem cortar gastos sociais, no resumo. O Flávio tem o símbolo ‘tesouraço’, fazer um corte do que não fala onde que vai cortar”, afirmou nesta terça-feira (29), durante o Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney.
Para Cordenonssi, o debate deveria avançar justamente sobre o tamanho e a composição desse ajuste. Isso inclui quanto viria da redução de despesas primárias e quanto poderia passar pela revisão dos chamados gastos tributários, como benefícios e regimes diferenciados de tributação.
“Tanto um lado como o outro vai ter que fazer um ajuste. Agora, quem colocou isso na campanha? Ninguém”, disse.

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Orçamento com pouco espaço
A dificuldade aumenta porque o próximo presidente encontrará pouca margem para alterar as despesas no curto prazo.
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A proposta orçamentária para 2027 prevê R$ 2,6 trilhões em despesas primárias, com mais de 92% comprometidos com gastos obrigatórios. O espaço discricionário previsto é de R$ 222 bilhões — parcela que ainda inclui investimentos e emendas parlamentares.
Cordenonssi estima que a parcela sobre a qual o governo efetivamente terá liberdade seja próxima de 5% do Orçamento.
“É uma questão ínfima. E isso sem contar que é daí que também se tira investimento. Eventualmente, o governo precisa fazer investimento, ele não tem dinheiro”, afirmou. Para ele, esse cenário aumenta a necessidade de parcerias com o setor privado para projetos de infraestrutura.
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Dívida e juros entram na conta
O economista aponta a trajetória da dívida pública como uma das principais restrições para o próximo governo. Na avaliação dele, uma sinalização fiscal considerada crível poderia reduzir a percepção de risco e, consequentemente, aliviar as taxas de juros cobradas do governo.
Cordenonssi, porém, rejeita a ideia de um corte abrupto de despesas. Segundo ele, um ajuste muito rápido poderia produzir custos econômicos e sociais elevados.
O caminho, afirma, seria sinalizar uma trajetória de controle das despesas e redução da dívida no médio e longo prazo. A dificuldade é escolher onde mexer.
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O professor cita desde subsídios e benefícios tributários até despesas vinculadas, Previdência e a política de valorização do salário mínimo. Todas são áreas com impacto fiscal, mas também com elevado custo político.
“Chega uma hora, tem um custo político enorme. É normal”, afirmou.
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Ajuste fica para depois da urna
Para Cordenonssi, esse custo ajuda a explicar por que as escolhas mais difíceis aparecem pouco durante a campanha.
“Se alguém falar a verdade é o sincericídio, se mostrar o que vai fazer vai perder voto. Então, o debate fica interditado, a gente não debate ideias, não debate planos”, afirmou.
O resultado, segundo ele, é que o vencedor receberá uma economia com desemprego baixo e atividade ainda crescendo, mas também com juros elevados, dívida em trajetória de alta e pouca flexibilidade orçamentária.
“O país está vivendo acima dos seus meios”, resumiu Cordenonssi. Para o economista, o próximo governo precisará apresentar um caminho crível para as contas públicas, mesmo que o ajuste não seja feito de uma só vez.
“Uma hora essa conta vai chegar.”
Nessa reta final das eleições, o Mapa de Risco contará com edições especiais, ao vivo, de segunda a sexta-feira, às 18h30, pelo canal do Youtube do InfoMoney.