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A eleição presidencial pode terminar no próximo domingo (4), mas a resposta não depende apenas de quanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou Flávio Bolsonaro (PL) conseguem crescer na última semana.
Com a disputa cada vez mais concentrada nos dois candidatos, o tamanho das demais candidaturas, os votos brancos e nulos e a abstenção passam a ter peso maior na conta do primeiro turno.
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Para vencer sem necessidade de uma nova votação, um candidato precisa receber mais da metade dos votos válidos — cálculo que exclui brancos e nulos.
Na Quaest divulgada nesta segunda-feira (28), Lula aparece com 39% das intenções de voto, contra 34% de Flávio. Augusto Cury e Ronaldo Caiado têm 4% cada, Renan Santos marca 3% e Romeu Zema, 1%. Brancos e nulos somam 10%.
A seis dias da votação, o cientista político Leopoldo Vieira, CEO da IdealPolitik, avalia que a combinação entre concentração dos votos nos dois polos e redução das candidaturas menores aumentou a importância da discussão sobre um possível desfecho no primeiro turno.
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“Existe um cálculo que já está conhecido, que foi exposto nos últimos dias, relacionado à abstenção, mas também existem alguns outros fatores, como o alto nível de cristalização na concentração de votos nos dois polos”, afirmou no Mapa de Risco, do InfoMoney.

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O primeiro número: quanto sobra para os outros
Um dos principais indicadores da semana será a soma dos votos dos candidatos que estão fora da polarização.
Vieira afirma que esse grupo estava próximo de 17% e caiu para algo entre 13,5% e 14%. Segundo ele, há avaliações de que poderia encolher ainda mais até domingo.
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A Quaest também captou essa concentração. Além do avanço de Lula e Flávio, Cury caiu de 6% para 4%, enquanto os demais candidatos aparecem com percentuais menores.
Quanto menor o espaço ocupado pelas candidaturas alternativas, maior tende a ser a concentração dos votos válidos nos dois líderes.
“Os eleitores que demoram mais a tomar decisões [estão] se decidindo, a migração de votos já acontecendo entre os candidatos da direita alternativa para o Flávio e os nanicos da esquerda alternativa, digamos assim, em direção ao Lula”, disse Vieira.
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Para onde vai o voto útil?
A segunda questão é o destino desses votos. A vantagem de Flávio é que a maior parte das candidaturas alternativas está à direita. Isso, porém, não significa que seus eleitores migrem integralmente para o senador.
Vieira afirma que, nos cenários de segundo turno que analisou, em média 65% dos eleitores de Caiado, Zema, Renan e Cury escolhem Flávio, enquanto aproximadamente 35% migram para Lula.
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Para o cientista político, parte dessa transferência pode ocorrer antecipadamente no primeiro turno, conforme aumenta a pressão pelo voto útil.
“Isso mostra que, no processo de antecipação desses votos, o Lula também tem condições de arrastar uma parte desse eleitorado e se beneficiar disso”, afirmou.
Nordeste entra na conta de Lula
Vieira aponta ainda um terceiro fator: a capacidade de Lula ampliar sua margem no Nordeste. Na avaliação do cientista político, uma queda mais acentuada das candidaturas alternativas combinada a um avanço do presidente na região poderia aproximá-lo do percentual necessário entre os votos válidos.
“Se isso ocorresse junto de um cenário em que o Lula crescesse cerca de quatro, cinco pontos a mais no Nordeste, por exemplo, ele estaria mais perto dessa vitória no primeiro turno”, afirmou.
A região continua sendo o principal reduto do presidente. Na Quaest desta semana, o Nordeste também é a única região na qual a aprovação do governo supera a desaprovação: 61% a 36%.
Brancos, nulos e abstenção completam a matemática
Há ainda uma variável que não aparece diretamente na comparação Lula x Flávio: quantos eleitores efetivamente produzirão votos válidos no domingo.
Brancos e nulos são excluídos da conta que determina o vencedor. A abstenção reduz o número de pessoas que efetivamente votam. Por isso, Vieira coloca o patamar de brancos e nulos e a soma das candidaturas alternativas entre os principais números a observar nas pesquisas desta semana.
Ele relativiza, porém, a tese de que uma abstenção elevada necessariamente favoreceria Flávio porque a base de Lula inclui maior proporção de eleitores de baixa renda, grupo historicamente associado a maior ausência nas urnas.
“Não tem nada que tenha aparecido até agora que indique que a gente vai ter uma abstenção em massa”, afirmou.
A resposta sobre um eventual segundo turno, portanto, não estará apenas na distância entre os dois primeiros colocados.
Nesta última semana, será preciso acompanhar também quanto ainda resta para Cury, Caiado, Renan, Zema e os demais candidatos; para onde esses votos migram; o desempenho regional de Lula e Flávio; e o tamanho de brancos e nulos.
Quanto mais a eleição se comprimir em dois nomes antes de domingo, mais a matemática do primeiro turno se aproxima da de uma disputa já polarizada entre Lula e Flávio.