Quem integra o Escudo das Américas — e quem ficou de fora

Coalizão criada por Trump reúne governos latino-americanos em torno de segurança e combate ao narcotráfico; Brasil e México não aderiram

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O Escudo das Américas, coalizão criada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para ampliar a cooperação regional contra cartéis e outras organizações criminosas, voltou ao centro das atenções nesta semana ao anunciar sanções coordenadas contra 24 grupos, entre eles PCC e Comando Vermelho.

Na reunião realizada nesta terça-feira (22), durante a Assembleia Geral da ONU, Trump recebeu líderes e chanceleres de 14 países da América Latina e do Caribe que aderiram à iniciativa. A coalizão havia sido lançada em março, durante uma cúpula realizada no Trump National Doral, na Flórida.

A composição do grupo mudou desde sua criação. Colômbia e Peru, por exemplo, aderiram posteriormente, após mudanças de governo nos dois países. Brasil e México continuam fora.

Quem participou da nova ação do Escudo

A declaração divulgada nesta semana, que prevê sanções contra organizações classificadas pelos integrantes como “narcoterroristas”, foi assinada pelos Estados Unidos e por 14 países latino-americanos e caribenhos:

O grupo anunciou a intenção de aplicar medidas como congelamento de ativos, restrições de vistos e imigração e responsabilização criminal de pessoas que forneçam apoio material às organizações incluídas na lista.

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A composição atual é formada principalmente por governos que mantêm relações próximas com Trump. Argentina, Equador e El Salvador estão entre os países cujos líderes receberam apoio ou elogios públicos do presidente americano. Colômbia e Peru passaram a participar depois de mudanças políticas recentes.

Brasil ficou fora

O Brasil não aderiu ao Escudo das Américas desde sua criação. Lula também não participou da cúpula que inaugurou a coalizão em março. O mesmo ocorreu com outros governos que naquele momento mantinham diferenças relevantes com Washington, como México, então comandado por Claudia Sheinbaum, e Colômbia, durante o governo Gustavo Petro.

A situação colombiana mudou após a eleição e posse de Abelardo de la Espriella. A Colômbia passou a integrar a articulação posteriormente. A Reuters também registra a entrada do Peru após uma mudança de governo.

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Brasil e México, por sua vez, permanecem entre as principais ausências da coalizão.

Por que o Brasil não aderiu

A principal divergência está na forma de combater organizações criminosas e no papel que os Estados Unidos devem exercer dentro de outros países.

O governo Trump classificou cartéis e facções como organizações terroristas e ampliou o emprego de instrumentos militares no combate ao narcotráfico. O Escudo das Américas foi criado justamente para coordenar esse modelo com governos da região.

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O governo brasileiro defende cooperação internacional para interromper fluxos de dinheiro, drogas e armas, mas rejeita a possibilidade de atuação militar estrangeira em território nacional e discorda da classificação de PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas.

A divergência ficou explícita na Assembleia Geral da ONU desta semana. Lula afirmou que o Brasil aceita cooperação contra o crime organizado, mas rejeitou interferência estrangeira e declarou que o país “não cabe no quintal de ninguém”.

Trump, no mesmo evento, voltou a defender uma atuação mais agressiva contra os cartéis, que comparou ao Estado Islâmico, e afirmou que os Estados Unidos estão restabelecendo seu poder no Hemisfério Ocidental.

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A ausência brasileira, portanto, coloca o país fora de uma articulação que passa a coordenar sanções contra duas das maiores facções de origem brasileira. As medidas adotadas pelos integrantes do Escudo não mudam automaticamente a legislação nacional, mas podem atingir integrantes e redes financeiras de PCC e CV em países participantes.

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Marina Verenicz
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