XP: Eventual desaceleração da inovação em IA não significa pausa no desenvolvimento

Para os analistas, reduzir a velocidade está mais ligada à disponibilização de novos modelos ao público e não ao avanço da tecnologia

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Há menos de uma semana, o CEO da Anthropic, Dario Amodei, propôs um freio no desenvolvimento da inteligência artificial. A declaração repercutiu por todo o mundo e logo foi seguida do apoio de outras grandes autoridades de tecnologia, como Sam Altman (OenAI), Elon Musk (xAI) e Demis Hassabis (Google Deepmind).

A discussão foi ganhando amplitude e uma série de questões sobre o futuro do ecossistema de IA veio à tona. Os mercados, por sua vez, não reagiram bem à proposta.

O Nasdaq 100, o índice de tecnologia de Wall Street, recuou 1,2%, atingido a mínima em seis semanas no início do pregão. O índice de semicondutores da Filadélfia caiu 5,1% e o setor tecnológico europeu, perdeu 2,2%.

Apesar das preocupações, os analistas da XP Investimentos afirmaram que uma potencial desaceleração no ritmo de inovação não necessariamente implica em uma desaceleração do desenvolvimento do ecossistema.

Para os economistas da casa, o principal risco está mais relacionado à velocidade de lançamento e disponibilização de novos modelos ao público do que relacionados à demanda ou à uma redução de esforços de pesquisa e desenvolvimento.

Conforme a XP, os investimentos devem seguir intensivos em capital para o treinamento de novos modelos, seguindo a crescente adoção da IA por empresas e usuários finais.

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Além disso, os analistas destacam que, hoje, a demanda final já é limitada pela capacidade computacional e não, como temem os investidores, pela velocidade de introdução de novos modelos. Essa leitura mostra uma outra perspectiva, em especial, para a partes investíveis da cadeia de IA.

Regulação

A proposta chegou ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que classificou o pedido de desaceleração como “conspiração doentia“.

De acordo com o presidente, que foi às redes sociais para contra-argumentar com a fala do CEO, o país já possui medidas de segurança para regulamentar os avanços da tecnologia. Na mesma publicação, Trump enfatizou que os EUA não ficariam atrás da China na corrida da inteligência artificial.

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“A ideia de que a IA dominará o mundo, destruirá a humanidade e causará todo tipo de desgraça não passa de uma farça”, escreveu o presidente.

Ao mesmo tempo, há poucos meses, a própria Anthropic chegou a ser alvo de retaliações do governo americano. A empresa chegou a ser colocada em lista de “risco de cadeia de suprimentos” pelo Pentágono, por possíveis riscos à segurança nacional.

Através de um artigo no jornal Global Times, de propriedade do Estado chinês, o governo afirmou que a declaração tinha como objetivo conter o desenvolvimento da tecnologia no país, impondo barreiras tecnológicas e monopólios regulatórios. Para “manter a hegemonia monopolista de Washington em tecnologia de ponta e excluir a China do sistema global de ‌governança da IA”, afirmaram no texto.

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Aqui no Brasil, o presidente Lula também participou do debate. Em entrevista ao podcast Desce a Letra Show, o presidente afirmou que a regulação da IA precisa ser feita globalmente e defendeu que ela seja “dura”.

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Erick Souza
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