Caso Master: cresce percepção de envolvimento de aliados de Bolsonaro, mostra Atlas

Atlas mostra avanço de 12,9 pontos na associação do escândalo ao campo bolsonarista; percepção sobre aliados de Lula ficou praticamente estável

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A percepção de que aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) estão mais envolvidos no esquema de fraudes financeiras do Banco Master cresceu quase 13 pontos percentuais desde março, segundo a série histórica da AtlasIntel/Bloomberg.

Na última rodada da pesquisa, divulgada nesta quinta-feira (17), 41,2% dos entrevistados afirmam que aliados de Bolsonaro estão mais envolvidos no caso. Em março, eram 28,3%. O avanço foi de 12,9 pontos percentuais em seis meses.

No mesmo período, a associação do escândalo a aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) praticamente não mudou. O percentual passou de 39,5% em março para 40,2% na rodada atual, oscilação de 0,7 ponto.

Com isso, uma diferença que inicialmente favorecia o campo bolsonarista desapareceu. Em março, os aliados de Lula eram citados 11,2 pontos percentuais mais do que os de Bolsonaro. Agora, os dois grupos aparecem praticamente empatados, com diferença nominal de apenas um ponto percentual.

A mudança ocorreu gradualmente. Em junho, 37,6% dos entrevistados apontavam maior envolvimento de aliados de Lula, enquanto 36% citavam aliados de Bolsonaro. Na nova rodada, a ordem se inverte numericamente: 41,2% apontam o grupo bolsonarista e 40,2%, o lulista. Outros 13,8% consideram que os dois lados estão igualmente envolvidos.

Caso se espalhou por campos políticos

A mudança na percepção ocorre em meio à divulgação de uma série de documentos, mensagens e investigações que ampliaram o alcance político do caso Master.

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Nos últimos dias, diálogos extraídos do celular de Daniel Vorcaro passaram a expor contatos e relações envolvendo personagens ligados a diferentes campos políticos e integrantes do Judiciário.

Reportagens revelaram mensagens relacionadas aos filhos dos ministros Luiz Fux e Kassio Nunes Marques e tentativas de aproximação com André Mendonça. As referências não significam, por si só, envolvimento dos ministros em irregularidades, e os citados apresentaram negativas ou explicações sobre os episódios.

Documentos tornados públicos também mostram que Flávio Bolsonaro (PL) aparece em uma frente de investigação relacionada ao financiamento do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro. A apuração investiga possíveis crimes associados aos recursos destinados ao projeto; o senador nega irregularidades.

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Ao mesmo tempo, o caso alcançou integrantes do entorno político de Lula e nomes de outros partidos. A própria amplitude das investigações ajudou a transformar o Master em um escândalo de difícil apropriação exclusiva por um dos campos.

Virada ocorre sem queda da associação com Lula

A série da pesquisa mostra que o crescimento da percepção de envolvimento do campo bolsonarista não veio acompanhado de uma redução equivalente no percentual atribuído aos aliados de Lula.

Entre março e setembro, o índice referente ao grupo lulista variou de 39,5% para 40,2%. Já o indicador dos aliados de Bolsonaro saiu de 28,3% para 41,2%.

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Na prática, o movimento ocorreu pela expansão da parcela que passou a enxergar maior envolvimento do campo bolsonarista, e não por uma transferência simples entre os dois grupos.

Também caiu o percentual que responsabiliza igualmente os dois lados. Em março, essa resposta somava 24,7%. Em junho, estava em 20,4%. Agora, aparece em 13,8%.

O resultado sugere uma percepção mais definida entre os entrevistados sobre a vinculação política do caso, embora sem produzir uma vantagem clara para nenhum dos lados.

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Crise no STF pesa de forma diferente

Quando o instituto muda a pergunta e questiona sobre o efeito eleitoral da crise envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal, o resultado deixa de ser equilibrado.

Para 49,5% dos entrevistados, a atual crise no STF prejudica mais a candidatura de Lula. Outros 20,9% afirmam que Flávio Bolsonaro é o mais afetado, enquanto 14,4% dizem que os dois sofrem igualmente.

A diferença entre as duas respostas é um dos principais achados da pesquisa. O eleitorado praticamente divide a atribuição de maior envolvimento político no caso Master, mas enxerga o desgaste institucional no Supremo como um problema eleitoral mais associado ao presidente.

A crise na Corte se intensificou nos últimos dias após novos documentos sobre as relações de Vorcaro com integrantes e pessoas próximas ao STF. Uma sessão realizada nesta semana terminou sem uma decisão sobre a investigação envolvendo Alexandre de Moraes e foi marcada por divergências abertas entre ministros. Flávio Dino pediu vista e suspendeu a discussão.

Edson Fachin, presidente do Supremo, também assumiu a condução de parte dos processos após uma sequência de conflitos em torno das investigações ligadas a Vorcaro.

A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg ouviu 5.018 pessoas entre 11 e 16 de setembro, por meio de recrutamento digital aleatório. A margem de erro é de um ponto percentual, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-06221/2026.

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Marina Verenicz
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