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O ponto de partida foi um ônibus, comprado por Carlos Chieppe – um colono que, anos antes, transportava café em lombo de burro no interior do Espírito Santo. Oitenta anos depois, o Grupo Águia Branca é um gigante de mais de R$ 20 bilhões de faturamento e 20 mil funcionários, com atuação em transporte de passageiros, logística e comércio de veículos.
Hoje quem dirige o negócio é Kaumer Chieppe, neto de Carlos. Num grupo de gestão familiar, o executivo passou por diferentes papéis antes de assumir o volante. No fim do ano, chega a vez de ele deixar a direção.
“Sou feliz pela minha carreira, acho que cheguei aonde queria chegar”, diz Kaumer em entrevista a Mariana Amaro, apresentadora do podcast Do Zero ao Topo. “Ao mesmo tempo, me sinto com energia. Vou ter prazer em conquistar outras coisas, nem que seja um topo menorzinho”.
Carlos Chieppe transportava e comercializava café, no Espírito Santo. Do burro passou para um caminhão, e então comprou um ônibus – mesmo sem saber o que fazer com o automóvel. Consultou o sogro, que conhecia a demanda por transporte entre as cidades de Governador Valadares e Teófilo Otoni, em Minas Gerais. “Meu avô viu o ônibus e gostou. Botou o filho mais velho como cobrador e contratou um motorista de táxi para dirigir”, conta Kaumer. “A coisa foi crescendo”.
A concorrência percebeu o crescimento e agiu. A família Chieppe havia começado a operar o ônibus de maneira informal – nos anos 1940, nem imaginava que precisaria de papel passado. Dois anos depois, uma empresa rival foi lá e registrou. A família perdeu a linha e voltou para o Espírito Santo. “Foi um aprendizado”, diz Kaumer.

De volta ao estado natal, o negócio cresceu devagar. Em 1957, a família compra a Empresa de Ônibus Águia Branca, que tinha 12 ônibus – e o nome que conhecemos até hoje.
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Três linhas de negócios
O salto veio em 1970 e 1971, quando a empresa – então com cerca de 35 veículos – comprou duas concorrentes e dobrou de tamanho duas vezes no mesmo ano. No pacote veio um contrato de fretamento com a Usiminas, que deu origem à área de logística, e a inauguração da Valadares Diesel, concessionária Mercedes que seria a base do negócio de comércio de veículos. Em um ano, três frentes de negócio.
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O transporte de passageiros, que deu origem e fama ao geupo, hoje representa apenas 7% da receita. As concessionárias respondem por 70% e a logística, por 23%. São 21 mil funcionários, e o faturamento deve fechar 2026 levemente acima de R$ 23 bilhões.
Kaumer conhece cada canto do negócio. Entrou na empresa aos 18 anos. Passou pela área técnica, por suprimentos, pela operação e foi superintendente da Viação Águia Branca na Bahia. Em 1998, assumiu a logística. Na época, a divisão tinha 600 funcionários e faturava R$ 2,8 milhões por mês. Hoje tem mais de 11 mil pessoas e fatura mais de R$ 400 milhões mensais. “Teve ano em que chegou a crescer 40%”, lembra.
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A regra do rodízio está valendo
Há 80 anos, o Grupo Águia Branca se mantém como uma empresa familiar, na qual irmãos e primos se revezam no comando. Em determinado momento, os cinco filhos do fundador se separaram geograficamente – cada um tocando seu pedaço, reunindo-se a cada quatro meses para discutir estratégia. Com o tempo, a governança foi centralizada em Vitória. Em 1993, veio a estruturação formal por divisões de negócio.
A geração atual criou um modelo de rodízio na liderança. Cada primo – Décio, Renan, Kaumer e Igor – ocupa a presidência do grupo por quatro anos, acumulando também a presidência do conselho. Ao sair, permanece como vice-presidente de sua área de origem. Kaumer, que tocou a logística, passa o bastão para Igor ao fim deste ano. O que vem depois, ninguém ainda sabe. “O que funcionou para nós não necessariamente vai ser o modelo para sempre”, diz.
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Hoje são 15 membros da família trabalhando no grupo, em cargos variados. Para entrar, há regras. Para permanecer, há cultura. “Temos uma cultura de respeito às pessoas, que veio do meu avô”, diz Kaumer. “O dia a dia nunca é tão mar de rosas assim, né? Mas, se você tiver respeito e diálogo, consegue superar algum pequeno atrito”.
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Neto do fundador, Kaumer explica o segredo de aproveitar as opiniões dos parentes sem a gestão se tornar uma briga em família. “A gente ouve muita consultoria. Ao mesmo tempo, vê o que faz sentido para nós. Não é porque alguém veio e falou alguma coisa que aquilo vai funcionar”, afirma. “A gente faz o dever de casa para escolher da maneira mais inteligente e adaptada à nossa cultura”.
Sobre o Do Zero ao Topo
O podcast Do Zero ao Topo é uma produção do InfoMoney e traz, a cada semana, a história de mulheres e homens de destaque no mercado brasileiro para contar a sua história, compartilhando os maiores desafios enfrentados ao longo do caminho e as principais estratégias usadas na construção do negócio.