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Ser filha do fundador nunca foi garantia de ocupar a cadeira de CEO. Pelo menos, foi assim na Sumirê. Antes de assumir o comando da rede de perfumarias, Renata Takae Minami precisou passar por praticamente todas as etapas da operação: trabalhou no caixa, organizou estoque, recebeu mercadorias, abriu lojas e chegou a morar na Bahia para gerenciar uma unidade do grupo.
A trajetória, construída ao longo de quase uma década, fez parte de um processo de formação que buscava muito mais do que preparar uma sucessora. O objetivo era garantir que a executiva conhecesse o negócio na prática antes de liderar uma empresa que hoje reúne 20 famílias e 48 acionistas.
Quando voltou ao negócio da família, em 2009, depois de trabalhar na multinacional Procter & Gamble, ela imaginava que contribuiria com processos e gestão. O primeiro desafio, porém, foi outro.
“Quando eu voltei, eu voltei para o chão de loja. Ele [pai de Renata] falou: ‘Você não vai sentar aqui do lado, vai para a loja, vai aprender’. Fui caixa. Fui arrumar estoque, recebi mercadoria e abri uma loja para ele.”
Segundo Renata, o aprendizado começou literalmente na operação.
“Você vai abrir essa loja do chão. Então, é desde planta de loja, pedreiro, fazer recrutamento, entrevista, marketing, divulgação numa cidade nova que a gente não tinha loja”, lembrou a executiva durante entrevista para o programa Do Zero ao Topo.
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Uma década para conquistar confiança
A preparação não terminou nas primeiras lojas. Para aprofundar o conhecimento sobre o varejo, Renata se mudou para a Bahia, onde assumiu a gerência de uma unidade da empresa durante cinco anos. A experiência permitiu acompanhar toda a rotina operacional e compreender as dificuldades enfrentadas pelas equipes.
Ela afirma que conhecer todas as etapas do negócio se tornou uma das principais bases da sua liderança. “Hoje, qualquer trabalho que a gente vai fazer, qualquer número que a gente vê lá por trás, eu sei como é fazer lá no chão. Eu sei como é o dia a dia”, lembra a CEO.
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Mesmo assim, convencer o fundador de que a empresa precisava mudar levou tempo. Segundo a executiva, foram quase dez anos até conquistar autonomia para liderar a transformação da empresa.
“É difícil quando o fundador fala: ‘Eu faço isso até hoje e dá certo’. Convencer ele é difícil”, diz Renata. Hoje a Sumirê é uma das maiores redes de beleza do país, com mais de 75 lojas.

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Respeito se conquista, não se herda
Renata conta ainda que nunca quis ser reconhecida apenas por carregar o sobrenome da família. “Eu voltava como filha do dono, inegável. Mas eu não queria ter esse estigma. Eu tive que trabalhar e provar para todo mundo que eu estava ali porque eu merecia estar ali”, diz.
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Essa postura aparecia até nos pequenos gestos do cotidiano. Durante a abertura de uma loja no interior de São Paulo, por exemplo, ela conta que utilizava ônibus para ir e voltar do trabalho ao lado da gerente da unidade.
“Ela ficou tão sem graça porque nem imaginava que eu estava indo e voltando de ônibus”, relembra com bom humor.
Para Renata, experiências como essa ajudaram a construir relações de confiança dentro da empresa. Antes de retornar à Sumirê, Renata buscou construir uma carreira fora da empresa da família.
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Mudou-se para São Paulo para estudar, trabalhou nos Estados Unidos como camareira para aprender inglês e, depois, ingressou na Procter & Gamble, onde teve contato com processos, planejamento e gestão corporativa.
Ela afirma que a passagem pela multinacional foi fundamental para enxergar o potencial de profissionalização da Sumirê. “Eu sabia que tinha que aprender tudo para trazer de volta para a empresa do meu pai.”
Essa filosofia acompanhou a executiva até a presidência da Sumirê e se tornou um dos pilares do processo de profissionalização que transformou uma rede formada por dezenas de negócios familiares independentes em uma empresa com estrutura corporativa e planos de faturar R$ 600 milhões em 2026.
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Para saber mais detalhes sobre a Sumirê veja o episódio completo no Do Zero ao Topo. O programa está disponível em vídeo no YouTube e em sua versão de podcast nas principais plataformas de streaming como ApplePodcasts, Spotify, Deezer, Spreaker, Castbox e Amazon Music.
Sobre o Do Zero ao Topo
O podcast Do Zero ao Topo é uma produção do InfoMoney e traz, a cada semana, a história de mulheres e homens de destaque no mercado brasileiro para contar a sua história, compartilhando os maiores desafios enfrentados ao longo do caminho e as principais estratégias usadas na construção do negócio.