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As especulações sobre a pesquisa AtlasIntel/Bloomberg que impulsionaram a Bolsa brasileira no início da tarde desta quinta-feira (10) se confirmaram e fizeram com que o Ibovespa mantivesse fortes ganhos na sessão.
Às 14h38 (horário de Brasília), o Ibovespa avançava 1,39%, a 188.221 pontos, depois de ter subido cerca de 1,5% logo após a divulgação do levantamento, que mostrou Flávio Bolsonaro numericamente à frente de Lula no segundo turno, apesar de empatados na margem de erro.
Flávio conta com 46,4% dos votos em potencial segundo turno, ante 46,2% do petista. No primeiro turno, Lula tem 43% e Flávio tem 37,4%.
No fim da manhã, o Ibovespa havia passado de queda a uma alta superior a 1% em meio a novas especulações sobre o cenário eleitoral brasileiro. Durante a manhã, o Índice Bovespa chegou a recuar 0,55%, aos 184.601,20 pontos, após abertura praticamente estável, aos 185.622,19 pontos.
“Trade eleitoral” ganha força no Ibovespa
Pablo Spyer, economista e sócio da XP, atribui a virada do Ibovespa ao chamado “trade eleitoral”, movimento que, segundo ele, ganhou força nas últimas duas semanas conforme investidores passaram a incorporar uma probabilidade maior de alternância de poder na eleição presidencial.
Para Spyer, pesquisas recentes mostrando o avanço de Flávio Bolsonaro na disputa têm levado o mercado a reajustar suas posições. Nesta quinta-feira, o movimento também ganhou força também com a mudança nas probabilidades do Polymarket, plataforma de apostas baseada em eventos.
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“Fazia muito tempo que o Lula estava na frente no Polymarket e, agora, virou para o lado do Flávio”, afirma Spyer. Segundo ele, o mercado passou, dessa forma, a enxergar uma probabilidade maior de vitória de Flávio Bolsonaro. Para Spyer, o componente doméstico está falando “bem mais alto” nesta quinta-feira, do que a correção no exterior.

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Na avaliação do economista, as pesquisas eleitorais são hoje o gatilho mais direto para o desempenho da Bolsa, à medida que investidores tentam antecipar tanto o resultado da eleição quanto a política econômica do próximo governo. Segundo Spyer, o mercado associa uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro à expectativa de maior austeridade e responsabilidade fiscal.
Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital, também relaciona a virada do Ibovespa às pesquisas eleitorais recentes, que têm apontado uma disputa mais apertada entre Flávio Bolsonaro e o presidente Lula.
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Segundo Magno, o mercado vem reagindo a sinais de uma disputa mais equilibrada. Para ele, investidores estão reajustando posições diante da possibilidade de mudança na orientação econômica do próximo governo.
Pedro Galdi, analista de investimentos do AGF, destaca que a mudança de direção, hoje da Bolsa, ocorreu apesar de um pano de fundo externo pouco favorável aos ativos brasileiros no início do dia.
“As bolsas de valores no exterior abriram mistas, mas ainda influenciadas pelo movimento de alta do preço do petróleo e pelas expectativas sobre a decisão de juros do BCE. Aqui, o Ibovespa abriu no campo negativo, o dólar com viés de alta e a curva de juros também”, afirma.
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Segundo Galdi, porém, o componente doméstico passou a predominar ao longo do pregão. “Nosso mercado mudou com as expectativas de nova pesquisa eleitoral e os ruídos constantes em Brasília. Aparentemente, voltamos ao trade eleitoral.”
Parte dos agentes de mercado associa a possibilidade de reeleição de Lula a dúvidas sobre a trajetória das contas públicas e seus potenciais efeitos sobre inflação e juros. Nesse ambiente, notícias interpretadas pelos investidores como favoráveis à candidatura de Flávio têm dado suporte aos ativos brasileiros, incluindo o real.
A expectativa eleitoral já vinha influenciando o mercado nos últimos pregões. Segundo Fernando Siqueira, head de Research da Eleven Financial, a ausência de novidades havia mantido o índice em queda moderada no início da sessão, enquanto investidores aguardavam novos sinais sobre a disputa presidencial.
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“Subiu muito diante da chance de vitória de Flávio ou de outro candidato a presidente que não seja o Lula, e isso ajuda”, afirma Siqueira.
De acordo com Kevin Oliveira, sócio e advisor da Blue3, a maior competitividade de candidaturas adversárias de Lula também tem influenciado o posicionamento dos investidores, em meio às preocupações com as contas públicas.
“Existe pressão por conta do fiscal. Todos os candidatos têm falado muito em melhoria fiscal, enquanto o governo Lula está em descrédito”, diz.
STF mantém risco institucional no radar
Além da disputa eleitoral, a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) segue no foco dos investidores. Spyer afirma que as tensões envolvendo a Corte permanecem no radar e contribuem para a percepção de risco institucional, embora avalie que, nesta quinta-feira, o cenário eleitoral esteja exercendo influência maior sobre os ativos brasileiros.
Na véspera, o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, suspendeu as decisões conflitantes de André Mendonça e Flávio Dino sobre o comando da Polícia Federal. A medida interrompeu tanto os efeitos da ordem de Mendonça que afastou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, quanto a decisão posterior de Dino que determinou sua reintegração.
Fachin também retirou o ministro Alexandre de Moraes da condução do inquérito das fake news. A decisão tem efeitos a partir de 9 de setembro e preserva os atos praticados anteriormente no âmbito da investigação.
Dólar cai no Brasil mesmo com pressão no exterior
O movimento também aparece no câmbio. A queda do dólar diante do real em meio às pesquisas eleitorais ocorre na contramão do exterior, onde a moeda norte-americana avança ante boa parte das demais divisas, em um dia marcado pela alta dos rendimentos dos Treasuries e pelo avanço do petróleo Brent para acima dos US$ 105 o barril.
Mais cedo, os EUA informaram que os preços ao produtor no país em agosto subiram 0,4% e os pedidos de auxílio-desemprego caíram 1.000 na última semana, para 206.000 em dado com ajuste sazonal, ante projeção dos economistas ouvidos pela Reuters de 205.000 pedidos.
Às 12h05, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,12%, a 98,901.
No início do dia, o Banco Central vendeu, em dois leilões simultâneos, US$ 1 bilhão em moeda à vista e 20.000 contratos, no valor de US$ 1 bilhão, de swap cambial reverso — operação cujo efeito equivale à compra de dólares no mercado futuro.
As duas operações simultâneas são conhecidas como “casadão” pelos investidores e dão liquidez ao mercado. O efeito delas sobre as cotações do dólar é, em tese, neutro, já que o BC vendeu US$ 1 bilhão em uma ponta e comprou US$ 1 bilhão na outra.
No fim da manhã, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento de 1º de outubro.
(com Reuters e Estadão Conteúdo)


