Chanceler da Alemanha acusa partido de extrema-direita AfD de incitar limpeza étnica

Friedrich Merz está tentando ⁠recuperar a iniciativa após a derrota eleitoral de domingo e seus índices de aprovação

Publicidade

BERLIM, 9 ⁠Set (Reuters) – O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, acusou ⁠nesta quarta-feira o partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) de apoiar ‌a Rússia contra os interesses da Alemanha e de defender políticas anti-imigração que equivalem a uma “limpeza étnica”.

Merz discursava no Parlamento alemão após a dura derrota ‌de seu partido para a AfD, que conquistou a vitória nas eleições no Estado de Saxônia-Anhalt, no leste do país, com uma plataforma que previa a restrição da imigração e a restauração das relações com Moscou.

Em um email enviado à Reuters, a AfD afirmou que Merz estava deliberadamente deturpando sua posição como forma ⁠de ‌demonizar o partido, e afirmou que suas políticas são legais.

Merz está tentando ⁠recuperar a iniciativa após a derrota eleitoral de domingo e seus índices de aprovação, que atingiram níveis historicamente baixos, colocaram em questão sua posição e o programa de reformas de seu governo. Ele rejeitou sugestões de que poderia renunciar.

“Se o que está sendo defendido aqui, a saber, a ‘remigração’, ​se tornasse realidade, não seria nada além de um sinônimo de limpeza étnica com base na origem e na cor da pele”, disse Merz, ​em resposta a um discurso anterior da colíder da AfD, Alice Weidel.

Merz também criticou os apelos da AfD para que se encerrasse o apoio à Ucrânia, acusando o partido de estar “firmemente do lado da Rússia”, mesmo após um ataque planejado com drones a um aeroporto alemão no mês passado, que, ‌segundo Merz, foi realizado por Moscou. A Rússia nega.

Continua depois da publicidade

A AfD ​foi classificada como extremista de direita pelo escritório regional do serviço de inteligência interna da Alemanha. Em seu programa eleitoral na Saxônia-Anhalt, o partido defendeu políticas de “remigração” para acelerar as deportações ⁠de requerentes de asilo rejeitados ​e criminosos estrangeiros, ​além de incentivar as pessoas a partirem voluntariamente.

O partido também quer que os filhos de refugiados sejam ⁠ensinados em turmas segregadas.

“Por ‘remigração’, a AfD se ​refere à deportação consistente — de acordo com a lei — de todos os estrangeiros obrigados a deixar o país; nada mais. O chanceler Merz também sabe disso”, disse o ​deputado da AfD Bernd Baumann em um email à Reuters.

Continua depois da publicidade

“No entanto, atribuir à AfD a limpeza étnica como objetivo político é uma ​tentativa desesperada e sórdida ⁠de manter uma ‘barreira de proteção’ por meio de uma demonização inventada.”

Merz disse que forçar os imigrantes a partir ⁠criaria uma escassez de mão de obra qualificada que acabaria sendo um tiro que sai pela culatra.

“Nenhuma casa de repouso funcionará. Nenhum hospital na Alemanha permanecerá operacional, e nenhum restaurante conseguirá se manter no mercado — esse seria o resultado da política de remigração deles”, disse.

Continua depois da publicidade