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Eleitorado mais velho cresce: quais são as regras do voto após os 70 anos?

Mesmo facultativo, voto influencia decisões sobre aposentadoria, saúde e custo de vida; Faixa dos 75-79 ganhou 198,8 mil eleitores em 2025

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O voto deixa de ser obrigatório a partir dos 70 anos, mas uma parcela crescente dos brasileiros mais velhos continua apta a participar das eleições. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que o avanço do eleitorado ao longo de 2025 se concentrou principalmente nas faixas etárias mais elevadas.

Entre maio e dezembro, o número total de eleitores aptos a votar no país passou de 154,29 milhões para 155,38 milhões, crescimento superior a 1,09 milhão de registros. Um dos destaques foi o grupo de 75 a 79 anos, que ganhou 198,8 mil eleitores no período — embora, nessa idade, o comparecimento às urnas seja facultativo.

O movimento ocorre em um país que envelhece e no qual decisões políticas sobre aposentadoria, saúde, cuidados de longa duração, proteção contra golpes e custo de vida têm impacto direto sobre uma parcela cada vez maior da população.

Para Antonio Leitão, especialista em longevidade do Instituto de Longevidade MAG, uma das possíveis explicações para a participação eleitoral desse público, mesmo sem a obrigatoriedade, é a ampliação das pautas associadas à velhice e o desejo de continuar representado nas decisões coletivas. “A pauta está se fortalecendo e as pessoas querem se fazer ouvir”, aponta.

Segundo ele, o interesse dos mais velhos pela política já não se restringe à aposentadoria e à Previdência, embora esses temas continuem relevantes para a segurança financeira. Segundo ele, há 20 anos, as pautas políticas associadas às pessoas mais velhas se concentravam principalmente na aposentadoria e no INSS. “Claro que esse assunto continua, mas passou a ser acompanhado de muitos outros”, diz Leitão.

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Autonomia também passa pelas urnas

A maior participação dos idosos acompanha uma mudança na própria compreensão do envelhecimento. Em vez de serem vistos apenas como destinatários de cuidados ou benefícios, brasileiros mais velhos procuram manter autonomia, vida social e influência sobre decisões que afetam seu cotidiano.

Esse interesse pode envolver desde o valor dos benefícios previdenciários e os gastos com medicamentos até a disponibilidade de serviços de saúde, políticas de cuidado, segurança pública e medidas de proteção contra fraudes.

Para o especialista em longevidade, o crescimento desse eleitorado também exige propostas mais abrangentes. “Na maior parte das vezes, nas últimas eleições, o que vem como proposta voltada para esse público é muito básico, com uma visão ainda um pouco limitada do que é a necessidade da pessoa idosa”, avalia.

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O exercício desse direito, entretanto, depende de condições práticas. Dificuldades de locomoção, falta de acessibilidade nos locais de votação e pouca familiaridade com serviços digitais podem funcionar como barreiras.

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Desinformação exige atenção

A exposição a notícias falsas, vídeos manipulados e golpes eleitorais é outro ponto de preocupação. O problema não decorre exclusivamente da idade, mas pode atingir de forma mais intensa quem começou a usar redes sociais e serviços digitais mais tarde. “O acesso aumentou consideravelmente; a educação para esse acesso é que não aumentou”, observa Leitão.

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A família pode ajudar a identificar conteúdos falsos, desde que respeite a autonomia e as escolhas políticas da pessoa idosa. “Se eu vir que uma pessoa mais velha da minha família está compartilhando uma coisa que patentemente é fake news ou sendo enganada por um vídeo falso, entendo que é meu dever, como familiar, buscar explicar”, diz.

Essa ajuda, ressalta, não deve se transformar em pressão sobre o voto. “A autonomia tem que ser respeitada. Mas também é exercer a cidadania sinalizar para a pessoa, ajudá-la a entender e a decifrar certos códigos com os quais talvez não esteja tão familiarizada”, acrescenta.

Ricardo Vita Porto, presidente da Comissão de Direito Eleitoral da OAB-SP, recomenda que os idosos recorram a fontes confiáveis para consumir conteúdos sobre candidatos e eleições. “A sugestão é acompanhar o noticiário em veículos de reputação, que fazem a checagem das informações”, pontua.

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Quais são as regras para quem tem 70 anos ou mais?

Quem tem 70 anos ou mais e não votar precisa justificar? Segundo Porto, não. “O voto é facultativo a partir dos 70 anos, não havendo necessidade de justificativa caso o eleitor decida não comparecer”, explica.

Deixar de votar pode bloquear o título, o CPF ou algum benefício do idoso 70+? O advogado também responde negativamente. “Não há nenhuma espécie de bloqueio”, salienta Porto.

Um familiar ou cuidador pode acompanhar quem tem 70 anos ou mais e ajudá-lo a votar? De acordo com Porto, a pessoa pode receber companhia até o local de votação, mas não durante o preenchimento do voto. “O idoso poderá ser acompanhado ao local de votação, mas não será permitido nenhum auxílio no momento do voto, com a finalidade de resguardar o sigilo da votação”, diz.

Uma pessoa 70+ com comprometimento cognitivo, demência ou sob curatela pode votar? “Se o título estiver válido, o eleitor poderá exercer o sufrágio”, afirma Porto.

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Jamille Niero
Minhas Finanças | Economia | Investimentos

Jornalista especializada no mercado de seguros, previdência complementar, capitalização e saúde suplementar, com passagem por mídia segmentada e comunicação corporativa