Taxas dos DIs despencam com fortalecimento de Flávio Bolsonaro nas pesquisas

Crise do Supremo Tribunal Federal (STF), que teve novo capítulo nesta terça-feira, foi outro fator que contribuiu para a queda dos prêmios

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SÃO PAULO, 8 Set (Reuters) – As taxas dos ⁠DIs caíram pela quinta sessão consecutiva nesta terça-feira, dando continuidade ao movimento mais ⁠recente de eliminação de prêmios na curva em função do fortalecimento da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ‌à Presidência.

A crise do Supremo Tribunal Federal (STF), que teve novo capítulo nesta terça-feira, foi outro fator que contribuiu para a queda dos prêmios.

No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em ‌13,515%, com baixa de 7 pontos-base ante o ajuste de 13,583% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, o DI para janeiro de 2035 marcava 14,02%, com recuo de 21 pontos-base ante 14,232%.

Na última semana a curva brasileira já havia apresentado quedas relevantes nos prêmios diante da disputa mais acirrada entre Flávio Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Na segunda-feira, quando o mercado no Brasil esteve fechado em função do Dia da Independência, a pesquisa Quaest ⁠mostrou que ‌Lula e Flávio têm 41% das intenções de voto cada um no segundo turno da disputa. A margem de ⁠erro é de 2 pontos percentuais. No levantamento anterior, Lula tinha 42% e Flávio somava 41%.

Já a pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta terça-feira mostrou que Flávio passou a ter vantagem numérica sobre Lula no segundo turno. O senador soma 46% das intenções de voto, contra 45% de Lula. Como a margem de erro é de 2 pontos percentuais, os dois estão empatados tecnicamente. Na pesquisa anterior, Flávio tinha 45% e Lula somava ​46%.

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As duas pesquisas motivaram a euforia vista nos mercados desde cedo, que impulsionou o Ibovespa e o real, enquanto as taxas futuras despencaram, a despeito de o cenário no exterior estar negativo para os ativos de ​risco.

“O entendimento de que a oposição tem chance de vencer tem crescido. Lá fora há certo pessimismo, mas o Brasil está descolado”, comentou à tarde o analista Matheus Spiess, da Empiricus Research.

No mercado, Lula ainda é visto com desconfiança por boa parte dos agentes, que enxergam sua reeleição como um empecilho para o controle das contas públicas e, consequentemente, da inflação. Assim, notícias favoráveis a Flávio — como a eliminação da diferença para Lula no segundo turno — ‌têm favorecido a queda do dólar e a redução de prêmios na curva ​a termo.

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A crise no STF foi outro ponto de atenção entre os investidores. Nesta terça-feira o ministro André Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de inteligência da corporação, Leandro Almada.

Relator do caso do Banco Master, Mendonça tem travado ⁠um embate com o ministro Alexandre de Moraes ​no STF, em que cada ​um tem levantado suspeitas contra o outro. Moraes se baseou na quinta-feira passada em relatórios de inteligência produzidos pela PF, comandada por Andrei Rodrigues, ⁠para pedir investigações contra Mendonça.

O embate no STF ganhou importância ​para a disputa eleitoral e, em paralelo, para os mercados no Brasil. Isso porque Flávio é um dos maiores críticos de Moraes, que foi relator no STF do processo de tentativa de golpe de Estado que levou à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro.

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“A crise ​institucional impacta a eleição. Ela foi um dos temas das manifestações de ontem e prejudica o incumbente — principalmente porque Lula carrega a bandeira da estabilidade institucional”, avaliou Spiess.

Neste cenário, os investidores também ​vêm consolidando nos últimos dias as ⁠apostas de cortes da taxa básica Selic, hoje em 14%. Os ativos já precificam quase 100% de probabilidade de corte de 25 pontos-base este mês, ⁠além de chance majoritária de novo corte de 25 em novembro.

No boletim Focus divulgado pela manhã, economistas projetaram uma Selic de 13,75% no fim deste ano e de 12% no encerramento de 2027.

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No fim da manhã, em leilão regular, o Tesouro vendeu 750 mil Letras Financeiras do Tesouro (LFTs) e 2,15 milhões de Notas do Tesouro Nacional — Série B (NTN-B).

Com menor influência sobre os negócios no Brasil, às 16h33 o rendimento do Treasury de dez anos –referência global para decisões de investimento– subia 1 ponto-base, a ​4,796%.