BP reorganiza comando após crise e aposta em nova fase de crescimento

A efetivação de Ian Tyler na presidência do conselho reforça a estabilidade da petroleira e dá mais espaço para a CEO Meg O'Neill conduzir a reestruturação do grupo

Publicidade

A BP nomeou Ian Tyler como presidente do conselho de forma permanente após um período interino no cargo, encerrando uma fase de turbulência na alta administração e permitindo que a CEO Meg O’Neill continue a reformular a companhia.

A decisão consolida o controle de O’Neill sobre a petroleira sediada em Londres. Desde que assumiu o cargo em abril, tornando-se a primeira mulher a liderar uma grande empresa global de petróleo, ela tem promovido uma reorganização acelerada, com venda de ativos de menor retorno e simplificação da estrutura corporativa.

Tyler, ex-presidente da Cairn Energy, tem reputação de conciliador, em contraste com as tensões que contribuíram para a saída de seu antecessor, Albert Manifold, em maio. Atualmente, também é presidente da Grafton Group, diretor independente sênior da Anglo American Plc e integra o conselho da BP desde 2025.

“A nomeação do atual presidente interino sinaliza uma escolha deliberada pela estabilidade após 18 meses turbulentos no nível do conselho”, escreveu Lydia Rainforth, analista do Barclays, em relatório.

As ações da BP chegaram a subir até 1,6% em Londres, mas depois reduziram os ganhos e passaram a operar em leve queda. No acumulado do ano, os papéis avançam cerca de 24%.

A nova CEO também foi beneficiada pela alta dos preços do petróleo e do gás impulsionada pela guerra no Irã. O cenário favoreceu especialmente empresas com operações robustas de refino e comercialização, como a BP.

Continua depois da publicidade

O’Neill afirmou recentemente que seria “prudente” que a BP deixasse de pensar em si mesma como uma “supermajor” do petróleo, mas os investidores ainda aguardam a apresentação de sua estratégia de longo prazo.

Até o momento, a executiva reconheceu a necessidade de melhorias e apresentou prioridades gerais, sem divulgar novas metas para balanço patrimonial, produção de petróleo ou gás. A BP continua utilizando os objetivos estratégicos definidos por seu antecessor, afastado por Manifold. A companhia não informou quando O’Neill apresentará seu plano estratégico.

Os investidores também acompanham de perto os esforços para fortalecer o balanço da empresa, na expectativa de que isso permita a retomada do programa de recompra de ações, suspenso no início deste ano em favor da redução do endividamento.

Continua depois da publicidade

No ano passado, a BP sofreu pressão do investidor ativista Elliott Investment Management para concentrar esforços nos negócios tradicionais de petróleo e gás e reduzir a exposição a áreas de menor retorno. O’Neill, defensora da indústria de combustíveis fósseis, foi contratada com a missão de liderar essa mudança.

Menos de dois meses após assumir o cargo, O’Neill e o conselho destituíram Manifold em meio a preocupações consideradas graves sobre “padrões de governança, supervisão e conduta”, sem fornecer mais detalhes.

Manifold foi demitido apenas oito meses após assumir a função para liderar a recuperação da petroleira. Ele afirmou posteriormente que foi dispensado sem explicações.

Continua depois da publicidade

Amanda Blanc, diretora independente sênior que liderou o processo de escolha tanto de Tyler quanto de Manifold, também deixará o conselho, informou a BP em comunicado divulgado nesta quarta-feira.

Blanc, responsável pela reestruturação da seguradora Aviva desde que assumiu como CEO em 2020, informou ao conselho da BP que não buscará a reeleição na assembleia geral de 2027. Ela permanecerá no cargo até que um sucessor seja escolhido para a função de diretor independente sênior.

Quando integrou o conselho da BAE Systems por quase uma década, entre 2013 e 2022, Tyler ajudou o então presidente Roger Carr a reconstruir a reputação da companhia e implementar mudanças na gestão.

Continua depois da publicidade

“Não é exatamente um paralelo com a BP, mas considerando o que a empresa viveu recentemente, a experiência de Tyler na BAE e em outras companhias mostra que ele é extremamente competente e muito calmo”, afirmou Carr à Bloomberg News. “Ele é ponderado, colaborativo e capaz de unir as pessoas.”