AtlasIntel: após debate, Cury chega a 7,8% e ganha força fora da polarização

Candidato alcança seus melhores resultados entre eleitores de 25 a 34 anos, sem identificação política e que não votaram em 2022

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O escritor Augusto Cury (Avante) aparece como o candidato que mais ganhou espaço fora da polarização entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) na nova pesquisa AtlasIntel Bloomberg. O best-seller e psiquiatra chegou a 7,8% das intenções de voto, mais que o dobro do resultado registrado em julho, quando marcava 3%.

O avanço coloca Cury numericamente próximo de Renan Santos (Missão), que tem 7,6%, e à frente dos demais candidatos que tentam ocupar uma terceira via na disputa presidencial. Ronaldo Caiado (PSD), por exemplo, aparece com 3,3%, e Romeu Zema (Novo), com 1%.

Os recortes da AtlasIntel ajudam a identificar onde Cury encontrou espaço para crescer. Seu desempenho é mais forte entre jovens, eleitores de menor renda, independentes e pessoas que não escolheram Lula ou Jair Bolsonaro no segundo turno de 2022.

O melhor resultado por faixa etária aparece entre os eleitores de 25 a 34 anos: 19,8% dizem votar em Cury. Entre os mais jovens, de 16 a 24 anos, são 12,1%. A candidatura perde força à medida que a idade aumenta: registra 9,1% entre pessoas de 35 a 44 anos, 2,6% entre 45 e 59 anos e apenas 0,3% entre os eleitores com 60 anos ou mais.

A distribuição ajuda a explicar parte do crescimento do candidato em um momento em que Lula perdeu apoio justamente entre os mais jovens. Na mesma pesquisa, o presidente caiu de 36,8% para 17,2% entre os eleitores de 16 a 24 anos. Flávio Bolsonaro avançou de 9% para 30% nessa faixa.

Os dados, porém, não permitem concluir que os votos perdidos por Lula migraram diretamente para Cury ou Flávio. Eles mostram uma reorganização das preferências desse eleitorado entre as duas rodadas da pesquisa.

Reduto de Cury

A identificação política é o recorte em que o perfil do eleitor de Cury fica mais evidente. Entre os entrevistados que se consideram independentes, Cury chega a 19,2%, atrás de Lula, com 38,2%, e Flávio, com 26%. O candidato também alcança 11,6% entre os eleitores que se identificam com a direita, mas não com o bolsonarismo.

Nas bases mais identificadas com os dois polos políticos, seu desempenho é bem menor. Cury tem 0,1% entre os lulistas e 0,9% entre os bolsonaristas. Entre os eleitores de esquerda que não se consideram lulistas, registra 4,3%.

O maior percentual aparece entre quem não soube definir sua própria identificação política: 29,1% desse grupo declara voto em Cury. O resultado sugere que o espaço ocupado pelo candidato está concentrado principalmente fora dos segmentos já vinculados a Lula e ao bolsonarismo.

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A próxima questão para a campanha será verificar se esse avanço se mantém ao longo do período eleitoral e se o candidato consegue ampliar sua presença em grupos nos quais ainda registra resultados baixos, principalmente eleitores mais velhos e os segmentos fortemente identificados com os dois principais polos da disputa.

A AtlasIntel entrevistou 5.014 eleitores entre os dias 25 e 30 de agosto. A margem de erro é de 1 ponto percentual, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-07972/2026.

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Marina Verenicz
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