Aos 21 anos, Amélie Voigt Trejes tem uma fortuna estimada em R$ 6,7 bilhões e acaba de ganhar um título incomum: o de bilionária mais jovem do mundo. A catarinense aparece na edição de 2026 da lista de bilionários brasileiros da Forbes com um patrimônio construído a partir de sua participação na WEG (WEGE3), multinacional fundada por seu avô há 65 anos.
Filha de Cladis Voigt Trejes e neta de Werner Ricardo Voigt, um dos três fundadores da WEG, Amélie tem dois irmãos, Pedro e Felipe Voigt Trejes.
O nome de Amélie já vinha aparecendo nos rankings de grandes fortunas. Em 2024, aos 19 anos, ela foi apontada pela Forbes como a bilionária mais jovem do Brasil, posto que manteve no levantamento seguinte. Em março de 2026, entrou pela primeira vez na lista mundial da publicação, com patrimônio estimado em US$ 1,1 bilhão, e passou a ocupar também o posto de bilionária mais jovem do planeta.
A WEG por trás da fortuna
A WEG foi fundada em 1961, em Jaraguá do Sul (SC), por Werner Ricardo Voigt, Eggon João da Silva e Geraldo Werninghaus. O nome da companhia nasceu das iniciais dos sobrenomes dos três sócios.
Avô de Amélie, Werner tinha formação técnica e começou a trabalhar ainda jovem com eletricidade e motores. Antes de fundar a empresa, abriu uma oficina em Jaraguá do Sul que prestava serviços gerais e fazia a manutenção dos poucos veículos motorizados que circulavam pela região. Mais tarde, idealizou o protótipo do motor que deu origem à produção da WEG e assumiu a área técnica da companhia.
A fabricante começou produzindo motores elétricos, mas não demorou a avançar para fora do mercado brasileiro. As primeiras exportações ocorreram em 1970, para países como Guatemala, Uruguai, Paraguai, Equador e Bolívia. No ano seguinte, as ações da WEG passaram a ser negociadas em Bolsa. Em 1973, a empresa já exportava para 20 países e, dois anos depois, alcançou a marca de 1 milhão de motores produzidos.
A partir dos anos 1980, a companhia ampliou a atuação para áreas como automação industrial, transformadores, componentes eletroeletrônicos e tintas. Hoje, seu portfólio reúne mais de 1.500 linhas de produtos e inclui equipamentos e sistemas usados em diferentes segmentos da indústria.
Em 2025, a WEG registrou receita líquida de R$ 40,8 bilhões, sendo 60% provenientes dos mercados externos. A companhia tem unidades industriais em 18 países, presença comercial em mais de 135 mercados e mais de 49 mil funcionários. Produz atualmente mais de 19 milhões de motores por ano.
Werner deixou as funções executivas em 1988 e passou a integrar o conselho de administração. Morreu em 2016, aos 85 anos.
Uma família de jovens bilionários
Amélie não é a única herdeira da família Voigt entre os mais ricos do país. Cinco dos seis brasileiros mais jovens da lista mundial de bilionários da Forbes em 2026 são da família Voigt.
Além de Amélie, aparecem no ranking seus irmãos gêmeos, Pedro e Felipe Voigt Trejes, de 23 anos, cada um com patrimônio estimado em US$ 1,1 bilhão. As primas Lívia Voigt de Assis, de 21 anos, e Dora Voigt de Assis, de 28 anos, têm fortunas calculadas em US$ 1,4 bilhão cada.
Amélie, Pedro e Felipe receberam parte das ações anteriormente detidas por sua mãe, Cladis Voigt Trejes. Nenhum dos três ocupa cargo executivo ou assento no conselho de administração da WEG.