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Uma família pode acumular imóveis, investimentos e outros bens ao longo da vida e, ainda assim, enfrentar dificuldades financeiras após a morte de um dos provedores.
Essa situação ajuda a explicar por que o planejamento sucessório tem ganhado espaço entre famílias de diferentes perfis. Mais do que definir quem ficará com o patrimônio, a sucessão envolve uma preocupação menos evidente: preservar a segurança financeira dos familiares em um momento de vulnerabilidade.
Para especialistas ouvidos pelo InfoMoney, a discussão deve começar muito antes da transferência dos bens e não se limita a famílias com grandes fortunas. Veja a seguir os principais aspectos que eles destacaram sobre o tema.
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O custo da falta de planejamento
Sem uma organização prévia da sucessão patrimonial, a existência de bens nem sempre assegura tranquilidade financeira quando a família mais precisa dela.
“É comum encontrarmos famílias que construíram imóveis, empresas e investimentos ao longo da vida, mas nunca discutiram como esses ativos serão administrados ou transferidos no futuro”, afirma Rafael Carvalho, CEO da AEGIS.
Segundo o especialista, um dos principais desafios surge porque as despesas não param após o falecimento de um familiar. Gastos com educação, plano de saúde, condomínio, financiamentos, honorários advocatícios, impostos e custos relacionados ao inventário continuam existindo enquanto a sucessão é organizada.
“Nesse período, muitas famílias acabam dependendo da venda emergencial de patrimônio ou da tomada de decisões financeiras precipitadas”, afirma Carvalho. O problema, segundo ele, é que a urgência costuma reduzir o poder de negociação e pode levar à venda de ativos por valores inferiores aos que seriam obtidos em condições normais de mercado.
Em outras palavras, a falta de planejamento pode obrigar a família a lidar simultaneamente com questões emocionais, burocráticas e financeiras em um momento de fragilidade, aumentando o risco de decisões que comprometem a preservação do patrimônio construído ao longo dos anos.
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Seguro, previdência e testamento: a função de cada um no planejamento sucessório
Dentro do planejamento, diferentes instrumentos podem cumprir funções específicas e ajudar a reduzir os impactos financeiros para a família.
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O seguro de vida é um dos exemplos mais conhecidos. Segundo Carvalho, ele pode funcionar como uma fonte para custear despesas imediatas e dar mais tranquilidade aos beneficiários enquanto corre a sucessão.
A previdência privada também costuma integrar esse tipo de estratégia. Além de formar patrimônio ao longo do tempo, ela pode facilitar a transferência de recursos aos beneficiários.
Rafael Carvalho observa que uma decisão recente do Supremo Tribunal Federal (STF) consolidou o entendimento de que não incide ITCMD sobre os valores recebidos pelos beneficiários após a morte do titular. Isso reforçou a relevância da previdência privada como instrumento no planejamento sucessório.
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Por sua vez, o testamento cumpre um papel complementar. Segundo Ivana Cota, advogada do Ciari Moreira Advogados, o instrumento formaliza a vontade do titular sobre parte do patrimônio e deixa a sucessão mais previsível, reduzindo dúvidas e conflitos entre os herdeiros.
Apesar das diferenças, os especialistas ressaltam que essas ferramentas funcionam melhor quando atuam em conjunto. O planejamento sucessório considera a realidade patrimonial e familiar de cada pessoa para definir os instrumentos mais adequados e os riscos que precisam de atenção.
| O que compromete a segurança financeira da família |
|---|
✓ Falta de liquidez: a família pode ter bens de valor, mas pouco caixa para despesas imediatas e manutenção do padrão de vida. ✓ Venda forçada: a necessidade de gerar caixa rápido pode levar à venda de imóveis, empresas ou investimentos em condições desfavoráveis. ✓ Conflitos entre herdeiros: divergências sobre divisão, avaliação ou administração dos bens atrasam decisões e aumentam custos. ✓ Patrimônio sem gestão definida: imóveis, empresas e investimentos acumulados exigem clareza sobre quem administrará esses ativos no futuro. ✓ Instrumentos complementares: seguro, previdência e testamento não resolvem tudo sozinhos, mas podem criar liquidez e reduzir incertezas. |
Quando começar a pensar na sucessão patrimonial
Segundo Ivana Cota, a necessidade de organização costuma surgir em momentos importantes da vida familiar e patrimonial. Casamentos, divórcios, nascimento de filhos, formação de famílias recompostas, abertura de empresas e aquisição de patrimônio estão entre as situações que podem justificar a revisão ou a criação de um planejamento sucessório.
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Para Rafael Carvalho, um dos erros mais comuns é adiar essa conversa à espera do momento ideal. “O principal erro é acreditar que existe um momento perfeito para começar”, afirma.
O especialista reforça que o melhor momento costuma ser quando a pessoa ainda possui saúde, capacidade de decisão e tempo para estruturar as soluções de forma organizada.
“Quanto mais cedo a discussão acontece, maior tende a ser a possibilidade de alinhar o planejamento à realidade da família e aos seus objetivos de longo prazo”, conclui.
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