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Galpões logísticos sustentaram parte relevante da demanda pelas principais obras da construtora Ribeiro Caram nos últimos anos. Esse cenário está prestes a mudar. Em busca de ganhos de rentabilidade, a companhia está dedicando a maior parte de seus investimentos para projetos no promissor setor de data centers brasileiro.
De acordo com Diego Báez, CEO da Ribeiro Caram, cerca de 60% dos investimentos da companhia estão sendo direcionados para a formação de tecnologias, equipes, processos e parcerias com empresas especializadas. “O data center é um negócio altamente técnico. O que chamamos de missão crítica é um negócio muito especializado, que não pode falhar, não pode ter erros”, diz.
A estruturação do setor de projetos de data centers ocorre em meio a uma mudança em algumas das principais cadeiras da construtora. Baéz chegou ao cargo de CEO para substituir o fundador da companhia, Cezario Caram, falecido em um acidente de moto em 2025. A partir de então, a empresa passou a dar sinalização de profissionalização da gestão ao mercado.
Além do atual CEO, a Ribeiro Caram buscou no mercado Denller Souza para o cargo de de diretor de operações de data center. O executivo vem de passagens como diretor de operações, construções, engenharia de data centers da Kyndryl, resultado de um spin-off da IBM.
O resultado dessa expansão da operação em data centers não deve ser observado tanto no volume de projetos, mas sim na rentabilidade. A Ribeiro Caram deve continuar crescendo em ritmo similar aos 12% no acumulado anual (a empresa não abre dados brutos de receita) e quer manter o número de cerca de 20 canteiros de obra simultâneos.
Projetos envolvendo data centers não chegam a representar 20% do faturamento da construtora no momento. A expectativa é que em um prazo de cinco anos eles correspondam a um terço do faturamento da companhia, com participações iguais vindas de projetos industriais e de logística.
“Missão crítica [o segmento de data centers] é um negócio complexo, então não queremos estruturar para tocar cinco ou seis canteiros de uma vez. Vamos aos poucos, mas com muita qualidade”, aponta Baéz.

De galpões para os data centers
Durante a pandemia, a procura por galpões logísticos foi fortemente impulsionada pelas empresas de e-commerce, principalmente no raio de 30 quilômetros da cidade de São Paulo, onde se encontra o principal aeroporto do Brasil, em Guarulhos. A Ribeiro Caram tem um histórico de cerca de 6 milhões de metros quadrados construídos, dos quais 4,5 milhões vêm do mercado logístico.
Agora, a leitura indica para uma onda similar chegando ao mercado de data centers. Recentemente, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que os pedidos de acesso de data centers ao sistema elétrico brasileiro já somam 28 gigawatts, dos quais uma parcela de 7,1 gigawatts podem movimentar R$ 159 bilhões nos próximos anos.
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Segundo Souza, a Ribeiro Caram vai atuar com projetos em perfis variados de clientes, desde os gigantes da tecnologia em nuvem e inteligência artificial, até projetos específicos para servidores corporativos ou computação de borda — modelo de processamento mais próximo ao local onde dados são gerados.
“Atuamos em todos esses mercados e não só no greenfield [projetos novos], mas também em retrofits, na adaptação de prédios já existentes. Muitos dos data centers que foram construídos nos anos 2000 não são adaptados para a nova geração de computação que está vindo agora”, explica Souza.
Embora o estado de São Paulo concentre parte relevante dos projetos de data centers no Brasil, os olhos da Ribeiro Caram também miram mercados potenciais importantes no Nordeste. “São os mercados que se destacam no Brasil, e na minha percepção não é uma coisa que deva mudar em um horizonte de curto prazo”, afirma Souza.
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Um dos destaques é o Ceará, onde há investimentos projetados na ordem das centenas de megawatts. Uma das principais razões para isso é a Praia do Futuro, em Fortaleza, principal ponto de conectividade da América Latina via cabos submarinos de fibra óptica.
“No Ceará temos conexão de dados e energia eólica. Um dos grandes diferenciais, principalmente para os hyperscales [gigantes do setor de nuvem], que exigem fontes de energias renováveis”, explica Souza.