Derrite favorito? Tebet e Marina dividem votos? Entenda a disputa ao Senado por SP

Para Bruno Soller, baixo conhecimento dos candidatos limita pesquisas nesta fase; cientista político vê Derrite em posição competitiva e segunda vaga mais aberta

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A disputa pelas duas vagas de São Paulo no Senado tende a permanecer mais aberta do que os números das pesquisas sugerem até que a campanha avance e o eleitor passe a identificar os candidatos, suas alianças e seus campos políticos. A avaliação é de Bruno Soller, cientista político e sócio do instituto Real Time Big Data.

Em entrevista ao InfoMoney, Soller afirmou que as pesquisas realizadas ainda longe da votação captam, em grande medida, o grau de conhecimento dos nomes apresentados aos entrevistados. O problema ganha peso nas eleições para o Senado porque, em 2026, o eleitor poderá escolher dois candidatos.

“Essas pessoas não sabem nem o primeiro ainda, que dirá o segundo. E isso pode mexer completamente no processo eleitoral”, afirmou.

Um levantamento do próprio Real Time Big Data, realizado entre 13 e 15 de junho, mostrou Guilherme Derrite (PP), Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede) tecnicamente empatados na dianteira. No primeiro cenário testado, Derrite tinha 17%, Tebet, 16%, e Marina, 14%. Ricardo Salles (Novo) aparecia com 12%, André do Prado (PL), com 10%, e Paulinho da Força (Solidariedade), com 7%.

Foram entrevistadas 2 mil pessoas. A margem de erro era de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número SP-09734/2026.

Pesquisas posteriores continuaram apontando uma corrida apertada. Levantamento do Paraná Pesquisas realizado de 16 a 18 de agosto colocou Tebet com 31,1%, Marina com 30,1% e Derrite com 28,2%, todos dentro da margem de erro de 2,4 pontos percentuais. Salles registrou 19,7% e André do Prado, 16,8%.

Conhecimento de nome

Para Soller, a dificuldade de antecipar o resultado aumenta porque o eleitor ainda está distante da escolha para o Senado. Nessa etapa, nomes que já disputaram eleições nacionais ou ocuparam cargos de maior exposição podem ser lembrados com mais facilidade em pesquisas estimuladas.

“Agora é muito conhecimento. As pessoas lembram do nome. Então você bota lá, lembram do nome e vão falando. Mas vai ser no processo que a gente vai ter uma certeza um pouco maior de quem cresce”, disse.

O cientista político cita Simone Tebet e Marina Silva como exemplos de candidatas que começam a disputa com elevado grau de reconhecimento. As duas participaram do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), além de terem disputado eleições presidenciais anteriormente.

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A distância entre conhecimento e decisão de voto fica evidente quando a pergunta é feita de forma espontânea. No Paraná Pesquisas divulgado em 19 de agosto, 77,4% não indicaram espontaneamente um candidato ao Senado. Tebet teve 5,8%, Derrite, 5,1%, e Marina, 3,7%.

Para Soller, a campanha eleitoral deve aumentar o peso do posicionamento político e das alianças na escolha.

No caso de Tebet, ele avalia que parte do eleitorado ainda mantém a imagem construída durante a candidatura presidencial de 2022, quando ela se apresentou como uma alternativa de centro. Na eleição paulista, a associação com o campo governista deverá ganhar espaço durante a campanha.

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“A Simone vai ter muita dificuldade no momento em que ela for apontada como a candidata do PT. Ela não é vista assim”, afirmou Soller.

Segundo ele, adversários ligados à direita deverão explorar a participação da ex-ministra no governo Lula para tentar delimitá-la dentro do eleitorado de esquerda.

Derrite e o vínculo com Tarcísio

Entre os nomes da direita, Soller considera Derrite o candidato que começa a disputa com um posicionamento eleitoral mais definido. O cientista político atribui essa condição à associação com a segurança pública e à proximidade com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).

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“Ele tem posicionamento, ele tem tema, ele tem a ligação direta com o Tarcísio”, disse.

A avaliação de Soller é que Derrite parte de uma situação mais consolidada dentro desse eleitorado, enquanto André do Prado precisa ampliar seu grau de conhecimento e reforçar sua vinculação ao campo político de Tarcísio e do bolsonarismo.

Soller afirmou considerar uma das duas cadeiras menos aberta devido à força inicial de Derrite. “Tem uma vaga que eu acho que está preenchida, que é a do Derrite. Acho muito pouco provável que esse cara não entre. E a segunda vaga vai ser uma guerra”, disse.

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Tebet e Marina disputam o mesmo eleitor?

A presença simultânea de Tebet e Marina levanta a possibilidade de divisão de votos entre candidaturas apoiadas pelo mesmo campo político. Para Soller, porém, as duas chegam à disputa com perfis eleitorais diferentes.

Ele avalia que Marina possui identificação mais estabelecida com o eleitorado de esquerda, enquanto Tebet pode alcançar segmentos além desse campo por causa da imagem de centro construída nos últimos anos.

Na leitura de Soller, portanto, a capacidade de Tebet de receber votos fora do eleitorado tradicional da esquerda pode ser relevante na disputa por uma das vagas. Ao mesmo tempo, a campanha tende a aumentar sua associação com Lula, o que pode reduzir essa margem entre eleitores de centro ou de direita.

A eventual divisão entre Tebet e Marina também precisa ser analisada em conjunto com o comportamento do outro campo. Soller considera que Ricardo Salles pode disputar votos com André do Prado e alterar a distribuição das duas escolhas disponíveis ao eleitor.

“O Salles é o fato aí que pode eleger um da esquerda”, afirmou. Segundo ele, uma fragmentação maior entre os candidatos da direita aumentaria a possibilidade de uma candidatura do campo governista conquistar uma das cadeiras.

Voto casado pode decidir segunda vaga

A eleição de 2026 terá uma característica que não esteve presente na disputa pelo Senado de 2022, a escolha dupla que os eleitores terão de fazer na urna.

Soller considera que a polarização política observada desde 2018 pode aumentar o chamado voto casado, no qual o eleitor seleciona candidatos pertencentes ao mesmo campo para diferentes cargos e também utiliza seus dois votos ao Senado dentro desse grupo.

“A tendência é que o voto seja um pouco mais racionalizado”, afirmou. Para ele, as eleições recentes têm mostrado maior identificação de parcelas do eleitorado com os campos da esquerda e da direita, o que pode favorecer combinações previamente definidas pelas campanhas.

Para Soller, a campanha e especialmente sua reta final serão determinantes para que o eleitor identifique quem ocupa cada espaço político e escolha o segundo candidato. Dessa forma, a fotografia registrada meses antes da votação pode mudar conforme avançarem o conhecimento dos nomes, as alianças e as campanhas de voto casado.

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Marina Verenicz
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