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Não acredito em equilíbrio de vida. Não da forma que o conceito se popularizou.
Sei que pode parecer duro afirmar isso, assim, sem rodeios. Pode até soar incoerente para uma mulher que é CEO de uma empresa, esposa, mãe, enfim, uma pessoa que desempenha vários papéis porque é esperado que alguém que tenha diferentes responsabilidades diga que dá, sim, para fazer tudo.
E, na verdade, é possível conciliar muita coisa, mas não estar 100% presente em todas elas o tempo todo.
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Uma coisa é ter uma rotina que concilia diversos afazeres e abre espaço para aquilo que é importante para você. Outra coisa muito diferente é achar que existe aquele equilíbrio perfeito em que conseguimos dar conta de tudo, o tempo todo, na mesma medida.
É nessa ideia que eu não acredito.
Equilíbrio não significa fazer tudo ao mesmo tempo
Para mim, buscar esse tipo de idealização pode, inclusive, impactar negativamente a saúde porque gera uma autocobrança constante para alcançar algo que, muitas vezes, é impraticável. Não conseguimos dedicar o mesmo tempo, energia e atenção a todas as áreas da vida pelo simples fato de que esses recursos são limitados.
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Por isso, defendo muito mais a priorização do que a busca pela vida perfeitamente balanceada. Acredito que é mais benéfico quando entendemos que momentos diferentes vão demandar mais ou menos dedicação a cada área da nossa vida.
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Às vezes, o trabalho vai exigir mais de você. Em outros períodos, pode ser que certo familiar precise mais da sua atenção por conta de uma questão de saúde. A chegada de uma criança muda completamente a rotina de uma mãe ou de um pai. Uma mudança profissional também.
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Ou seja, a vida não é estática: novas responsabilidades aparecem o tempo todo e precisamos escolher onde colocar mais a nossa energia.
A vida muda — e as prioridades também
Lembro quando, em 2015, me tornei sócia da Cia de Talentos.
Naquele momento, minha carreira naturalmente passou a exigir mais de mim, o que não significa que deixei minha família ou meus amigos de lado.
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É só que aquela nova responsabilidade profissional demandava mais a minha atenção naquele período. Da mesma forma, quando me tornei mãe, minhas prioridades mudaram novamente.
Talvez parte da busca pelo equilíbrio perfeito venha até de uma culpa que sentimos quando precisamos escolher, como se priorizar uma coisa significasse abandonar todas as outras.
Mas não se trata de descaso, falta de cuidado ou abandono.
Saber que, em determinado período, alguma área da nossa vida pode precisar ocupar mais espaço é sinal de maturidade, não de um desequilíbrio que precisa ser urgentemente corrigido.
Muitas vezes, criamos uma imagem de vida ideal em que cabe tudo: fazer exercício todos os dias, dormir oito horas, comer bem, estudar o tanto de horas que gostaríamos, finalizar uma lista imensa de afazeres no trabalho, acompanhar de perto a família, encontrar os amigos, manter os hobbies em dia e ainda ter algum tempo livre.
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Eu adoraria dizer que encontrei a fórmula para fazer tudo isso sempre, mas não é o caso.
O que encontrei foi uma rotina possível. Quando trabalho de casa, por exemplo, tento acordar e caminhar ou fazer algum exercício. Tomo café da manhã com a minha filha e, depois, começo a trabalhar. Também procuro encontrar espaço para estudar idiomas, ler e ter mais tempo de qualidade com a minha família.
Ter esses pontos de apoio na rotina é importante para mim.
Eles me ajudam a não deixar de lado coisas que valorizo mesmo nos períodos mais intensos. Só que ter rotina não é garantia de equilíbrio e muito menos significa que todos os dias vão acontecer exatamente como planejado. Porque, vamos falar a verdade, a vida interfere na agenda.
Pode surgir uma reunião importante, uma viagem, uma demanda inesperada no trabalho ou alguma questão familiar que precise da minha atenção. Nesses momentos, não acho produtivo olhar para tudo aquilo que não consegui cumprir e concluir que minha vida está “desequilibrada”. Prefiro me perguntar: o que precisa de mim agora?
Essa pergunta pressupõe aceitar que a resposta vai mudar. E talvez seja justamente essa flexibilidade que falte ao falarmos em equilíbrio.
Quando entendemos que a vida não é estática, fica mais fácil aceitar que nossas escolhas também não precisam ser. Rever prioridades faz parte desse processo e, muitas vezes, significa reconhecer que não precisamos dar conta de tudo sozinhos.
Priorizar também é saber delegar
Formar uma rede de apoio e saber delegar também são partes importantes da priorização.
Afinal, escolher onde colocar nosso tempo e a nossa energia passa por entender no que queremos ou precisamos estar presentes e o que pode ser compartilhado com outras pessoas.
Isso vale tanto para a vida profissional quanto para a pessoal. No trabalho, por exemplo, nem toda tarefa precisa ser feita por nós, mas existem responsabilidades que entendemos que não devem ser delegadas.
Na vida pessoal, contar com uma rede de apoio não significa estar menos presente ou abrir mão do que é importante. Em ambos os casos, a questão é saber escolher onde a nossa presença realmente faz diferença.
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Sei que nem sempre é fácil. Priorizar exige clareza sobre o que queremos e disposição para fazer escolhas, inclusive aquelas que envolvem abrir mão de alguma coisa.
É também aprender a dar bons “nãos”, entendendo o que merece nosso tempo e a nossa energia naquele momento.
E talvez seja justamente essa clareza que torne a vida um pouco mais leve.
Em vez de ficar angustiada tentando cumprir a missão impossível de estar 100% em todos os lugares ao mesmo tempo, prefiro praticar o exercício constante de entender o que precisa de mim agora, priorizando a partir disso e, quando o cenário muda, tendo flexibilidade para rever minhas escolhas.
Para mim, isso faz muito mais sentido do que perseguir um equilíbrio perfeito que dificilmente existe na vida real.