Fora da disputa, Bolsonaro terá sobrenome usado por 30 candidatos nas urnas em 2026

Levantamento no DivulgaCand mostra presença do nome do ex-presidente principalmente entre candidatos do PL; referências a Lula aparecem em sete registros

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O ex-presidente Jair Bolsonaro não disputa as eleições de 2026, mas seu sobrenome estará espalhado pelas urnas. Ao menos 30 candidatos registraram na Justiça Eleitoral nomes que incluem “Bolsonaro”, enquanto sete concorrentes adotaram referências ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O levantamento considera os registros disponíveis no DivulgaCand, sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A diferença entre os dois nomes também indica como cada campo político tem explorado suas principais lideranças nesta eleição. A maior parte dos “Bolsonaros” está concentrada no partido do ex-presidente, enquanto as referências a Lula aparecem em diferentes legendas e nem sempre representam apoio ao petista.

Dos 30 candidatos que carregam Bolsonaro no nome de urna, 22 são filiados ao PL. O grupo inclui integrantes da própria família e pessoas próximas ao ex-presidente, além de candidatos que incorporaram o sobrenome como identificação eleitoral.

Entre os familiares está Jair Renan Valle Bolsonaro. Candidato a deputado federal pelo PL de Santa Catarina, o filho mais novo do ex-presidente registrou como nome de urna “Jair Bolsonaro”, exatamente a identificação usada pelo pai quando venceu a eleição presidencial de 2018.

A disseminação do sobrenome ocorre em uma eleição na qual Jair Bolsonaro está impedido de concorrer. O candidato da família à Presidência será Flávio Bolsonaro (PL), enquanto o partido tenta transformar a identificação com o ex-presidente em um elemento comum a candidaturas em diferentes estados.

Lula aparece em sete candidaturas

O nome do atual presidente tem presença menor. Sete candidatos registraram alguma referência a Lula, quatro deles pelo PT. Os outros estão distribuídos entre Avante, PSB e PL.

A presença de um “Lula” entre os candidatos do PL mostra que a escolha do nome de urna nem sempre indica proximidade política. Célio José de Moraes registrou a candidatura como “Dr. Célio, Lula do Bem”, usando a referência ao presidente como provocação.

No PT, aparecem identificações diretamente associadas ao presidente, entre elas “Lula Tio do Biscoito”, em Minas Gerais, “Samanda de Lula”, no Rio Grande do Norte, e “Panayotis do Lula”, no Rio de Janeiro.

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A comparação com eleições anteriores mostra que a exploração eleitoral dos nomes de Lula e Bolsonaro varia conforme o momento político. Em 2022, 45 candidatos utilizaram Bolsonaro em suas identificações, além do próprio presidente, que buscava a reeleição. Lula apareceu no nome de 15 concorrentes.

O que diz a regra eleitoral

A escolha do nome exibido na urna não precisa ficar restrita ao nome civil completo. A legislação eleitoral permite ao candidato indicar prenome, sobrenome, apelido ou outra forma pela qual seja conhecido.

A Justiça Eleitoral, porém, pode impedir uma escolha quando entender que ela cria dúvida sobre a identidade do candidato ou pode confundir o eleitor. Isso faz diferença especialmente nos casos em que alguém sem parentesco incorpora o nome de uma liderança política à identificação eleitoral.

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A lista de 2026, portanto, ainda pode sofrer alterações durante a análise dos registros pela Justiça Eleitoral. Por enquanto, os pedidos apresentados ao TSE mostram que Bolsonaro, mesmo impedido de concorrer, terá seu sobrenome muito mais presente nas urnas do que Lula, que disputa um novo mandato.

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Marina Verenicz
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