Cuba comemora centenário de Fidel Castro em meio à grave crise econômica

Presidente cubano Miguel Díaz-Canel disse que é importante lembrar Fidel não apenas como uma figura histórica, mas também como "um guia para superar os desafios" em 2026

Membros da brigada de solidariedade ALKAIRA compram livros sobre o falecido presidente cubano Fidel Castro, enquanto Cuba comemora o que teria sido seu centésimo aniversário, em Havana - 12/08/2026 (Foto:  REUTERS/Norlys Perez)
Membros da brigada de solidariedade ALKAIRA compram livros sobre o falecido presidente cubano Fidel Castro, enquanto Cuba comemora o que teria sido seu centésimo aniversário, em Havana - 12/08/2026 (Foto: REUTERS/Norlys Perez)

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Havana (Reuters) – Cuba comemora nesta quinta-feira (13) o centésimo aniversário do nascimento do líder revolucionário Fidel Castro em meio a uma das crises econômicas e políticas mais graves de sua história, agravada pelo embargo petrolífero de Washington e por sanções mais severas.

Mais de 1.500 ativistas e representantes de organizações de solidariedade de mais de 60 países da América Latina, Europa, África e Ásia viajaram para a ilha caribenha nesta semana para participar de eventos comemorativos em homenagem a Fidel, segundo o governo cubano.

“O legado de Fidel nos fala hoje com mais força do que nunca”, afirmou o presidente cubano Miguel Díaz-Canel na abertura, na segunda-feira, da conferência internacional sobre o legado de Fidel.

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Díaz-Canel acrescentou que é importante lembrar Fidel não apenas como uma figura histórica, mas também “como um guia para superar os desafios que temos diante de nós hoje, na Cuba real de 2026”.

A comemoração ocorre em meio a relações cada vez mais tensas entre Havana e Washington. Em janeiro, o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impôs um embargo de petróleo contra a ilha para pressionar o governo cubano. Washington também endureceu as sanções no que o governo cubano descreve como uma tentativa sem precedentes de paralisar suas finanças e operações.

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A política dos EUA teve impactos de longo alcance em toda a ilha. As quedas de energia, que ultrapassam 20 horas por dia na maioria das províncias, paralisaram a produção de alimentos, o transporte e o turismo, levando o sistema elétrico nacional de Cuba à beira do colapso técnico. A rede elétrica sofreu três falhas em todo o país somente em julho.

Em resposta à crise, o governo cubano aprovou, em junho, um pacote de 176 medidas destinadas a abrir a economia socialista da ilha ao investimento privado e estrangeiro.

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Essas medidas, se implementadas integralmente, representariam uma adesão sem precedentes ao capitalismo de livre mercado e contrastariam fortemente com o modelo socialista que definiu o governo de Fidel por décadas.

Algumas reformas já estão em andamento. No setor de energia, por exemplo, as exportações de combustível dos EUA para empresas privadas cubanas dispararam este ano, alimentando o crescimento de um caótico mercado negro e aprofundando a desigualdade social e econômica.

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Nostalgia

Para alguns moradores de Havana, a crise econômica e a incerteza política provocaram uma profunda nostalgia pela liderança de Fidel. “Em um momento de crise como este, ele talvez tivesse outras soluções que hoje simplesmente não temos”, disse Benito Cisneros, 62.

Fidel nasceu na província de Holguín, no leste do país, em 13 de agosto de 1926. Líder da Revolução Cubana de 1959, tornou-se uma das figuras mais influentes da esquerda internacional.

Uma década após sua morte, seu legado continua sendo fundamental para a narrativa nacional de Cuba.

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Mas Fabio Fernández, professor de história da Universidade de Havana, disse que muitos dos atuais responsáveis pela gestão do país não seguiram o exemplo de seu antecessor.

“Invocá-lo é uma tentativa de manter o consenso”, disse Fernández. “Mas quando se conversa com as pessoas nas ruas, algo muito evidente surge: muitos acreditam que, se Fidel ainda estivesse conduzindo o destino do país, Cuba seria um país diferente.”