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A queda de quase 8% nas ações da Smart Fit (SMFT3) após a divulgação do último balanço trimestral deixou um gosto amargo, mas, na visão da companhia, o mercado pode estar olhando para o lado errado da lente. Enquanto investidores reagiram com preocupação à velocidade da deterioração do resultado das academias no Brasil, a gestão da empresa aponta para um cenário consolidado de recordes operacionais que, segundo eles, prova a resiliência da estratégia de longo prazo.
Para Diogo Corona, CEO da empresa, o principal desafio da Smart Fit hoje é uma questão de percepção: o mercado ainda precifica a companhia como uma empresa 100% brasileira, ignorando que mais da metade do seu resultado já vem de operações internacionais.
“O mercado ainda vê a Smart Fit como uma empresa 100% brasileira, o que não é uma verdade. Mais de 50% do resultado já vem de fora, e essa proporção tem aumentado,” afirma Diogo. “Nossos custos de capital são menores que o CDI, porque captamos em outros países. Mas somos precificados como brasileiros; qualquer evento que acontece no Brasil, nossa ação cai como qualquer outra.”
O ponto de atrito no trimestre foi o desempenho das academias no Brasil, que ficou aquém do esperado. No entanto, a companhia argumenta que esse resultado foi compensado pela diversificação de negócios, especialmente pelo Total Pass. Longe de ser um canibalizador do negócio principal, o agregador funciona hoje como um hedge natural.
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“Temos um hedge natural, que é o agregador. E controlamos a relação com esse intermediador,” explica Diogo. “Se o resultado das academias piorou, o Total Pass foi melhor. É uma estratégia de diversificação de geografias e de business units.”
Para Diogo, essa mudança no modelo de negócio deixa a empresa mais difícil de ser analisada e entendida pelos investidores. “Um negócio de academias tem maior recorrência porque é baseado em mensalidades. Com o agregador, a sazonalidade pesa mais. O mercado tem dificuldade de entender essa mudança”, diz.
Ecossistema
A tese da Smart Fit é que o ecossistema — composto por academias, o agregador Total Pass e os estúdios boutique da Bion — está funcionando exatamente como planejado. A empresa reportou um crescimento de 22% na receita líquida e um EBITDA que cresceu 24%, atingindo uma margem recorde de 32,7%.
“Isso prova que o ecossistema está funcionando. Nossa tese do mercado se provou vencedora e válida, porque conseguimos trazer resultado das outras estratégias,” diz Diogo. “Se não tivéssemos feito isso, o grupo teria piorado. Ele não piorou pela estratégia do ecossistema, que foi lá fora e nas outras unidades de negócio no Brasil.”
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Sobre a expansão, a companhia mantém o pé no acelerador, mas com uma lupa mais fina sobre o retorno marginal de cada nova unidade. Hoje, a empresa tem presença em 16 países, em diferentes estágios de maturação. Enquanto mercados como Peru, Costa Rica e Panamá mostram sinais de saturação, a empresa acelera em países como a Argentina e mantém o foco na construção de marca e comunidade nos estúdios Bion.
Segundo o CEO, a Smart Fit deixou de ser apenas uma rede de academias para se tornar uma plataforma multinacional de bem-estar. “Tivemos duas grandes decisões estratégicas: internacionalização e Total Pass. Fizemos apostas a longo prazo. Agora, estamos preparados para ser o grande vencedor do setor”, diz. Para o CEO, o desafio é convencer o mercado de que essa complexidade não é um risco, mas uma fortaleza da companhia.
