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A Smart Fit (SMFT3) apresentou um conjunto de resultados sólidos no segundo trimestre de 2026 (2T26), com crescimento de receita, expansão de margens e forte desempenho operacional, especialmente no Brasil e nos demais países da América Latina. Embora as despesas financeiras mais elevadas tenham limitado o avanço do lucro líquido, analistas enxergaram o balanço como uma demonstração da capacidade da companhia de continuar expandindo sua rede sem comprometer a rentabilidade.
Contudo, as ações se destacavam como a maior baixa do Ibovespa na sessão desta quinta-feira (6): às 10h29 (horário de Brasília), a queda era de 5,82%, a R$ 18,78.
O Morgan Stanley avaliou que, apesar do crescimento robusto das receitas e da expansão das margens operacionais, a Smart Fit apresentou pontos de atenção abaixo da linha do Ebitda, incluindo uma receita da divisão “Outros” ligeiramente abaixo do esperado e um lucro líquido pressionado por despesas financeiras mais elevadas. O banco também destacou uma geração de caixa mais fraca do que o previsto, refletindo maior consumo de capital de giro, aumento dos investimentos e elevação da dívida líquida para R$ 4,6 bilhões ao fim do trimestre.
Na mesma linha, de acordo com o analista João Pedro Soares, do Citi, o resultado da SmartFit no segundo trimestre foi misto, com uma receita mais fraca do que o esperado e lucro aquém das estimativas, mas uma margem bruta caixa mais forte e um controle mais rígido das despesas operacionais.
“Continuamos construtivos em relação à trajetória de crescimento da SmartFit, que permanece sólida e, em grande parte, intacta, embora tenha ficado ligeiramente abaixo de nossas expectativas neste trimestre”, afirmou Soares em relatório a clientes.
Ele destacou que as margens foram o principal destaque positivo, com uma margem bruta mais forte e um controle de custos que permitiram que o Ebitda ficasse ligeiramente acima do consenso, apesar da receita abaixo do esperado. A margem bruta caixa aumentou de 50,9% para 51,9%.
“Dito isso, não podemos descartar uma reação negativa do mercado no curto prazo, dado o lucro abaixo das expectativas e a elevada concentração de investidores no papel da SmartFit.”
A receita líquida consolidada atingiu R$ 2,18 bilhões entre abril e junho, alta de 22% na comparação anual, impulsionada pela abertura de novas academias, aumento da base de clientes e crescimento do tíquete médio. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) ajustado pré-IFRS 16 somou R$ 712 milhões, avanço de 24%, enquanto a margem Ebitda subiu para 32,7%, ante 32,1% um ano antes. Já o lucro líquido recorrente alcançou R$ 204 milhões, alta de 8% na comparação anual.
Para a XP, o principal destaque do trimestre foi justamente a rentabilidade. A corretora classificou o resultado como uma “forte surpresa positiva”, afirmando que as margens vieram acima das expectativas mesmo em um período sazonalmente mais fraco para o setor de academias. Segundo o relatório, a maior contribuição do TotalPass para o lucro bruto compensou tanto a pressão nos negócios tradicionais quanto o aumento das despesas corporativas.
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TotalPass assume papel cada vez mais relevante
O principal vetor de crescimento da Smart Fit continua sendo o TotalPass. O segmento “Outros”, que reúne a plataforma corporativa, franquias e negócios digitais, respondeu por 11% da receita consolidada no trimestre, ante 8% há um ano, e já representa 17% do lucro bruto da companhia.
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Ao final de junho, a plataforma contabilizava 2,2 milhões de usuários no Brasil e no México, crescimento de 70% em relação ao mesmo período de 2025. A participação de mercado medida por usuários ativos mensais (MAU) atingiu 35% no Brasil, oito pontos percentuais acima do registrado um ano antes, enquanto permaneceu em 79% no México.
O Morgan Stanley destacou que o TotalPass está deixando de ser apenas uma ferramenta de aquisição de clientes para se tornar uma fonte relevante de lucro. O segmento apresentou margem bruta de 84,7% e lucro bruto de R$ 195 milhões, crescimento de 79% na comparação anual. Na avaliação do banco, a evolução da operação pode justificar múltiplos mais elevados para a ação ao longo do tempo.
A XP também ressaltou que os investidores não devem analisar apenas a receita gerada dentro das academias para avaliar os impactos da plataforma. Segundo a corretora, a monetização vinda das empresas contratantes e dos usuários do TotalPass precisa ser considerada para entender adequadamente a contribuição econômica do negócio.
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Por outro lado, embora o TotalPass continue crescendo rapidamente, a receita da divisão “Outros” ficou abaixo das projeções do banco, avalia o Morgan. O segmento faturou R$ 230 milhões, crescimento de 47% na comparação anual, mas cerca de 18% abaixo da estimativa do banco. Isso acabou limitando um desempenho ainda melhor da receita consolidada e do Ebitda.
Segundo o banco, o trimestre mostrou um bom desempenho operacional, mas o crescimento menor que o esperado nessa divisão foi um dos fatores que impediram um “beat” mais robusto.
O principal ponto negativo destacado pelo Morgan Stanley foi a linha abaixo do Ebitda. O lucro líquido reportado ficou em R$ 156 milhões, 30% abaixo da estimativa do banco. Mesmo o lucro recorrente, de R$ 204 milhões, ficou aquém das projeções devido ao aumento das despesas financeiras e dos impostos. A instituição classificou o trimestre como “good quarter, messy below the EBITDA line” (“bom trimestre, mas bagunçado abaixo da linha do Ebitda”), justamente porque os problemas vieram das despesas financeiras e da conversão do resultado operacional em lucro.
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Outro aspecto bastante enfatizado foi a conversão de caixa. O fluxo de caixa operacional somou R$ 530 milhões, abaixo da expectativa de R$ 694 milhões do Morgan Stanley. O consumo mais elevado de capital de giro e maiores pagamentos de impostos pressionaram a geração de caixa.
Brasil surpreende positivamente nas margens
Apesar das discussões sobre aumento da concorrência no mercado brasileiro, os números do trimestre ajudaram a reduzir parte dessas preocupações.
A receita da operação brasileira cresceu 17%, para R$ 695 milhões, sustentada por reajustes de preços, maior penetração do plano Black e aumento da utilização do TotalPass. O tíquete médio avançou 17% na comparação anual.
Embora a receita líquida por academia tenha recuado 5% em relação ao mesmo trimestre do ano passado, a rentabilidade permaneceu resiliente. A XP destacou que o Brasil entregou margens acima das estimativas, beneficiadas pela maior contribuição do TotalPass, enquanto o JPMorgan apontou expansão de dois pontos percentuais na margem Ebitda da operação brasileira, para 43,6%.
Outro dado observado de perto pelo mercado foi o desempenho das academias maduras. Segundo a companhia, essas unidades mantiveram margem próxima de 51%, praticamente estável e considerada bastante saudável para o setor.
Se o Brasil apresentou resultados sólidos, a operação em outros países latino-americanos foi o maior destaque positivo do trimestre.
A receita da região avançou 22%, para R$ 737 milhões, tornando-se pela primeira vez a maior operação da Smart Fit em faturamento entre os negócios próprios, superando o Brasil. O crescimento foi impulsionado pela maturação das academias abertas nos últimos dois anos, aumento da base de clientes e reajustes de preços.
O JPMorgan destacou que o Ebitda da região cresceu cerca de 30%, enquanto a margem avançou 3,2 pontos percentuais, alcançando 50,8%. A XP também classificou a região como a principal surpresa positiva do trimestre.
Enquanto isso, o México seguiu em trajetória de crescimento, mas se manteve como a geografia mais pressionada da companhia.
A receita cresceu 16% na comparação anual, para R$ 448 milhões, apoiada pelo aumento de 13% da base de clientes e elevação de 7% no tíquete médio. Entretanto, a margem bruta recuou cerca de quatro pontos percentuais, afetada pelo aumento dos custos trabalhistas, ocupação e serviços de terceiros.
Para XP e JPMorgan, a operação mexicana continua sofrendo efeitos da forte expansão recente, uma vez que boa parte das novas academias inauguradas ainda está em fase inicial de maturação.
A companhia também demonstrou confiança na continuidade de seu plano de expansão.
No primeiro semestre, foram inauguradas 98 academias, enquanto outras 134 estavam em construção ao final do trimestre. Ao todo, a Smart Fit encerrou junho com 232 unidades no pipeline, aproximando-se do guidance de 330 a 350 aberturas em 2026. Além disso, já possui cerca de 200 contratos assinados para inaugurações previstas para 2026 e 2027.
A rede chegou a 2.126 unidades no fim do trimestre, entre operações próprias e franquias, um aumento de 343 academias em relação ao mesmo período do ano anterior.
Outro destaque foi a BeOn, braço de estúdios da companhia, que encerrou o trimestre com 311 salas e 192 unidades, sendo 89% delas operadas por franqueados. A Smart Fit também concluiu no início de agosto a aquisição de 60% da Evolve, reforçando sua estratégia de diversificação.
Mercado vê fundamentos preservados
Apesar do lucro líquido abaixo das expectativas de alguns bancos devido ao aumento das despesas financeiras e da geração de caixa mais fraca no trimestre, a leitura predominante foi positiva. Goldman Sachs classificou os resultados operacionais como amplamente em linha com o esperado, enquanto JPMorgan destacou a solidez do desempenho operacional e a expansão das margens. Já a Morgan Stanley avaliou que a companhia continua demonstrando crescimento robusto e diversificação crescente das fontes de receita.
Na visão da XP, os números do segundo trimestre reforçam que a companhia segue conseguindo combinar expansão acelerada, crescimento de receita e aumento de rentabilidade, reduzindo as preocupações recentes do mercado sobre competição e pressão nas margens do negócio brasileiro.
(com Reuters)
