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Um ano após cobrança de IOF, previdência privada perde R$ 4,6 bilhões em aportes

Tributação sobre os planos do tipo VGBL continua reduzindo contribuições, mas patrimônio do setor cresce para R$ 1,9 trilhão

Jamille Niero

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A arrecadação da previdência privada aberta continua sentindo os efeitos da cobrança de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) sobre aportes nos planos do tipo VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre).

Nos seis primeiros meses de 2026, os investidores aplicaram R$ 77,4 bilhões em planos de previdência, uma queda de 5,6% — ou R$ 4,6 bilhões — em relação ao mesmo período do ano passado, segundo levantamento da Fenaprevi (Federação Nacional de Previdência Privada e Vida), que representa as empresas que operam no setor, divulgado nesta terça (04).

Apesar da desaceleração nas entradas de recursos, os resgates também diminuíram. Entre janeiro e junho, os investidores retiraram R$ 71 bilhões dos planos, uma queda de 5,9% na comparação anual. Com isso, a captação líquida — diferença entre aportes e resgates — ficou em R$ 6,4 bilhões, recuo de 1,8%.

Mesmo com a menor captação, o patrimônio administrado pela previdência privada aberta continuou crescendo. Os ativos somaram R$ 1,9 trilhão em junho, alta de 13,1% em relação ao mesmo mês de 2025, equivalente a cerca de 14% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

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Efeitos do IOF

Para Edson Franco, presidente da Fenaprevi, o impacto do IOF é maior do que os números do semestre sugerem porque interrompeu uma trajetória de expansão das aplicações em previdência privada.

“A queda na captação bruta é muito maior quando consideramos a trajetória de crescimento que o setor vinha registrando antes da tributação. O ‘gap’ estimado chega a R$ 130 bilhões, considerando R$ 50 bilhões que deixaram de ser aportados no ano anterior e outros R$ 80 bilhões projetados para 2026”, diz em nota divulgada pela entidade.

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Segundo o executivo, parte desses recursos migrou para o consumo e para outras aplicações financeiras, especialmente investimentos isentos da cobrança do imposto. Na avaliação dele, o movimento vai na direção oposta ao incentivo à poupança de longo prazo.

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Vale lembrar que a cobrança do IOF passou a incidir sobre os aportes superiores a R$ 300 mil por seguradora nos planos VGBL em junho de 2025 e desde então vem provocando forte retração nas contribuições. Neste ano, a cobrança do imposto é exigida para aportes em VGBL que ultrapassem R$ 600 mil somando aplicações em todas as seguradoras.

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VGBL segue liderando o mercado

Mesmo após a tributação, o VGBL permanece como a principal modalidade de previdência privada aberta. Em junho, havia 13,7 milhões de planos ativos no país, dos quais 8,6 milhões (63,1%) eram dessa modalidade. Os planos (PGBL Plano Gerador de Benefício Livre) somavam 3,2 milhões de contratos (23,2%), enquanto os produtos tradicionais respondiam pelos 13,7% restantes.

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Ao todo, cerca de 11,2 milhões de brasileiros mantinham planos de previdência privada aberta, sendo aproximadamente 80% em contratos individuais.

Em valores aportados, o VGBL recebeu R$ 69,6 bilhões no primeiro semestre, queda de 7,2% frente ao mesmo período de 2025. Os planos PGBL concentraram 8,3% (ou R$ 6,4 bilhões) em contribuições, enquanto os planos tradicionais responderam por 1,8% da captação total.

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Jamille Niero

Jornalista especializada no mercado de seguros, previdência complementar, capitalização e saúde suplementar, com passagem por mídia segmentada e comunicação corporativa