Resistência dos partidos deixa Flávio e Zema sem vice na reta final das convenções

Flávio Bolsonaro e Romeu Zema negociam os últimos espaços de composição, enquanto Lula, Ronaldo Caiado e Renan Santos já oficializaram seus companheiros de chapa

Marina Verenicz

Publicidade

A três dias do fim do prazo para as convenções partidárias, Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo) seguem sem definir quem ocupará a vice em suas chapas, enquanto os demais candidatos já encerraram essa etapa da montagem eleitoral.

As convenções precisam ser concluídas até 5 de agosto e os registros das candidaturas deverão ser apresentados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até 15 de agosto. Depois disso, começa oficialmente a campanha nas ruas e na internet.

Embora a escolha do vice costume receber menos atenção do que a cabeça de chapa, ela costuma cumprir funções estratégicas. Além de ampliar o diálogo com segmentos específicos do eleitorado, uma composição pode fortalecer alianças partidárias, aumentar o tempo de propaganda eleitoral e ampliar a estrutura política da campanha nos estados.

Resistência de Flávio

Entre os candidatos que ainda negociam a vice, Flávio Bolsonaro é quem busca uma composição mais ampla. A prioridade do PL passou a ser uma mulher, em uma tentativa de reduzir a desvantagem do candidato junto ao eleitorado feminino.

Pesquisa Datafolha divulgada na semana passada mostrou que, em um eventual segundo turno, Lula registra 50% das intenções de voto entre as mulheres, contra 40% de Flávio.

A principal tentativa envolveu a senadora Tereza Cristina (PP-MS). A ex-ministra da Agricultura aceitou o convite para integrar a chapa, mas a direção nacional do Progressistas decidiu manter neutralidade na disputa presidencial, inviabilizando a composição.

Outros nomes continuam sendo discutidos nos bastidores, como Daniella Marques, ex-presidente da Caixa, filiada ao Republicanos, e a deputada federal Renata Abreu (Podemos-SP).

As duas alternativas, porém, enfrentam um obstáculo semelhante: Republicanos e Podemos também caminham para uma posição de neutralidade na eleição nacional, preservando acordos firmados nos estados.

Sem conseguir atrair uma legenda para a coligação, cresce dentro do PL a possibilidade de uma chapa formada apenas por integrantes do partido.

Continua depois da publicidade

Zema também esbarra nas alianças

O Novo vive situação semelhante. O partido buscou conversas com nomes de fora da legenda para ampliar seu alcance político, mas as negociações não avançaram.

O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa chegou a ser elogiado por Zema, mas nunca houve acordo. Também foi cogitada uma composição com o empresário Geraldo Rufino, ligado ao Podemos, que acabou optando por disputar uma vaga no Senado por São Paulo.

Sem alternativas viáveis, dirigentes do Novo já trabalham com a possibilidade de lançar uma chapa “puro-sangue”, repetindo a estratégia adotada por outras siglas menores.

Continua depois da publicidade

Lula mantém fórmula de 2022

Entre os candidatos que já encerraram as negociações, Lula foi o único que optou por repetir integralmente a chapa da eleição passada. O presidente terá novamente Geraldo Alckmin (PSB) como vice.

A parceria, construída em 2022 para ampliar o diálogo com setores de centro e do empresariado, foi mantida após quase quatro anos de governo.

Além da vice-presidência, Alckmin comandou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e participou das negociações conduzidas pelo governo brasileiro durante a crise comercial provocada pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos.

Continua depois da publicidade

Força do PSD

Ronaldo Caiado (PSD) também encerrou cedo a definição da chapa. O governador de Goiás escolheu o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, como vice, em uma decisão que fortalece o envolvimento da legenda na campanha presidencial e reforça o discurso de uma alternativa à polarização entre PT e PL.

A avaliação do partido é que a composição facilita a construção de palanques estaduais e pode atrair candidatos ao Congresso interessados em manter distância da disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro.

Discurso antissistema

Renan Santos, do Missão, precisará encarar uma disputa sem alianças. O candidato terá como vice Aroldo Medina, militar da reserva que acumula passagens por diferentes partidos e disputas eleitorais no Rio Grande do Sul.

Continua depois da publicidade

A composição acompanha a estratégia da legenda de se apresentar como uma alternativa antissistema, sem coligações com outras siglas.