Suzano, Klabin, Irani: como serão os balanços do 2T para o setor de papel e celulose?

Real valorizado pode exercer pressão sobre os resultados

Erick Souza

Ativos mencionados na matéria

A Suzano não conseguiu adquirir a International Paper, sediada nos EUA, no ano passado. Fotógrafo: Paul Taggart/Bloomberg
A Suzano não conseguiu adquirir a International Paper, sediada nos EUA, no ano passado. Fotógrafo: Paul Taggart/Bloomberg

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A alta nos preços de celulose e a valorização do real devem ser os principais fatores sobre os resultados das empresas do setor de papel e celulose.

Por um lado, os analistas esperam que a alta nos valores da celulose impulsione, em algum grau, o desempenho das companhias.

Por outro, a valorização do real pode acabar puxando para baixo e compensando os ganhos.

Para o Banco Safra, Suzano (SUZB3), Klabin (KLBN11) e Dexco (DXCO3) devem reportar resultados superiores aos do trimestre anterior. Mesmo com a espera de melhora, a expectativa está abaixo do consenso do mercado.

Para a Suzano, o banco projeta uma alta de 3% no lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês), de R$ 4,7 bilhões. Segundo os analistas, a melhora deve vir do negócio de celulose, com preços médios alcançando US$ 600 por tonelada.

Já a Klabin deve subir 16% no Ebitda entre um trimestre e outro, puxada pelo mesmo motivo: preço da celulose. Além disso, os resultados também devem refletir a recuperação de volumes de embalagens e cartão revestido.

De acordo com as estimativas do Itaú BBA, a Irani (RANI3) deve reportar um aumento de 14% no Ebitda, atingindo R$ 130 milhões.

Mesmo com base de comparação mais fraca após paradas para manutenção no trimestre. A dinâmica do papelão ondulado segue resiliente, com expectativa de queda de 5% nos custos de caixa por tonelada.

Segundo o Safra, mesmo com as boas perspectivas, o setor ainda está distante de uma temporada positiva. A inflação de custos, com diesel, frete, energia e produtos químicos, continua pressionando as margens e a manutenção industrial e volatilidade do cambial também devem se refletir nos balanços.

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Real valorizado

Para a XP Investimentos, com o real mais forte, é possível que o desempenho das companhias seja um destaque negativo. A estimativa da casa é de queda de 7,9% na receita do setor e um recuo de 19,5% no lucro operacional. O lucro líquido, por sua vez, deve cair ainda mais, com uma previsão de -95,2% para o setor.

Apesar dos preços de celulose mais altos no comparativo trimestral, os analistas da XP explicam que com a valorização do real, as paradas de manutenção e os maiores custos de insumos, os resultados devem ficar pressionados.

De acordo com as expectativas, a Suzano deverá apresentar resultados praticamente estáveis de um trimestre para o outro. Os preços melhores de celulose e volumes ligeiramente maiores compensando as pressões de câmbio e custos.

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Ao mesmo tempo, a Klabin deve registrar melhora sequencial, apoiada por preços mais altos da celulose e pela resiliência das operações de papel e embalagens.