Guterres faz 1ª visita de um secretário-geral da ONU a Damasco em 17 anos

O presidente sírio, Ahmed al-Sharaa, recebeu Guterres no palácio presidencial em Damasco, informou a agência de notícias estatal SANA, sem fornecer mais detalhes

Reuters

António Guterres na sede da ONU em Nova York
 29/1/2026    REUTERS/Eduardo Munoz
António Guterres na sede da ONU em Nova York 29/1/2026 REUTERS/Eduardo Munoz

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DAMASCO, 25 Jul (Reuters) – O secretário-geral da ⁠ONU, António Guterres, prometeu neste sábado ajuda para a reconstrução da Síria, durante ⁠a primeira visita a Damasco de um chefe em exercício da Organização das Nações Unidas desde 2009, antes do ‌início da guerra civil que matou centenas de milhares de pessoas e deslocou milhões.

O presidente sírio, Ahmed al-Sharaa, recebeu Guterres no palácio presidencial em Damasco, informou a agência de notícias estatal SANA, sem fornecer mais detalhes.

“Nenhum país sai de um ‌conflito muito grave e se reconstrói sozinho”, disse Guterres após as conversas com Sharaa, a jornalistas em conjunto com o ministro das Relações Exteriores, Asaad al-Shaibani.

“Devemos ajudar a Síria em sua determinação e resolução para fazer isso”, acrescentou Guterres.

Shaibani reiterou o pedido da Síria por mais apoio da comunidade internacional, especialmente da União Europeia. Ele disse que as conversas de Guterres com Sharaa — das quais Shaibani também participou — se concentraram no aumento do apoio da ONU à reconstrução e em um plano do governo para ⁠fechar os ‌campos de deslocados.

Sharaa, ex-líder da filial da Al-Qaeda na Síria, esteve, até novembro de 2025, sujeito a sanções relacionadas ao ⁠terrorismo impostas pelo Conselho de Segurança da ONU.

VISITA É MARCO

A visita de Guterres é mais um marco para a Síria desde que os rebeldes derrubaram o presidente Bashar al-Assad no final de 2024, encerrando a guerra que começou em 2011 e dando início a um período de transição conduzido por uma liderança de orientação islâmica.

Na época, Guterres descreveu “o fim da ditadura síria” sob Assad como um sinal de esperança para a região.

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Em uma publicação na rede social ​X neste sábado, a respeito do que descreveu como uma “visita de solidariedade”, Guterres afirmou: “As Nações Unidas estão ao lado da Síria neste momento decisivo.”

Guterres também se reunirá com outras autoridades governamentais e representantes da sociedade civil síria e deve ​discursar no Parlamento do país na segunda-feira, informou o porta-voz da ONU, Stephane Dujarric, no início desta semana.

Ele ressaltará que o país tem a oportunidade “não apenas de se recuperar do conflito, mas também de estabelecer as bases para um futuro para a Síria que seja mais estável, mais inclusivo e mais próspero para todos os sírios”, disse Dujarric.

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PALCO MUNDIAL

Guterres deve permanecer em Damasco por vários dias, mas a programação completa de sua visita ainda não foi divulgada por seu gabinete.

Ele está visitando ‌o país poucas semanas depois que duas bombas explodiram perto de um hotel em ​Damasco onde o presidente francês, Emmanuel Macron, passou a noite, ofuscando a primeira visita à Síria de um chefe de Estado da União Europeia desde que Assad foi derrubado.

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O governo de Sharaa busca reconstruir os laços internacionais e a economia da Síria após quase 14 anos de guerra e ⁠décadas de isolamento sob o regime da família Assad.

A ​transição foi marcada por dois ​grandes episódios de violência sectária que colocaram à prova as repetidas promessas de Sharaa de proteger as minorias religiosas da Síria.

Quase 1.500 alauítas — a seita da qual ⁠Assad faz parte — foram mortos na região costeira da Síria no ​ano passado por facções alinhadas ao governo, e centenas de sírios da minoria drusa foram mortos meses depois no sul do país.

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Guterres expressou preocupação com ambos os episódios de violência e pediu que os responsáveis prestem contas.

Sharaa, que rompeu laços com a Al-Qaeda em 2016, liderou ​uma aliança de facções rebeldes islâmicas que derrubou Assad em uma ofensiva relâmpago em dezembro de 2024.

Desde que assumiu o poder, seu governo tem buscado restabelecer as relações diplomáticas da Síria para ir além dos ​aliados de longa data de Assad, a ⁠Rússia e o Irã.

No ano passado, Sharaa tornou-se o primeiro presidente sírio desde 1967 a participar da Assembleia Geral da ONU em Nova York.

Os Estados Unidos suspenderam ⁠a maioria das sanções contra a Síria, e o presidente norte-americano Donald Trump informou a Sharaa no início deste mês que pretendia retirar a Síria da lista de países patrocinadores do terrorismo elaborada por Washington.

Espera-se também que Guterres, durante a viagem, visite uma força de paz da ONU que mantém uma zona tampão entre as forças israelenses e sírias há décadas, disse Dujarric.

Tropas israelenses ocuparam novas áreas no sul da Síria após a destituição de Assad. Damasco exigiu que elas se retirassem e voltassem ao acordo de retirada de ​1974.