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A visita do presidente da Argentina, Javier Milei, ao Brasil para participar da convenção partidária do PL, que vai confirmar a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República, é a primeira parada de uma turne latino-americana do líder argentino. Nas próximas semanas, ele deve ir ainda ao Peru e Colômbia para as posses dos presidentes eleitos Keiko Fujimori e Abelardo de Espriella, além de se encontrar com o presidente do Equador, Daniel Noboa.
Além da convenção do PL, Milei deve se encontrar com outra liderança da direita brasileira, o governador de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos). Ele também pretendia visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar, mas o encontro foi vetado por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

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A posse de Fujimori acontece na próxima terça-feira, enquanto a de Espriella está marcada para 7 de agosto. Os dois são os nomes mais recentes da direita a chegar ao poder na região, em um processo que tem sido chamado de “onda azul”. O bom trânsito de Milei trânsito com os aliados ideológicos contrasta com a distância mantida do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ambos ainda não se encontraram este ano.
A ida de Milei à convenção do PL é usada como um trunfo político de Flávio Bolsonaro, que tenta se associar à “onda azul” em um momento difícil da campanha, após uma sucessão de crises e escândalos, como os embates com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e as revelações envolvendo o financiamento filme Dark Horse.
Na noite desta sexta-feira, o pré-candidato publicou um vídeo feito com Inteligência Artificial para reforçar o vínculo com o aliado argentino. Feita no Instagram, a publicação mostra a dupla chegando em caças no evento deste sábado.
No momento, o Brasil é uma exceção regional, único grande país da América do Sul ainda governado por um nome da “onda rosa”, como se chamou a leva de líderes de esquerda que ascenderam ao poder no início do século.
Em 2022, quando Lula ganhou o terceiro mandato, o cenário era o inverso, com presidentes à esquerda na Argentina, Colômbia, Bolívia, Chile, Guiana, Peru e Venezuela. Em 2006, quando o petista disputou a reeleição pela primeira vez, o cenário regional também era mais favorável, com vizinhos governados por nomes como Néstor Kirchner, Evo Morales e Michelle Bachelet. Em 2002, na primeira eleição à presidência, a “onda rosa” estava em seu início.
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Na imprensa argentina, a viagem de Milei tem sido retratada como um esforço para se consolidar como uma liderança regional. “Milei desafia Lula mais uma vez e visita três presidentes sul-americanos para consolidar sua “liderança” na região”, publicou no último domingo o jornal La Nacion ao descrever a visita do presidente argentino à convenção do PL. Em entrevista ao site argentino Infobae, uma fonte do governo argentino afirmou nesta quinta-feira que “o presidente poderia se tornar o líder do processo na América Latina”.
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Assim como tenta fazer Flávio Bolsonaro no momento, Fujimori e Espriella também prometeram endurecer o combate ao crime organizado ao longo de suas campanhas. Na avaliação de especialistas, o tema é um dos principais vetores de integração entre a direita latino-americana. São comuns as referências ao presidente de El Salvador, Nayib Bukele, e a sua estratégia linha-dura contra o crime, com mega-presídios e medidas repressivas acusadas de violar direitos humanos.
— Vários pilares os unem. Um é a segurança. Sobretudo nos países de língua espanhola, a grande referência é o Bukele, cujo modelo, apesar de todas as críticas, se revelou um chamariz eleitoral poderoso. Isso também influencia grupos aqui no Brasil, apesar do nome dele não ter se popularizado junto ao eleitor médio — diz o professor de Relações Internacionais Maurício Santoro, que acrescenta — Outros pilares são o alinhamento com Trump e a política pró-mercado, orientada pelo Milei.