Brasília já vê Lula como favorito, mas ainda não descartou Flávio, diz analista

Segundo analista da XP, pesquisas esfriaram o entusiasmo com a candidatura de Flávio, mas partidos ainda apostam que ele chegará ao segundo turno

Marina Verenicz

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Se no início do ano havia uma expectativa de que Flávio Bolsonaro liderasse com folga a reorganização da direita e consolidasse rapidamente alianças para a disputa presidencial, hoje o ambiente político passou a enxergar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como favorito à reeleição. Ainda assim, a candidatura do senador está longe de ser considerada inviável.

A avaliação é da analista de política da XP, Bárbara Baião, durante o “Mapa de Risco”, programa de política do InfoMoney, gravado na Expert XP 2026 na última quinta-feira (23). Segundo ela, o mundo político acompanha de perto as pesquisas de opinião e ajusta suas estratégias conforme muda a percepção sobre quem tem mais chances de chegar ao Palácio do Planalto.

“O mundo político em Brasília é sensível às pesquisas. À medida que a perspectiva de poder hoje está mais colocada no Palácio do Planalto, numa manutenção do incumbente, o mundo político fica um pouco mais refratário”, afirmou.

Esse movimento pode ajudar a explicar a dificuldade enfrentada por Flávio Bolsonaro para ampliar sua coalizão. Quando sua pré-candidatura foi lançada, havia expectativa de que a Federação União Progressista — União Brasil e PP — pudesse integrar a chapa, inclusive indicando o candidato a vice. O cenário, no entanto, mudou após a sequência de desgastes enfrentados pelo senador desde maio.

O plano inicial da campanha era recuperar rapidamente o desgaste provocado pelo caso Banco Master. A expectativa era que a diferença para Lula se estabilizasse em torno de cinco pontos percentuais e começasse a diminuir. O que ocorreu foi o oposto.

“De maio para cá foi uma sequência de fatos negativos: a tarifa dos Estados Unidos, novos desdobramentos envolvendo o Banco Master, a briga com Michelle Bolsonaro. A campanha não tem conseguido reverter esse ciclo”, afirmou.

Apesar disso, Bárbara afirma que Brasília ainda não descartou a candidatura de Flávio. O motivo é que nenhum outro nome da direita conseguiu ocupar o espaço deixado pelo senador.

“Esses partidos que gostariam de derrotar o Planalto não desistiram. Quando a gente olha as pesquisas, esse eleitor está descontente com o Flávio, mas não vê um Caiado, uma terceira via ou mesmo o Renan Santos crescerem a ponto de ameaçar a hegemonia da direita para um eventual segundo turno”, afirmou.

Na leitura da analista, essa é a principal razão para que legendas de centro e de direita mantenham uma postura de cautela. Em vez de romper com o PL, preferem aguardar o início oficial da campanha e acompanhar se Flávio conseguirá interromper a sequência de notícias negativas.

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A estratégia também está ligada à percepção de que a disputa presidencial continua fortemente polarizada. Mesmo em um cenário de desgaste, o senador permanece como o nome mais competitivo do campo conservador.

“Existe muito essa lógica de esperar que o Flávio chegue ao segundo turno e, a partir daí, reiniciar um novo ciclo de campanha, com a disputa concentrada entre governo e oposição”, afirmou Bárbara.

O “Mapa de Risco”, programa de política do InfoMoney, vai ao ar todas as sextas-feiras, a partir das 6h da manhã, no YouTube e no seu tocador de podcast preferido.

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