Participação de Michelle na campanha de Flávio depende de trégua com irmãos Bolsonaro

Ex-primeira-dama pretende conversar com o enteado para alinhar detalhes

Agência O Globo

Flávio Bolsonaro e Michelle. Foto: Reprodução/
Flávio Bolsonaro e Michelle. Foto: Reprodução/

Publicidade

O pedido público de desculpas feito pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a Michelle Bolsonaro foi o primeiro passo para o embarque da ex-primeira-dama na campanha presidencial do enteado. Aliados de Michelle afirmam que a pacificação entrou em uma nova fase e dependerá, a partir de agora, de conversas reservadas entre ambos, de ajustes práticos para sua volta à campanha e também da colaboração dos demais integrantes da família Bolsonaro, especialmente dos irmãos Carlos e Eduardo. Ao menos até esta sexta-feira, os dois ainda não tinham conversado reservadamente.

Interlocutores da ex-primeira-dama afirmam que a reaproximação será gradual. A avaliação é que não faria sentido transformar os vídeos em uma demonstração imediata de normalidade. Segundo aliados, foi um “bom começo”, mas ainda há etapas pendentes.

De acordo com pessoas próximas a Michelle, o próprio vídeo divulgado por ela deixa claro qual será a próxima etapa. Ao aceitar o pedido de desculpas, a ex-primeira-dama afirmou que os dois ainda irão “sentar, conversar e ajustar detalhes”. Para interlocutores, essa conversa deve ocorrer após a convenção nacional do PL, marcada para este sábado, em São Paulo, e será decisiva para definir como se dará sua participação na campanha.

Entre os pontos que ainda precisam ser resolvidos estão questões familiares e de logística. Michelle acompanha diariamente a rotina do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar em Brasília, e aliados afirmam que será necessário organizar quem ficará responsável pelos cuidados com o ex-presidente durante os períodos em que ela estiver viajando para participar de agendas eleitorais.

Outro aspecto considerado essencial é o comportamento do restante da família Bolsonaro. Interlocutores de Michelle afirmam que a reaproximação dificilmente prosperará caso novos ataques públicos partam de Carlos ou Eduardo Bolsonaro ou de pessoas próximas aos dois. A avaliação é que o gesto de Flávio perderia força caso o ambiente voltasse a ser alimentado por críticas internas.

Aliados também demonstram preocupação com o grupo mais radical de apoiadores nas redes sociais, que, segundo eles, tenta manter viva a crise. Um interlocutor descreveu esse núcleo como um “pelotão de chihuahuas raivosos”, cuja atuação pode dificultar a reconstrução da relação entre madrasta e enteado.

Apesar da cautela, pessoas próximas à ex-primeira-dama avaliam que o movimento iniciado por Flávio representou um avanço importante. Segundo interlocutores, Michelle recebeu positivamente o vídeo e considerou significativo o pedido público de desculpas, sobretudo “tratando-se de um homem orgulhoso”. A leitura é que o senador atendeu à principal condição estabelecida por ela para iniciar uma reaproximação.

Na quinta-feira, Flávio divulgou um vídeo em que pediu desculpas pelos “momentos que causaram desconforto”, afirmou que Michelle “precisa ser reconhecida e respeitada” e fez um apelo para que ela participasse de sua campanha presidencial.

Horas depois, Michelle respondeu afirmando que aceitava o pedido de perdão.

Continua depois da publicidade

— Flávio, eu assisti seu vídeo e recebi suas palavras com muita paz. Quero te agradecer por sua sinceridade. Todos nós cometemos erros, isso é humano. Eu aceito o teu pedido. Eu te desculpo. Agora vamos sentar, conversar e ajustar alguns detalhes.