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Antecipar ou esperar? Traders respondem a 6 dilemas do day trade

Profissionais confrontaram visões sobre gestão de risco, momento de entrada, abertura do mercado, saídas parciais, tendências e desempenho

Rodrigo Paz

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Stop técnico ou financeiro? Antecipar a entrada ou aguardar uma confirmação? Operar a abertura ou esperar que o mercado apresente uma direção?

Essas foram algumas das questões colocadas em uma sequência de debates rápidos durante a Expert XP 2026.

No evento, que ocorreu de 23 a 25 de julho, no São Paulo Expo, traders com diferentes perfis e métodos defenderam suas escolhas e explicaram como adaptam cada estratégia ao próprio operacional.

As discussões mostraram que, embora todos busquem controlar o risco e melhorar os resultados, os caminhos adotados podem ser bastante diferentes. As datas e o local constam na programação oficial da Expert XP 2026.

Confira os seis debates:

1. Stop: praticidade financeira ou prioridade técnica?

Felippe Aranha explicou que utiliza tanto o stop técnico quanto o financeiro, mas prefere iniciar as operações com lote, perda máxima e objetivo previamente estabelecidos.

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Para ele, a principal vantagem é reduzir o número de decisões durante o pregão e liberar mais tempo para analisar o contexto.

“Você tem já um padrão que você entra no trade, entra em qualquer operação, entra em qualquer dia já sabendo o tamanho do lote, o teu stop máximo, o alvo que você está buscando, está tudo pronto”, afirmou Aranha.

No exemplo apresentado, uma operação no índice com stop de 300 pontos e 50 contratos representaria um risco de R$ 3 mil.

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Se o stop técnico fosse de 100 pontos, seria necessário elevar a posição para 150 contratos para manter o mesmo risco financeiro e buscar a mesma recompensa.

A adoção do stop financeiro, segundo Aranha, não impede que a posição seja encerrada antes do limite máximo.

“Se eu entrar com o stop financeiro, eu posso cair fora antecipado com o stop menor se eu quiser”, afirmou.

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Léo Molini reconheceu que a perda financeira deve permanecer sob controle, mas alertou para o peso emocional de acompanhar exclusivamente o resultado monetário.

Em sua abordagem, o ponto de partida é a técnica e a probabilidade de o preço alcançar determinada região.

“A gente é adepto da ideia de que você deve operar pensando sempre na técnica”, afirmou Molini.

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O risco financeiro entra na sequência por meio do position size, que ajusta o tamanho da posição à distância do stop técnico.

Molini também disse priorizar o payoff em vez da taxa de acerto, aceitando dois ou três stops quando uma operação mais longa pode compensar as perdas.

“Operar bem para mim é operar sempre respeitando os mesmos critérios. Logo, eu preciso ser extremamente técnico”, acrescentou.

Leia mais: De day trade a swing trade: operação de Ivy Hypolito alcançou 10 mil pontos no Índice

2. Antecipar a entrada ou esperar uma confirmação?

Ariane Campolim defendeu a antecipação das entradas, desde que a decisão considere o perfil do trader, as características do operacional e suas estatísticas.

Na avaliação de Campolim, esperar o fechamento de uma barra ou outro sinal não garante que o preço seguirá na direção projetada. Mesmo depois de uma aparente confirmação, o mercado pode apresentar um movimento contrário.

Confirmação, de fato, a gente nunca tem no mercado financeiro. O que a gente tem no trade é estatística”, afirmou Campolim.

A trader explicou que procura regiões de maior probabilidade nas quais possa assumir o risco antecipadamente. Dessa forma, consegue entrar mais perto do ponto de saída e utilizar um stop menor.

“Quando eu antecipo a entrada, o meu stop fica mais barato”, afirmou.

Nelson Lee ponderou que mesmo uma entrada antecipada depende de algum padrão ou critério. Portanto, também existiria uma forma de confirmação, ainda que diferente daquela obtida pelo fechamento de um candle.

A gente tem uma confirmação de padrão, só que a gente não tem confirmação de resultado”, afirmou Lee.

Como realiza majoritariamente operações de swing trade, Lee prefere esperar uma confirmação compatível com seu horizonte operacional. Ainda assim, reconheceu que a escolha depende do método de cada trader.

“O que funciona pra você? Porque, se você fizer o que a Ariane faz e funcionar pra você, quem sou eu pra dizer que você tá errado?”, ponderou.

Leia também: Só 5% dos traders que atendo sabem operar, diz psicanalista

3. Abertura: resolver rapidamente ou esperar o mercado?

Marcelo Carvalho defendeu o “trade das 9”, realizado na abertura do mercado futuro. Sua estratégia consiste em fazer apenas uma operação e encerrar o dia rapidamente, independentemente do resultado.

“Eu opero o trade das 9, o trade da abertura, porque eu resolvo o meu dia em poucos minutos”, afirmou Carvalho.

Para ele, limitar-se a uma tentativa ajuda a evitar um dos principais erros dos traders: buscar recuperar imediatamente uma perda e transformar um stop em uma sequência de operações negativas.

“Se der gain, ok, fico feliz. Se der loss, amanhã é um novo dia”, afirmou.

Carvalho também disse tratar o trading como uma fonte de renda extra e ressaltou a necessidade de responsabilidade.

Mauro Botto, por sua vez, afirmou que não opera a abertura porque precisa observar o comportamento dos preços antes de tomar uma decisão.

“Eu não opero trade de abertura porque no meu operacional, basicamente, eu preciso entender o comportamento dos preços antes de tomar alguma decisão”, afirmou Botto.

Segundo ele, a abertura antecipada do mercado futuro em relação ao mercado à vista produz maior variação nos primeiros minutos.

Botto prefere esperar até aproximadamente 9h20 ou 9h30, quando considera possível identificar se o mercado está em tendência, lateralidade, canal estreito ou canal amplo.

“Eu prefiro focar no que o mercado está contando, a historinha que o mercado está contando, e a partir daí tomar a decisão baseado sempre em probabilidade”, afirmou.

4. Parcial: reduzir o risco ou preservar o payoff?

Giba defendeu as saídas parciais como uma forma de proteger parte do resultado e diminuir o risco. A estratégia consiste em encerrar uma parcela da posição e manter o restante exposto a uma possível continuidade do movimento.

“Se você está ganhando e já está ali com um resultadozinho bom, bota um pedacinho no bolso, já sobe o stop no nível de segurança e deixa o mercado andar”, afirmou Giba.

Ele reconheceu que a parcial pode reduzir o ganho caso o preço continue avançando, mas argumentou que a proteção oferece maior tranquilidade para conduzir o restante da operação.

Maria Silveira apresentou uma visão oposta. Para ela, as saídas parciais prejudicam a relação entre o risco assumido e o retorno potencial.

Eu não defendo parcial. Por quê? Porque parcial mata o seu payoff, mata a sua simetria de risco-retorno”, afirmou Silveira.

Seu modelo operacional busca entradas próximas aos fundos ou aos topos, com a expectativa de capturar movimentos mais longos.

Nesse contexto, a trader considera que encerrar gradualmente uma posição reduz o retorno de operações que poderiam pagar três, quatro ou cinco vezes o risco inicial.

Silveira reconheceu o conforto emocional oferecido pela parcial, mas avaliou que esse benefício pode comprometer a matemática da estratégia.

5. Operar a favor ou contra a tendência?

Bruno Marques defendeu que as operações acompanhem a direção predominante do mercado, principalmente quando a tendência ainda está no início ou na parte intermediária do movimento.

The trend is your friend, a tendência é sua amiga. Mas a tendência só é sua amiga no início e no meio”, afirmou Marques.

Sua estratégia consiste em procurar entradas nos pullbacks, nas regiões de liquidez e nas médias acompanhadas pelo mercado. Nesses pontos, seria possível assumir um risco menor e tentar capturar a continuidade de um movimento mais amplo.

Marques ponderou que a leitura muda nos períodos de lateralidade, quando reversões nos extremos podem oferecer oportunidades. Em um contexto claro de tendência, entretanto, considera mais provável a continuidade do movimento.

“Quando você faz a leitura e o contexto do mercado é um contexto forte de tendência, você vai operar a favor do mercado. Não vai ficar entrando contra”, afirmou.

Isaque concordou que a tendência deve ser respeitada, mas defendeu que também é possível encontrar operações na direção contrária, especialmente no day trade.

O mercado não anda em linha reta. Ele anda em ondas. Então, todo movimento de tendência tende a fazer correções”, afirmou Isaque.

Segundo ele, regiões relevantes de Fibonacci, suportes e resistências podem ser utilizadas para tentar capturar essas correções.

A estratégia não consiste em comprar porque o mercado caiu muito ou vender porque subiu demais, mas em encontrar pontos técnicos que sustentem a entrada.

“Sempre usando regiões de grande relevância a seu favor, você vai conseguir fazer grandes trades contra a tendência e também sair com um baita resultado no final do dia”, afirmou.

6. Desempenho: taxa de acerto ou payoff?

No último debate, Ariane Campolim defendeu a importância da taxa de acerto para uma estratégia com elevada assertividade. Segundo ela, a escolha da principal métrica depende do método utilizado.

“O método que eu opero tem uma assertividade muito alta. Isso conta muito”, afirmou Campolim.

A trader argumentou que não consegue controlar previamente até onde cada operação avançará e, consequentemente, qual será seu payoff. Por isso, concentra a execução nas estatísticas e nas operações de maior probabilidade dentro de seu plano.

Como exemplo, Campolim apresentou o resultado que afirmou ter alcançado no mês.

“A prova disso é o meu relatório desse mês: 75 trades e quatro erros. Isso fez eu ganhar R$ 96 mil”, afirmou.

Marcelo Carvalho defendeu a posição contrária. Para ele, uma taxa de acerto elevada não garante resultado positivo quando os ganhos são pequenos e as perdas são maiores.

Taxa de acerto é muito bonita pra vender”, afirmou Carvalho.

Na avaliação do trader, quem opera com posições menores precisa aceitar possíveis sequências de stops. O elemento decisivo seria obter ganhos suficientemente grandes para compensar essas perdas quando uma operação favorável acontecer.

“Para ti sobreviver no mercado, tu pode até apanhar várias vezes, pode tomar vários stops consecutivos. Porém, no dia que tu ganha, é aquele dia que tu paga todos os teus stops”, afirmou.

Não existe uma resposta única

Os seis debates não apontaram um vencedor — e os próprios participantes tampouco defenderam a existência de uma fórmula universal. Em diferentes momentos, reconheceram que a escolha depende do perfil, do horizonte, do setup e das estatísticas de cada trader.

A divergência está na prioridade: praticidade ou técnica; antecipação ou confirmação; rapidez ou maior quantidade de informações; proteção imediata ou preservação do payoff.

Mais do que escolher um lado, os confrontos mostraram que qualquer decisão precisa ser coerente com o método, o gerenciamento de risco e as características de quem executa a operação.

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