Desta vez será diferente com Bradesco? BBA vê setor descontado, mas longe de consenso

BBA mantém preferência por Bradesco (BBDC4), Nubank (BDR: ROXO34) e BTG Pactual (BPAC11)

Felipe Moreira

Ativos mencionados na matéria

Uma bolsa de negociação de ouro em Nova York, em 16 de outubro de 2025. À medida que bancos centrais compram mais ouro, a escolha de onde guardar todo esse metal pesado torna-se uma questão cada vez mais importante. (Ashley Gilbertson/The New York Times)
Uma bolsa de negociação de ouro em Nova York, em 16 de outubro de 2025. À medida que bancos centrais compram mais ouro, a escolha de onde guardar todo esse metal pesado torna-se uma questão cada vez mais importante. (Ashley Gilbertson/The New York Times)

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Apesar das ações do setor financeiro negociarem em níveis considerados atrativos, o segmento segue longe de ser consenso entre os investidores. Segundo Pedro Leduc e equipe, analistas que assinam o relatório do Itaú BBA, investidores locais mantêm, no máximo, uma exposição equivalente ao peso do setor no mercado, concentrando posições em nomes de maior qualidade e segurança, em meio ao baixo apetite para assumir riscos adicionais.

Já os investidores estrangeiros têm sido mais seletivos na busca por oportunidades de valor. As discussões estão mais concentradas nos fundamentos das empresas, especialmente diante do receio de revisões negativas de lucros, e menos nos desdobramentos políticos, já que o cenário-base do mercado ainda é de continuidade do atual ambiente macroeconômico.

Nesse contexto, o Itaú BBA mantém preferência por Bradesco (BBDC4), Nubank (BDR: ROXO34) e BTG Pactual (BPAC11). A instituição ressalta, no entanto, que essa visão está longe de ser consensual, refletindo as divergências do mercado sobre a trajetória do crédito, dos juros e dos resultados das companhias financeiras.

Bradesco (BBDC4) segue como principal debate

O Bradesco é apontado pelo Itaú BBA como o maior debate entre os grandes bancos, trazendo uma pergunta: “desta vez será diferente?”. A casa destaca que muitos investidores ainda demonstram ceticismo em relação à tese de investimento da instituição.

Segundo a análise, o banco negocia próximo de 1 vez o valor patrimonial (P/B) e 6 vezes o lucro (P/L), considerando um crescimento de cerca de 15% do lucro por ação e melhora do retorno sobre patrimônio (ROE), mas essa tese depende da ausência de revisões negativas de resultados.

O Itaú BBA afirma que a preocupação com o ciclo de crédito diminuiu parcialmente com dados mais moderados de inflação, mas continua sendo um fator de atenção para o setor. A instituição avalia que o mercado tem pouco conforto com a expectativa do Bradesco de expansão da margem ajustada ao risco neste ano e com as perspectivas para 2027 em um eventual cenário de desaceleração econômica.

A casa destaca que mantém uma visão mais positiva que o consenso, com estimativas de lucro 6% acima do mercado para 2026 e 4% acima para 2027, por acreditar que a carteira de crédito do banco está menos cíclica atualmente e que o segmento de seguros, responsável por mais de 40% dos lucros, pode continuar crescendo em ritmo de dois dígitos.

Caso a execução permaneça positiva, o Itaú BBA acredita que o ceticismo dos investidores tende a diminuir e a ação pode passar por uma reprecificação gradual. Com isso, o banco reiterou recomendação de compra para Bradesco, com preço-alvo de R$ 22.

Banco do Brasil (BBAS3) e Santander Brasil (SANB11)

Já Banco do Brasil (BBAS3) e Santander Brasil (SANB11) são considerados nomes com maior consenso em relação a revisões negativas de resultados. A dúvida, segundo o banco, está no que fazer com as ações após a queda dos múltiplos: o Banco do Brasil negocia próximo de 0,6 vez o valor patrimonial, enquanto o Santander está em cerca de 1 vez o valor patrimonial.

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Na avaliação do Itaú BBA, ainda pode haver uma nova rodada de revisões negativas para os dois bancos. O banco manteve recomendação neutra para ações do BB e do Santander, com preço-alvo de, respectivamente, R$ 21 e R$ 32.

BTG e B3 dividem preferência dos investidores

No segmento de mercado de capitais, o Itaú BBA afirma que a maioria dos investidores prefere o BTG Pactual (BPAC11) em um cenário de maior incerteza, devido à resiliência dos resultados da instituição.

Apesar disso, a escolha não é consensual. O banco destaca que tem encontrado mais resistência recentemente, com alguns investidores reduzindo posições.

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Segundo o Itaú BBA, o BTG não está imune às condições de mercado, possui uma exposição maior ao crédito em seu balanço e é o único nome do segmento negociado acima da própria média histórica, atualmente em cerca de 11 vezes o lucro estimado para 2026.

Para investidores que apostam em queda dos juros, a B3 (B3SA3) aparece como uma alternativa mais direta, negociando a aproximadamente 13 vezes o lucro, abaixo da média histórica superior a 16 vezes.

O Itaú BBA avalia que a B3 pode oferecer mais potencial de valorização que o BTG, embora destaque que a bolsa possui menor crescimento estrutural de resultados, já que não conta com a expansão de balanço e dos negócios de gestão de patrimônio observada no BTG.

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A casa mantém recomendação de compra para BTG e B3, com preço-alvo de R$ 63 e R$ 21, nesta ordem.

Em relação à XP (XPBR31), investidores otimistas enxergam potencial de alta diante da atual avaliação, próxima de 8 vezes o lucro, e do dividend yield de cerca de 10%.

O banco reconhece possíveis melhorias nos resultados de curto prazo, incluindo uma eventual surpresa positiva no segundo trimestre e uma retomada do mercado de dívida corporativa no terceiro trimestre.

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No entanto, os investidores mais cautelosos estariam menos preocupados com uma melhora pontual nos resultados e mais atentos ao cenário macroeconômico de médio prazo. O BBA manteve recomendação neutra para XP e preço-alvo de US$ 19.

Bancos digitais

Após a queda de 19% no ano, o Nubank é apontado pelo Itaú BBA como um dos nomes que mais dividem os investidores. O debate gira em torno de saber se a queda recente representa uma oportunidade de entrada em uma empresa vencedora no longo prazo ou se reflete uma mudança estrutural na perspectiva de crescimento.

Segundo o Itaú BBA, fundos globais de mercados emergentes e de crescimento reduziram exposição ao papel diante do receio de revisões negativas, enquanto investidores de longo prazo aproveitaram a oportunidade.

A instituição está no campo otimista com o Nubank, considerando um cenário de pouso suave do ciclo de crédito, embora reconheça que as expectativas do mercado para crescimento da carteira de crédito e lucro em 2027 parecem elevadas. O banco manteve recomendação de compra e preço-alvo de US$ 18.

Já o Inter (INBR32) permanece com pouco interesse dos investidores, refletido no múltiplo próximo de 1 vez o valor patrimonial. A recomendação é neutra, com preço-alvo de US$ 8.

O Itaú BBA afirma que o mercado não tem pressa para voltar ao papel diante da expectativa de resultados mais fracos no curto prazo. Ainda assim, considera a ação um nome para acompanhamento, devido às vantagens competitivas em custos operacionais e captação, que podem permitir retomada das receitas futuramente.