Publicidade
A decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de lançar o deputado federal Patrus Ananias ao governo de Minas Gerais eliminou o principal foco de indefinição da campanha petista às vésperas das convenções partidárias. Com o segundo maior colégio eleitoral do país encaminhado, Goiás passou a concentrar a única lacuna relevante do mapa de alianças do presidente. No campo adversário, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ainda tenta destravar negociações e definir palanques em dez estados e também ainda não anunciou seu candidato a vice-presidente.
A definição em Minas encerrou uma negociação que se arrastava havia meses. Antes de optar por Patrus, Lula tentou convencer o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB), o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), o empresário Josué Gomes (PSB) e a ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT) a disputar o governo estadual. Com sucessivas recusas, decidiu bancar uma candidatura própria do PT.
O desfecho foi comemorado por aliados por retirar da campanha um dos principais pontos de vulnerabilidade eleitoral. Minas é o segundo maior colégio eleitoral do país e, historicamente, tem peso decisivo nas disputas presidenciais. Agora, a expectativa do entorno do presidente é concentrar os esforços em Goiás, onde ainda busca consolidar a composição local.

Flávio Bolsonaro vai abrir mão de segurança da PF durante campanha: “Não confio”
“Não confio no atual chefe da PF. Não vou correr o risco de ele próprio infiltrar pessoas na minha campanha”, disse Flávio

À frente do TSE, Nunes Marques tenta se equilibrar entre STF, Lula e o bolsonarismo
Ministro assumiu a presidência da Justiça Eleitoral carregando a expectativa de diferentes grupos políticos sobre como vai guiar a eleição deste ano
A montagem do mapa de palanques, contudo, exigiu concessões do PT. Em diversos estados, Lula abriu mão de candidaturas próprias para acomodar aliados históricos e partidos do Centrão considerados estratégicos para a campanha. Ainda assim, chega à semana das convenções com praticamente toda a estrutura estadual definida e a chapa presidencial consolidada ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que disputará a reeleição na vice.
No PL, o cenário permanece mais aberto. Embora Flávio tenha avançado em algumas negociações nas últimas semanas — como no Rio de Janeiro, onde definiu o senador Carlos Portinho para disputar a reeleição —, dirigentes do partido reconhecem que uma parcela importante das articulações estaduais ainda não foi concluída.
Minas Gerais segue entre os principais impasses. O partido discute a possibilidade de apoiar o senador Cleitinho (Republicanos-MG), caso ele confirme candidatura ao governo, ou lançar o presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, alternativa defendida por integrantes da pré-campanha para ampliar o diálogo com o empresariado. A decisão depende diretamente das negociações com o Republicanos.
Também permanecem indefinições no Distrito Federal, onde a composição depende da decisão de Michelle Bolsonaro sobre uma eventual candidatura ao Senado; em Pernambuco, onde o partido ainda avalia se terá candidatura própria ao Senado; no Ceará, que tenta reorganizar o palanque após a crise envolvendo Michelle e Flávio; e em Mato Grosso, onde o Republicanos pressiona o PL a retirar a candidatura do senador Wellington Fagundes para apoiar a reeleição do governador Otaviano Pivetta.
Escolha da vice
As negociações com o Republicanos, porém, extrapolam os palanques estaduais e passaram a influenciar também a montagem da chapa presidencial. Interlocutores das duas legendas afirmam que a definição do vice de Flávio ficou condicionada ao desfecho das conversas entre os partidos.
Hoje, o Republicanos condiciona a aliança nacional ao apoio do PL em quatro estados considerados estratégicos. Até o momento, porém, apenas um acordo foi efetivamente fechado: no Espírito Santo, onde o PL apoiará a candidatura do prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), ao governo.
Continua depois da publicidade
No Acre, a negociação está avançada para que o PL retire a candidatura do prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom, e apoie o senador Alan Rick (Republicanos). Em Minas Gerais, o entendimento passa por um eventual apoio ao senador Cleitinho (Republicanos-MG), caso ele confirme candidatura ao governo. O principal impasse permanece em Mato Grosso, onde o PL resiste à exigência do Republicanos de retirar a candidatura do senador Wellington Fagundes (PL) para apoiar o governador Otaviano Pivetta (Republicanos).
Enquanto essas negociações permanecem abertas, a campanha evita bater o martelo sobre o nome que dividirá a chapa presidencial com Flávio. A ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, que está filiada no Republicanos, continua sendo lembrada por integrantes da coordenação, mas enfrenta resistências dentro do próprio PL.
O próprio presidente da legenda, Valdemar Costa Neto, afirmou que ela não agrega votos ao senador. O argumento da cúpula do PL é de que ela nunca disputou eleições e não possui densidade eleitoral própria. Também são citadas como alternativas a deputada estadual Clarissa Tércio (PP-PE) e a deputada federal Simone Marquetto (PP-SP).
Continua depois da publicidade
A expectativa é de que os impasses se resolvam nesta semana. Reservadamente, porém, aliados admitem que a demora na consolidação das alianças estaduais acabou consumindo mais tempo do que o previsto e se queixam da desorganização.