Até 1.097%: As ações que batem o Ibovespa em cinco anos de perda para o CDI

Setores regulados e small caps lideram ganhos em diferentes períodos na Bolsa; veja os papeis que bateram o índice em 5, 10, 15 e 20 anos

Leonardo Guimarães

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(Shutterstock)
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Entre o fim de 2020 e o fim de 2025, o Ibovespa subiu 35,4%,  desempenho que ficou abaixo do CDI acumulado no período (68%). No mesmo intervalo, os papéis do banco Mercantil do Brasil (BMEB4) valorizaram 1.097% e as ações da Embraer (EMBJ3), 910%. A distância entre o índice e os papéis vencedores, porém, não é exclusividade da janela recente: ela se repete – e se amplia – em prazos de 10 a 20 anos.

É o que mostra um levantamento da Economatica, feito a pedido do InfoMoney, com os retornos das ações listadas na B3 em quatro janelas encerradas em 31 de dezembro de 2025, todos considerando dividendos.

Em 10 anos, o Ibovespa acumulou alta de 271,7%; em 15 anos, de 132,5%; e em 20 anos, de 381,6%. O retorno menor na janela de 15 anos pode parecer contraditório, mas reflete os pontos de partida: dezembro de 2010 marcou um topo de ciclo, enquanto 2015 terminou com o índice perto do fundo de um ciclo.

Em todas as janelas, um grupo de ações multiplicou o capital do investidor muitas vezes acima do índice. O caso mais extremo é o da Prio (PRIO3), a antiga PetroRio: alta de 16.833% em 10 anos, ou mais de 16.500 pontos percentuais acima do Ibovespa.

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Para Bruno Perri, sócio-fundador da Forum Investimentos, a explicação para a distância entre o índice e os papéis vencedores começa na própria construção do Ibovespa. “O Ibovespa é uma média ponderada por tamanho e liquidez, e tem representatividade concentrada em alguns papéis com pesos muito significativos no índice”, afirma. “Alguns destes papéis pesados não tiveram bom desempenho no período, enquanto o CDI se tornou um custo de oportunidade altíssimo, dados os patamares elevados da Selic.”

Já as empresas do topo do ranking, diz Perri, são casos específicos, favorecidos por histórias próprias de bom desempenho corporativo ou de seus mercados, ou ainda papéis pouco líquidos e excessivamente descontados que, em algum momento, foram “descobertos” pelos investidores.

As ações que superaram o Ibovespa em cada período

Veja a seguir os dez papéis com maior retorno em cada janela, segundo a Economatica, e a diferença em pontos percentuais em relação ao Ibovespa.

Em 5 anos, as 10 ações que superaram o Ibovespa
AçãoRetorno (%)Pontos percentuais acima do Ibov
Banco Mercantil (BMEB4)1.097,211.061,83
Embraer (EMBJ3)910,41875,03
Pine (PINE4)624,14588,76
Technos (TECN3)568,73533,35
Minupar (MNPR3)557,14521,76
Aura Minerals (AURA33)519,1483,72
Direcional (DIRR3)398,16362,78
Cury (CURY3)380,35344,97
Vulcabras (VULC3)356,02320,64
Marcopolo (POMO3)347,91312,53
Em 10 anos, as 10 ações que superaram o Ibovespa
AçãoRetorno (%)Pontos percentuais acima do Ibov
Prio (PRIO3)16.833,2816.561,58
Unipar (UNIP6)7.463,727.192,03
Dexxos (DEXP3)3.228,642.956,95
Celesc (CLSC4)2.441,892.170,20
Bradespar (BRAP4)2.352,302.080,61
Direcional (DIRR3)2.359,022.087,33
Vulcabras (VULC3)1.880,231.608,54
CPFL Energia (CPFE3)1.617,181.345,49
Energias do Brasil (ENBR3)1.604,241.332,54
Vale (VALE3)1.016,87745,17
Em 15 anos, as 10 ações que superaram o Ibovespa
AçãoRetorno (%)Pontos percentuais acima do Ibov
Unipar (UNIP6)6.277,936.145,44
Banco Mercantil (BMEB4)3.969,513.837,02
Equatorial (EQTL3)2.574,462.441,97
CEB (CEBR3)2.206,022.073,53
Sanepar (SAPR4)2.139,432.006,94
Weg (WEGE3)1.995,921.863,43
Comgás (CGAS5)1.518,721.386,23
Sabesp (SBSP3)1.319,511.187,02
Copasa (CSMG3)1.134,281.001,79
Energisa (ENGI4)1.006,56874,07
Em 20 anos, as 10 ações que superaram o Ibovespa
AçãoRetorno (%)Pontos percentuais acima do Ibov
Energisa (ENGI3)5.872,285.490,66
Whirlpool (WHRL4)5.781,775.400,16
Aço Altona (EALT4)4.792,654.411,03
Banco do Nordeste (BNBR3)4.029,173.647,55
Sanepar (SAPR4)3.904,503.522,88
Comgás (CGAS5)3.791,423.409,80
Sabesp (SBSP3)3.694,233.312,61
Grazziotin (CGRA4)3.078,182.696,56
Porto Seguro (PSSA3)2.925,522.543,90
Copel (CPLE3)2.761,532.379,91

Retornos nem sempre capturáveis

Boa parte do topo dos rankings é ocupada por papéis de baixa liquidez e fora do Ibovespa – casos de Banco Mercantil, Unipar, Aço Altona, Dexxos e Grazziotin. Para Perri, retornos dessa magnitude são, “em grande parte, teóricos”. “São apenas o preço de tela do fechamento de papéis que negociam muito pouco, e nos quais o investimento é bastante restrito justamente pelas condições de liquidez”, diz o estrategista da Forum.

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Perri acrescenta que olhar apenas as janelas de “ponta a ponta” ignora o histórico de oscilações ao longo do período, que podem ser muito mais intensas nesses papéis do que em ações consolidadas.

O padrão dos setores regulados

Um padrão se repete em todas as janelas é a presença recorrente de empresas de saneamento, energia elétrica e gás — Sabesp, Sanepar, Comgás, Equatorial, Energisa, Celesc e CEB aparecem entre as maiores altas em diferentes prazos.

Para Perri, isto não é coincidência, “é estrutural e, por isso mesmo, setores defensivos e de forte geração de caixa, com previsibilidade, estão sempre entre nossas preferências na Bolsa brasileira”, afirma.

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O estrategista aponta três razões para a preferência. A primeira é que esses ativos são menos cíclicos, com receita pouco dependente do crescimento da economia. A segunda é a existência de barreiras de entrada importantes em setores já bastante consolidados, o que reduz concorrência e risco de disrupção. Por fim, a depender da janela, houve um período em que essas empresas estavam baratas e passaram por privatizações e ganhos de eficiência operacional, que se traduziram em lucros, margens e preços maiores.

Prio

O maior retorno de todo o levantamento – os 16.833% da PRIO em 10 anos – pode fazer investidores se perguntarem se casos assim podem ser identificados com antecedência.

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“A tese era identificável; a magnitude, não”, responde Perri. Ele lembra que, em 2015, a então PetroRio era uma microcap que começou a comprar campos maduros dos quais a Petrobras estava se desfazendo, reduzindo o custo de extração. “Para especialistas no setor, havia sinais importantes de crescimento de receita e ganho de margem”, diz.

O tamanho da valorização, porém, surpreendeu até quem acompanhava a tese de perto. “Na minha opinião, a magnitude desta melhora foi bastante surpreendente e, de forma geral, movimentos assim sempre são”, conclui o estrategista.