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A farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, fabricante dos medicamentos Ozempic e Wegovy, suspendeu, temporariamente, a estratégia de lançar o canal de vendas da companhia, com foco em venda direta para consumidores de medicamentos para diabetes e obesidade: Ozempic, Wegovy e Rybelsus. O lançamento da iniciativa foi reportado pelo InfoMoney, há duas semanas.
Em comunicado enviado à imprensa, a farmacêutica afirma que a suspensão aconteceu para incorporar os aprendizados obtidos durante a fase piloto. “Isso permitirá o desenvolvimento de um modelo mais integrado ao setor de varejo farmacêutico – um parceiro estratégico da companhia”, diz a nota.
Leia também: A estratégia da Novo Nordisk para vender canetas emagrecedoras direto ao consumidor
Ainda no comunicado, a empresa dinamarquesa afirma que segue acompanhando a evolução do ambiente de saúde e buscando inovações que aprimorem a experiência do paciente, e que permanece comprometida com o avanço de iniciativas que “ampliem o acesso a tratamentos para doenças crônicas graves, como obesidade e diabetes, em plena conformidade com as regulamentações locais aplicáveis”.
A empresa não deu detalhes sobre quando o projeto de venda direta poderia ser retomado.
Dinâmica de vendas
Além do anúncio da venda direta no Brasil, a Novo Nordisk também lançou uma loja oficial dentro do Mercado Livre no México. As iniciativas acenderam um sinal de alerta entre investidores sobre a sustentabilidade das margens do varejo de saúde de médio prazo.
A Associação Brasileira da Redes de Farmácias e Drograrias (Abrafarma), que representa as 29 maiores redes do varejo farmacêutico nacional, criticou as iniciativas de venda direta da farmacêutica em comunicado. Em nota, a entidade manifestou “profunda apreensão com a mais nova estratégia adotada pela Novo Nordisk. A farmacêutica decidiu comercializar canetas emagrecedoras utilizando-se de distribuidora não habilitada como farmácia aberta ao público, como prevê a RDC 44/09.”
Para a entidade, a iniciativa “fere a legislação vigente no país e fragiliza o modelo brasileiro de dispensação de medicamentos e compromete uma etapa essencial da assistência à saúde”.
“Estamos diante de episódios de demonstração de miopia e uma visão de curto prazo. É quando a saúde vira negócio, o ‘topa tudo por dinheiro’ na contramão de todos os requisitos que garantem o uso racional e correto do medicamento. É uma mensagem da banalização do tratamento, que a fabricante jamais deveria apoiar”, adverte o CEO Sergio Mena Barreto.
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Mena Barreto defende que inovação, digitalização e novos canais de comercialização devem caminhar lado a lado com o cumprimento da legislação sanitária e valorização da assistência farmacêutica. “A transformação digital é bem-vinda e somos parte dela, mas esse movimento não pode acontecer às custas da segurança do paciente. O que está em debate não é apenas um novo modelo comercial, mas a preservação de um sistema que coloca a assistência em saúde acima dos interesses de curto prazo”, conclui.