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A farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, fabricante dos medicamentos Ozempic e Wegovy, viu seu valor de mercado saltar com o lançamento das canetas emagrecedoras e chegou a ser a empresa mais valiosa da Europa, ultrapassando, inclusive, gigante francesa LVMH, dona de mais de 70 marcas de luxo como Louis Vuitton e Moët & Chandon. Desde a estreia de outras farmacêuticas no segmento, o valor de mercado da empresa caiu de mais de US$ 425 bilhões para os atuais US$ 212 bilhões, mas algumas estratégias da companhia podem fazê-la voltar às primeiras posições do ranking.
Uma delas é usar o Brasil como ‘laboratório’ para o lançamento de um canal de vendas da companhia, com foco em venda direta para consumidores de medicamentos para diabetes e obesidade: Ozempic, Wegovy e Rybelsus.
Chamado de NovoCare Farmácia, o programa foi criado por uma parceria entre Novo Nordisk e AS Medicamentos, empresa responsável por toda a operação como venda, logística e faturamento e com cobertura nacional.
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Na plataforma, pacientes com prescrição médica válida podem comprar medicamentos diretamente no site, com integração direta com o programa de suporte ao paciente da empresa, o NovoDia.
Todo o processo é feito online, com validação digital. “[O canal de vendas] é uma evolução natural da estratégia da Novo Nordisk. A iniciativa representa um avanço estratégico ao integrar a etapa final da jornada do paciente ao ecossistema NovoCare. “, diz Natalia Ortiz, Diretora Senior de Marketing da área Cardiometabólica da Novo Nordisk, em entrevista ao InfoMoney.
A executiva reforça ainda que o canal de vendas não altera a atuação de clínicas, hospitais, distribuidores ou outros parceiros comerciais. “O novo canal funciona como mais uma opção de compra, de forma a complementar o ecossistema atual”, diz.
A aproximação da Novo Nordisk com os pacientes por meio do canal de venda direta é uma iniciativa inédita desenvolvida para o contexto brasileiro, mas pode ser expandida, inclusive para outros medicamentos, dependendo do sucesso da estratégia. “A intenção é expandir e implantar a venda de outros produtos do portfólio da Novo Nordisk na plataforma no futuro, com tratamentos para outras condições de saúde”, afirma Ortiz.
A política de preço do novo canal será mantida em linha com os outros canais de e-commerce de medicamentos, mas a executiva explica que pacientes que participam do programa de suporte ao paciente já conseguem condições mais atrativas. “Os pacientes têm acesso a preços diferenciados na compra de medicamentos da Novo Nordisk, atendimento online de educadores físicos, nutricionistas, psicólogos e profissionais de enfermagem, além de parcerias com empresas referência em alimentação saudável, bem-estar, entre outros”, afirma.
Embora não tenha aberto dados sobre investimentos do novo canal, a iniciativa é considerada estratégica e alinhada com a visão da companhia dinamarquesa.
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Em outra frente de crescimento no Brasil, a Novo Nordisk apresentou, na semana passada, uma nova proposta à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec). Em nota, a empresa informou que o pedido prevê um desconto de 59% para o governo e foi estruturado para atender aos critérios de custo-efetividade exigidos pelo Ministério da Saúde. Segundo a farmacêutica, a iniciativa busca tornar sustentável a oferta do tratamento para obesidade na rede pública.
‘Caneta em Pílula’
Enquanto isso, nos Estados Unidos, a disputa não é mais apenas no mercado de canetas emagrecedoras, mas de pílulas. Após a aprovação de comercialização de medicamento oral para perda de peso em território americano, a Novo Nordisk superou suas previsões de lucro para o primeiro trimestre e elevou as perspectivas para o ano inteiro.
A venda da pílula no Brasil ainda depende de aprovação da Anvisa. O pedido de análise foi feito em 30 de janeiro e, embora não haja estimativa de prazo para a conclusão da análise, o tempo médio de aprovação de medicamentos é de um ano e meio.
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