A crise da Volkswagen agora ameaça fábricas, empregos e o modelo alemão

A perspectiva de fechamento de fábricas e cortes drásticos de empregos em uma das empresas mais tradicionais da Alemanha, fundada há 89 anos, também ressalta os desafios para a maior economia da Europa, que enfrenta um crescimento fraco

Reuters

Logotipo da Volkswagen na sede da empresa em Wolfsburg, Alemanha 28/10/2024 (Foto: Axel Schmidt/Reuters)
Logotipo da Volkswagen na sede da empresa em Wolfsburg, Alemanha 28/10/2024 (Foto: Axel Schmidt/Reuters)

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Por Rachel More e Christina Amann

WOLFSBURG, Alemanha, 9 Jul (Reuters) – ⁠O plano da Volkswagen de cortar até 100 mil empregos e fechar ⁠quatro fábricas na Alemanha enfrenta um grande desafio nesta quinta-feira, quando os grupos que controlam a ‌maior montadora da Europa se reúnem para discutir as propostas, enquanto trabalhadores protestam contra a reestruturação.

Diante de altos custos e excesso de capacidade no mercado interno, da crescente concorrência chinesa e das tarifas de ‌importação dos EUA, a Volkswagen está sob pressão sem precedentes para reestruturar o modelo de negócios que sustentou seu sucesso por décadas.

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A perspectiva de fechamento de fábricas e cortes drásticos de empregos em uma das empresas mais tradicionais da Alemanha, fundada há 89 anos, também ressalta os desafios para a maior economia da Europa, que enfrenta um crescimento fraco e altos custos de mão de obra e energia.

Em uma reunião do conselho fiscal ⁠na ‌sede da Volkswagen em Wolfsburg prevista para esta tarde (horário local) o presidente-executivo Oliver Blume precisará convencer os influentes ⁠representantes sindicais do conselho a aceitar cortes mais profundos em todo o grupo, que inclui as marcas Audi e Porsche.

Ele também está sob pressão das famílias proprietárias da Porsche e da Piech, cujos principais investimentos perderam dezenas de bilhões de euros em valor de mercado nos últimos anos.

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Em Wolfsburg, os trabalhadores apitavam, agitavam bandeiras vermelhas do sindicato e marchavam atrás de uma faixa com os dizeres “gemeinsam ​stark” — “fortes juntos” — enquanto uma buzina soava ao fundo.

O sindicato IG Metall informou que cerca de 400 pessoas estavam se manifestando somente em Wolfsburg.

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Um porta-voz da Volkswagen disse que a empresa compartilha das preocupações ​dos trabalhadores em relação ao futuro, mas está reduzindo a complexidade e se concentrando em tecnologia para fortalecer sua competitividade.

“Estamos ajustando nosso portfólio de investimentos e simplificando nossas estruturas corporativas”, disse o porta-voz em comunicado enviado por email. “E sim, também teremos que reduzir o excesso de capacidade.”

DEMISSÕES EM MASSA

No que seria a maior reestruturação da Volkswagen até o momento, fontes afirmaram que Blume está considerando fechar quatro fábricas na Alemanha — ‌em Hanover, Emden, Zwickau e a unidade da Audi em Neckarsulm — e ​cortar até 100 mil empregos, aproximadamente o dobro do número planejado atualmente.

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A produção em Zwickau e Emden deve ser encerrada gradualmente em cinco anos, informou a revista Spiegel, citando fontes do conselho fiscal. A fábrica de veículos comerciais de Hanover seguiria o ⁠mesmo caminho em 2032, e a fábrica ​da Audi, em 2034.

O conselho ​fiscal da Volkswagen inclui representantes das famílias proprietárias, dos sindicatos e do governo do Estado da Baixa Saxônia, uma estrutura de divisão de ⁠poder que muitas vezes complica a tomada de decisões.

Antes ​da reunião, a revista WirtschaftsWoche informou que a Baixa Saxônia estava disposta a aceitar o fechamento de fábricas, embora uma fonte do governo estadual tenha descartado isso como “um completo absurdo”.

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No âmbito do último acordo de reestruturação de Blume, no final ​de 2024, os sindicatos garantiram um compromisso da administração de evitar o fechamento de fábricas na Alemanha, levando a Volkswagen a buscar usos alternativos para instalações subutilizadas.

Esses esforços incluem uma ​busca de longa data por um ⁠parceiro do setor de defesa para a fábrica de Osnabrück e a possibilidade de produzir na Alemanha modelos projetados para o mercado chinês.

Dados ⁠da Mobility Global analisados pela Reuters estimam que as fábricas de automóveis do grupo na Alemanha operarão a 81% da capacidade padrão em 2026. Espera-se que esse número caia para 73% até o final da década, mesmo após a retirada prevista de Osnabrück da rede.

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Entre as quatro unidades ameaçadas de fechamento, prevê-se que Zwickau tenha a maior taxa de utilização em 2026, de 88%. Mas espera-se que esse número caia para 42% até 2030, segundo os ​dados.