Silvana Tenreyro: quem é a nova economista-chefe do FMI

Especialista em política monetária e comércio internacional, ajudou a aperfeiçoar métodos usados por bancos centrais

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Divulgação/FMI

A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, anunciou nesta terça-feira (7) a nomeação da economista argentina Silvana Tenreyro como nova economista-chefe da instituição e diretora do departamento de pesquisa. Ela substituirá Pierre-Olivier Gourinchas, que retorna à carreira acadêmica, e assumirá um dos cargos mais influentes da economia mundial, responsável por liderar as análises que orientam as projeções e recomendações do Fundo.

A escolha recai sobre uma economista que construiu a carreira longe dos holofotes. Professora da London School of Economics (LSE), Tenreyro passou seis anos no Comitê de Política Monetária do Banco da Inglaterra e, antes disso, trabalhou como economista no Federal Reserve de Boston. Sua reputação foi construída na pesquisa acadêmica e na política monetária, áreas em que ficou conhecida pelo rigor metodológico e pela defesa de decisões baseadas em evidências.

Ao anunciar a nomeação, Georgieva destacou justamente essa combinação de sólida produção acadêmica e experiência na formulação de políticas econômicas, além da capacidade de comunicar temas complexos com clareza. Segundo a diretora-gerente, Tenreyro chega ao cargo em um momento de “profunda transformação e elevada incerteza” para a economia global.

Quem é Silvana Tenreyro

Silvana Tenreyro nasceu em San Miguel de Tucumán, na Argentina, em 1973. Graduou-se em Economia pela Universidad Nacional de Tucumán, onde recebeu a medalha de ouro concedida ao melhor desempenho acadêmico da turma.

Em seguida, mudou-se para os Estados Unidos para cursar o doutorado em Economia na Universidade Harvard, concluído em 2002. A tese foi orientada pelos economistas Robert Barro, Alberto Alesina e Kenneth Rogoff.

Entre 2002 e 2004, trabalhou como economista no Federal Reserve Bank de Boston. Depois desse período, ingressou na London School of Economics (LSE), onde leciona desde então e atualmente ocupa a cátedra James Meade Professor of Economics.

A economista que aperfeiçoou as ferramentas de análise

O trabalho acadêmico mais conhecido de Silvana Tenreyro foi publicado em 2006, em parceria com o economista João Santos Silva. O estudo apresentou o PPML (Poisson Pseudo-Maximum Likelihood), método que mudou a forma de estimar os efeitos de políticas comerciais.

Até então, muitos modelos usados para medir o comércio entre países descartavam parte das informações disponíveis ou tratavam de forma inadequada situações em que simplesmente não havia fluxo comercial. Tenreyro e Santos Silva mostraram que isso podia distorcer os resultados e propuseram um método capaz de incorporar esses casos sem perder consistência estatística.

Na prática, o PPML tornou mais precisas as estimativas sobre o impacto da distância geográfica, das tarifas, dos acordos comerciais, das fronteiras e das moedas comuns sobre exportações e importações. O método se consolidou como referência na literatura econômica e hoje é amplamente utilizado por universidades, bancos centrais e organismos internacionais, como o FMI, o Banco Mundial e a Organização Mundial do Comércio (OMC).

Além do comércio internacional, Tenreyro também concentra suas pesquisas em política monetária e macroeconomia. Seus estudos investigam como mudanças nas taxas de juros das grandes economias se propagam pelo restante do mundo e mostram que esses efeitos variam conforme as características de cada país.

As pesquisas analisam, por exemplo, como decisões do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, influenciam o crédito, os fluxos internacionais de capital, o câmbio e a atividade econômica em outros mercados. Esses trabalhos ampliaram a compreensão sobre como políticas monetárias adotadas pelas principais economias produzem efeitos que vão muito além de suas fronteiras.