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Ibovespa destoa de NY e cai 0,93% após bater maior patamar em um mês; entenda motivos

Rotação para IA, proximidade das eleições e início da audiência do Escritório do Representante dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) estiveram entre os motivos

Estadão Conteúdo

Ativos mencionados na matéria

Painel eletrônico mostra cotações na B3 10/07/2025 REUTERS/Alexandre Meneghini
Painel eletrônico mostra cotações na B3 10/07/2025 REUTERS/Alexandre Meneghini

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O Ibovespa destoou da performance positiva dos ativos domésticos e dos índices de Nova York nesta segunda-feira, 6. Há novos sinais de saída de recursos estrangeiros da renda variável brasileira, com rotação de carteiras globais favorecendo empresas de tecnologia e Inteligência Artificial.

No cenário doméstico, a proximidade com as eleições, que renova receios com a qualidade da política fiscal a partir de 2027, e o início da audiência do Escritório do Representante dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) também limitaram o apetite por ações.

Após alcançar o maior valor em um mês na sexta-feira, o Ibovespa fechou com queda de 0,93%, aos 172.447,58 pontos, e giro financeiro de R$ 16,94 bilhões. Entre a máxima de abertura (174.057,47 pontos; -0,01%) e a mínima (171.621,70 pontos; -1 41%) pela manhã, perdeu cerca de 2.400 pontos. Com isso, a referência da B3 se descolou de Wall Street, que teve altas de 0 29% (Dow Jones) a 1,12% (Nasdaq).

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Para o analista Nícolas Mérola, da EQI Research, o mercado de ações brasileiro passa por um momento de “compasso de espera”, em que investidores estrangeiros pretendem precificar bem a IA antes de voltar a olhar para outros mercados.

Como os investidores estrangeiros são responsáveis por mais da metade do volume financeiro da Bolsa, um menor apetite deles é relevante para a performance do índice. Apesar de quinta-feira, 2, ter trazido entrada de R$ 567,6 milhões para a Bolsa, o acumulado do mês de julho ainda é de retirada de R$ 22,223 milhões em recursos externos.

Mérola, da EQI, crava ainda que o processo eleitoral brasileiro se aproxima e causa maior temor e volatilidade por parte dos investidores, tanto locais quanto internacionais.

O head de Alocação da InvestSmart XP, Daniel Nogueira, concorda que ao adentrar no segundo semestre, a pauta eleitoral vai ficando cada vez mais relevante, e nota que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem ganhado margem em relação ao senador e pré-candidato do PL, Flávio Bolsonaro. “Apesar de Lula não ser o candidato favorito do mercado, não é um candidato novo. O fator surpresa não existe tanto, mas é uma quebra de expectativa em relação a ter uma âncora fiscal e comprometimento com reformas” firme, avalia.

Junto das eleições, há ainda incerteza quanto à relação do Brasil com a maior economia do mundo. Nesta segunda-feira, começou a audiência pública do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês) a respeito de práticas comerciais do Brasil, que foi monitorada com atenção por operadores de renda variável.

Em termos setoriais, a eliminação da Seleção brasileira na Copa do Mundo no domingo também fez preço. Quarta ação mais negociada nesta segunda, a Ambev caiu 2,52% com o entendimento do mercado de que haverá menos consumo de bebidas com o Brasil fora da competição, afirma Nogueira, da InvestSmart XP.

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Outra atenção do mercado é a política monetária. Ainda que o boletim Focus tenha trazido alívio na inflação de 2026, com a mediana das projeções saindo de 5,33% para 5,30%, não alterou muito a leitura de juros altos por mais tempo no Brasil. O cenário é negativo para a renda variável, pois dizima o lucro futuro das empresas.

Enquanto na sexta-feira, quando não houve pregão em Wall Street, o dia foi marcado por frenesi com a produção de maio abaixo do esperado e o entendimento de que ao menos um corte de 0,25 ponto porcentual na Selic em agosto seria provável, nesta segunda-feira houve uma correção nos preços do mercado acionário brasileiro. Tanto que as maiores quedas do Ibovespa vieram de ações cíclicas, como Totvs, Lojas Renner e Yduqs caindo mais de 4%, ignorando o fechamento da curva de juros.

O índice também foi pressionado pela queda das blue chips, com bancos cedendo de 0,42% (Itaú PN; ITUB4) a 1,05% (Banco do Brasil ON; BBAS3), além de Petrobras (PETR3;PETR4) e Vale (VALE3) cedendo mais de 1%.

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Agora, as atenções na semana ainda se voltam sobretudo para a ata do Federal Reserve (Fed), na quarta-feira, 8, e para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de junho, na sexta, que podem influenciar as apostas para os juros básicos nos Estados Unidos e no Brasil.

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