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“Cada dia é um dia menos.” A frase resume uma das principais lições que o ex-zagueiro e ex-capitão do Corinthians William Machado conta ter aprendido após deixar os gramados.
Hoje assessor de investimentos e sócio da FAMI Capital, ele defende que jogadores de futebol passem a olhar para o seguro não apenas como uma exigência contratual, mas como parte do planejamento patrimonial desde o início da carreira.
“Assim que eles tomam a decisão e assinam o primeiro contrato profissional, cada dia é um dia menos. Então, que eles aproveitem, que eles se divirtam, mas que olhem para o patrimônio que estão formando e busquem protegê-lo”, diz Machado.
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A avaliação reflete uma mudança gradual na forma como atletas encaram a proteção financeira. Embora a legislação brasileira obrigue os clubes a contratar seguro de vida e de acidentes pessoais para jogadores profissionais, especialistas afirmam que essa cobertura tem como objetivo cumprir uma exigência legal e proteger a relação de trabalho.
Aí vem a pergunta: será que esse seguro atende todas as necessidades daquele atleta? A resposta, muitas vezes, é não. Porque ele foi criado para cumprir uma obrigação legal, não necessariamente para proteger o projeto de vida daquele jogador.
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Segundo o ex-jogador, a estrutura oferecida pelos clubes costuma ser robusta, especialmente nas grandes equipes, mas está vinculada ao período de vigência do contrato.
“As estruturas dos grandes clubes são invejáveis e muitos cuidam do atleta como um todo. Mas são empresas. Enquanto o atleta gera receita, existe interesse em mantê-lo em atividade. O mais importante é montar uma estrutura própria, respeitando as necessidades dele e da família, para que exista proteção independentemente do clube onde estiver.”
Essa preocupação se torna ainda mais relevante em uma profissão marcada pela possibilidade de lesões e pelo tempo reduzido de carreira. Uma mudança de clube, o encerramento de um contrato ou uma aposentadoria precoce podem significar também o fim de parte da assistência oferecida pela equipe.
“É difícil ter tanta maturidade aos 18 ou 20 anos. Mas o patrimônio que o atleta conseguir adquirir e proteger provavelmente será o maior patrimônio de toda a vida. Por isso, é importante buscar informação e cuidar daquilo que está sendo construído desde o início da carreira”, pontua Machado.
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Seguro vai além da cobertura obrigatória
Além do seguro previsto na legislação esportiva, o mercado oferece coberturas que podem ser contratadas de forma individual para proteger riscos específicos enfrentados por atletas.
Entre elas estão a indenização por invalidez permanente decorrente de acidente, cobertura para invalidez funcional permanente causada por doença e proteção para diagnóstico de doenças graves, como alguns tipos de câncer, acidente vascular cerebral (AVC) e infarto. Os recursos podem ser utilizados livremente pelo segurado para custear tratamentos, reorganizar a rotina ou compensar perdas financeiras.
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Na avaliação de Rodrigo Cunha, gerente de Produtos e Inteligência de Mercado da MAG Seguros, o planejamento financeiro deveria acompanhar toda a trajetória do atleta, inclusive após o encerramento da carreira.
“O atleta sabe que a preparação é fundamental para alcançar resultados dentro do esporte. Essa mesma lógica vale para a vida financeira. Ter mecanismos de proteção adequados permite enfrentar imprevistos sem comprometer projetos pessoais, familiares e profissionais.”
De acordo com Cunha, a evolução do mercado ampliou o papel do seguro de vida dentro do planejamento patrimonial.
“Hoje, o produto vai muito além da indenização por morte. As coberturas em vida passaram a oferecer suporte financeiro em situações que podem afetar diretamente a capacidade de gerar renda e executar projetos de longo prazo”, explica.
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Dentre as principais coberturas disponibilizadas para a maior parte da modalidade de profissionais de esporte, como jogadores de futebol, golfe, tênis e atletas profissionais, estão:
1. Invalidez Permanente por Acidente (IPA): garante indenização caso um acidente provoque perda total ou parcial da capacidade física do segurado. Para atletas, pode representar uma proteção financeira importante diante de lesões graves que inviabilizem a continuidade da carreira.
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2. Invalidez Funcional Permanente Total por Doença (IFPD): oferece cobertura quando uma doença leva à perda da autonomia e da capacidade funcional de forma permanente. Embora menos associada ao ambiente esportivo, pode auxiliar o segurado em situações de alto impacto que comprometam sua vida profissional e pessoal.
3. Doenças Graves: prevê o pagamento de indenização em caso de diagnóstico de enfermidades cobertas em contrato, como alguns tipos de câncer, AVC, infarto e doenças neurológicas. Os recursos podem ser utilizados livremente para custear tratamentos, adaptação da rotina ou manutenção do padrão de vida durante o período de recuperação.
Algumas dessas coberturas, estruturadas para a proteção em vida, têm opções oferecidas a partir de R$ 50, segundo a MAG Seguros.
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O que faz a diferença fora do gramado
Embora o debate tenha como pano de fundo o futebol profissional, especialistas ressaltam que a lógica das proteções para atletas vale para milhões de brasileiros cuja renda depende da própria capacidade de trabalhar, como motoristas de aplicativo, profissionais autônomos, trabalhadores da construção civil e entregadores.
Hoje, milhões de trabalhadores brasileiros têm um seguro em grupo pela empresa. Mas esse seguro, normalmente, foi contratado para atender uma política da empresa ou uma convenção coletiva. Não foi desenvolvido para a realidade e o projeto de vida individual.
Nesse sentido, é importante questionar: Quem depende de você? Quais são seus projetos? O que aconteceria financeiramente com sua família se você faltasse? São essas respostas que ajudam a entender quanto proteger, quais coberturas contratar e qual necessidade preservar.
Segundo Rafael Cló, cofundador e CEO da empresa de seguros Azos, para a maioria dos brasileiros, essa proteção é ainda mais importante.
“Uma lesão grave pode encerrar um ciclo profissional de forma abrupta e, junto com ela, a principal fonte de renda daquele profissional. O seguro não evita que esse evento aconteça, mas oferece um suporte financeiro para que a família tenha mais segurança enquanto reorganiza sua vida.”
Na visão do executivo, proteger a capacidade de gerar renda não deveria ser um privilégio de quem ganha milhões, mas uma preocupação de qualquer pessoa que depende do próprio trabalho para sustentar a família.
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