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Messi e Cristiano Ronaldo mostram por que viver mais exige planejar melhor a carreira

Partindo do exemplo dos atletas 'quarentões', especialistas explicam como saúde, atualização profissional e organização financeira ajudam a ampliar a vida produtiva

Vitor Oliveira

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A imagem de jogadores “quarentões” disputando competições internacionais de alto nível, como a Copa do Mundo de futebol que acontece nos EUA, Canadá e México, já não é mais uma exceção.

Nomes como o do argentino Lionel Messi, que completou 39 anos nesta quarta (24), do croata Luka Modric, com 40 anos, e do português Cristiano Ronaldo, aos 41, continuam atuando em alto rendimento e simbolizam uma transformação que ultrapassa os limites do esporte.

Se até poucas décadas atrás a faixa dos 30 anos costumava marcar o início da reta final da carreira de um atleta, hoje avanços na medicina esportiva, na nutrição, na tecnologia e nos métodos de treinamento têm ampliado o tempo de permanência dos jogadores em atividade, aponta Antonio Leitão, gerente do Instituto de Longevidade MAG.

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O fenômeno ocorre em um contexto de envelhecimento populacional e aumento da expectativa de vida. Nesse cenário, a permanência de atletas veteranos em competições de elite ajuda a questionar uma percepção ainda comum na sociedade de que o avanço da idade necessariamente implica perda de capacidade produtiva.

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Para Leitão, a presença desses jogadores contribui para ampliar a discussão sobre etarismo, uma forma de discriminação baseada na idade que ainda afeta milhões de pessoas dentro e fora do mercado de trabalho.

“Quando observamos atletas com mais de 40 anos se destacando em competições de alto nível, somos levados a questionar esses conceitos. Claro que cada um terá seu próprio desempenho físico, mas o exemplo desses profissionais ajuda a mostrar que a idade cronológica, por si só, não deve ser utilizada como medida de potencial ou competência.”

— diz Antonio Leitão, do Instituto de Longevidade MAG

O que Messi e Cristiano Ronaldo ensinam sobre longevidade?

Além do aspecto simbólico, especialistas apontam que a longevidade esportiva traz lições práticas para profissionais de diferentes setores da economia.

Segundo Marcos Ferreira, especialista em longevidade, pós-carreira e mercado de seguros, a principal delas é encarar a manutenção da capacidade produtiva como um investimento contínuo.

“Assim como atletas de elite, o trabalhador deve tratar sua saúde física e cognitiva como um ativo econômico por meio da manutenção preventiva e aprimoramento de habilidades e competências”, pontua.

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Na avaliação de Ferreira, permanecer relevante ao longo de décadas exige uma combinação de cuidados com a saúde, atualização profissional e planejamento de longo prazo. Ele ressalta que a preparação para uma vida mais longa também passa pelo fortalecimento de redes de relacionamento e pela capacidade de adaptação a novas demandas do mercado.

“Devemos entender que momentos diferentes da carreira podem exigir intensidades diferentes no planejamento. Mas há alguns ingredientes que são comuns: exercitar e desenvolver sua visão de futuro sobre sua carreira; elencar oportunidades de aceleração para seu crescimento profissional; reforçar atributos e características pessoais que são os seus diferenciais.”

— diz Marcos Ferreira, especialista em longevidade e pós-carreira

Segundo ele, o networking também ganha importância nesse processo, especialmente fora dos ambientes corporativos tradicionais, uma vez que a prática pode ajudar na construção de projetos pessoais que podem se materializar no pós-carreira.

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Outro ponto destacado pelo especialista é a necessidade de desenvolver uma cultura de aprendizado contínuo – o chamado lifelong learning.

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Planejamento financeiro

Se a longevidade cria oportunidades para carreiras mais extensas, também impõe novos desafios financeiros. Com pessoas vivendo mais tempo, cresce a necessidade de construir fontes de renda que garantam autonomia por períodos mais longos após a aposentadoria.

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“Para a maioria, a previdência pública será insuficiente para manter o padrão de vida a longo prazo. Portanto, se planejar para como gerar renda no futuro e poder contar com um patrimônio suficiente para gerar essa renda é aconselhável”, afirma Ferreira.

Segundo ele, alternativas como previdência privada, investimentos financeiros, imóveis, consultorias e empreendedorismo podem complementar a renda ao longo da maturidade, garantindo ao indivíduo autonomia “por mais 20 ou 30 anos após os 60”.

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Ferreira também destaca que uma das principais lições deixadas pelos atletas é a preparação antecipada para as transições de carreira. Muitos jogadores iniciam o planejamento da vida após os gramados ainda durante o auge da atividade esportiva.

Ele recomenda que esse planejamento seja construído sobre seis pilares:

  1. visão de futuro
  2. organização financeira
  3. autoconhecimento
  4. relações pessoais e profissionais
  5. aprendizagem contínua
  6. construção de marca pessoal

“Planejar o dia seguinte ainda no auge faz com que você saia de cena com reputação preservada e pronto para protagonizar uma nova fase produtiva sem depender de uma organização”, ressalta Ferreira.

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Crenças que não fazem mais sentido

Ao desafiar antigos limites do esporte, jogadores veteranos acabam alimentando uma discussão mais ampla sobre trabalho, planejamento financeiro e qualidade de vida em uma sociedade que vive cada vez mais.

A trajetória de atletas que permanecem competitivos após os 40 anos reforça mudanças importantes na forma como a sociedade enxerga o envelhecimento, segundo o Instituto de Longevidade MAG.

Veja a seguir 5 crenças que a longevidade no futebol ajuda a questionar:

• Alta performance não termina necessariamente aos 40 anos.

• A idade cronológica não determina, sozinha, a capacidade de uma pessoa.

• Experiência e conhecimento acumulado podem se tornar vantagens competitivas.

• Envelhecer não significa perder relevância profissional ou social.

• A convivência entre gerações tende a gerar mais benefícios do que a simples substituição de profissionais mais experientes.

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