Meta responde a críticas sobre segurança de nova funcionalidade no WhatsApp; entenda

Segundo o governo da Índia, o novo recurso da plataforma poderia facilitar crimes virtuais; Meta rebate acusações

Carla Carvalho

Imagen: Pixabay
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A Meta respondeu às críticas do governo da Índia sobre a adoção de nomes de usuário no WhatsApp e afirmou que o recurso contará com mecanismos para reduzir tentativas de fraude e falsificação de identidade. A informação foi divulgada pela CNBC.

Segundo a empresa, os usuários continuarão precisando de um número de telefone para criar e utilizar uma conta no aplicativo. Além disso, o WhatsApp limitará a quantidade de novos contatos que uma conta poderá abordar, bloqueará tentativas repetidas de adivinhar nomes de usuário e utilizará sistemas para identificar e remover atividades associadas a golpes.

A Meta também informou que a funcionalidade ainda não está disponível e será liberada de forma gradual ao longo deste ano.

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O WhatsApp anunciou o recurso na segunda-feira (29), apresentando a novidade como uma ferramenta para reforçar a privacidade ao permitir que pessoas conversem sem compartilhar seus números de telefone.

Leia também: Grupos de WhatsApp viram feirão ilegal de armas, drogas e veículos roubados

Índia cobra explicações e pede suspensão do recurso

O governo da Índia, no entanto, avalia que a mudança pode facilitar a atuação de criminosos virtuais. Autoridades disseram à CNBC que os nomes de usuário podem ampliar a ocorrência de fraudes, ataques de phishing e casos de falsificação de identidade ao facilitar o contato de golpistas com potenciais vítimas.

O governo concedeu três dias para que o WhatsApp apresente uma explicação detalhada sobre a funcionalidade. Até que as preocupações sejam analisadas, as autoridades também determinaram que a empresa suspenda a implementação do recurso. Caso contrário, a plataforma poderá ficar sujeita às medidas previstas na legislação indiana de tecnologia da informação.

Especialistas ouvidos pela emissora afirmam que o avanço dos crimes financeiros digitais fez com que a segurança ganhasse mais peso nas decisões regulatórias, mesmo diante dos benefícios de privacidade oferecidos por ferramentas como os nomes de usuário.

A preocupação ocorre em um cenário de crescimento dos crimes cibernéticos na Índia. Dados oficiais mostram que os registros passaram de cerca de 1 milhão em 2022 para quase 2,3 milhões em 2024. O país também concentra mais de 500 milhões de usuários do WhatsApp, o que amplia a atenção das autoridades sobre a plataforma.

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O próprio relatório Adversarial Threat, divulgado pela Meta em março, apontou que redes organizadas de golpes virtuais tiveram usuários da Índia como alvo com mais frequência do que em qualquer outro país, com exceção dos Estados Unidos.

Para responder às críticas, a Meta informou que reservará nomes de usuário considerados de maior destaque para seus proprietários legítimos e impedirá o registro de variações semelhantes que possam ser usadas para se passar por pessoas ou organizações conhecidas.

A reportagem também lembra que a pressão sobre o WhatsApp ocorre poucas semanas após o governo indiano bloquear temporariamente o Telegram durante uma investigação sobre fraudes ligadas a um importante exame nacional. Segundo as autoridades, canais hospedados na plataforma alegavam possuir acesso antecipado às provas e cobravam dinheiro de candidatos e familiares. O Telegram afirmou que a medida afetou milhões de usuários legítimos do aplicativo, sem atingir diretamente os responsáveis pelo esquema.