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A primeira pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada após a crise pública entre Flávio Bolsonaro (PL) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro aponta um desgaste concentrado justamente em dois dos segmentos mais importantes para o bolsonarismo: mulheres e evangélicos.
O levantamento mostra que o senador perdeu de dez pontos percentuais entre o eleitorado feminino e oito pontos entre os que se denominam evangélicos desde maio, movimento que coincide com a troca de acusações entre os dois e amplia a vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
No principal cenário de primeiro turno, Lula aparece com 46,3% das intenções de voto, enquanto Flávio registra 36,6%. Em relação ao levantamento anterior, o presidente oscilou dentro da margem de erro, passando de 47,2% para 46,3%. Já o senador recuou de 40% para 36,6%.
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A pesquisa também mostra uma mudança no segundo turno. Depois de empatarem numericamente em maio, Lula agora abre vantagem. O petista soma 48,8% das intenções de voto, contra 42,3% de Flávio. Outros 8,9% afirmam que votariam em branco, nulo ou ainda não sabem.
Mulheres se afastam de Flávio
O recorte por gênero revela a principal mudança do levantamento. Em maio, Flávio aparecia tecnicamente empatado com Lula entre as mulheres. O senador tinha 43,5% das intenções de voto, enquanto o presidente registrava 43,7%.
Agora, o cenário mudou de forma significativa. Lula passou para 50,1%, enquanto Flávio caiu para 35,1%, uma perda de mais de oito pontos percentuais em pouco mais de um mês.
O resultado reforça um diagnóstico que já vinha sendo feito por integrantes da campanha do PL. O eleitorado feminino é considerado um dos principais desafios da candidatura e passou a receber atenção especial desde o agravamento da crise envolvendo Michelle Bolsonaro.
Leia mais: De Carlos a Flávio: o histórico de atritos entre Michelle e os filhos de Bolsonaro
Na semana passada, a ex-primeira-dama tornou públicas divergências com o enteado ao afirmar que havia sido desrespeitada durante as negociações para definição dos palanques estaduais do partido, especialmente no Ceará. Flávio respondeu com um pedido público de desculpas e passou a intensificar agendas voltadas às mulheres, incluindo um encontro com eleitoras conservadoras realizado nesta semana.
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Bolsonaro mantém força onde Flávio perdeu
Um dado da AtlasIntel chama atenção ao comparar o desempenho de Flávio com o do pai. O instituto perguntou aos entrevistados como votariam caso a eleição repetisse o segundo turno de 2022 entre Lula e Jair Bolsonaro.
Entre as mulheres, Jair aparece em situação mais confortável que o filho. O ex-presidente alcança 46,8% das intenções de voto, contra 42,6% de Lula.
A diferença sugere que parte da resistência observada hoje recai sobre a candidatura de Flávio, e não necessariamente sobre o eleitorado tradicional do bolsonarismo.
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Evangélicos também mudam de posição
Outro movimento relevante ocorreu entre os evangélicos. Em maio, Flávio concentrava 50,9% das intenções de voto nesse segmento. Na nova pesquisa, caiu para 42,9%.
Ao mesmo tempo, Lula avançou de 25% para 39,7%, reduzindo significativamente a distância em um grupo historicamente favorável à direita.
Mulheres e evangélicos representam duas das bases mais importantes do bolsonarismo desde 2018. Michelle Bolsonaro consolidou influência justamente nesses segmentos ao assumir protagonismo político no PL Mulher e ampliar sua atuação junto ao eleitorado religioso.
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Crises produziram efeitos diferentes
A pesquisa também indica comportamentos distintos diante das duas principais crises políticas das últimas semanas.
Do lado da oposição, Flávio ainda enfrenta os efeitos da revelação de que solicitou recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar o filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. O episódio abriu uma crise interna no partido e foi seguido pelo conflito público com Michelle.
Já Lula atravessou o período sem perda relevante de apoio, mesmo após a Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, atingir o então líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), investigado por suspeitas relacionadas ao Banco Master. O senador nega irregularidades e afirma que as acusações não têm fundamento.
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Outro ponto aguardado pela campanha do PL ainda não foi divulgado. A AtlasIntel incluiu perguntas específicas sobre a repercussão da briga entre Michelle e Flávio Bolsonaro e seus possíveis impactos eleitorais. Os resultados desse bloco temático serão apresentados pelo instituto nesta quinta-feira (2).
A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg entrevistou 4.999 eleitores entre os dias 26 e 30 de junho. A margem de erro é de um ponto percentual, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-04582/2026.