Bolsonarismo pretende repetir estratégia do PT que elegeu Lula em 2022, diz analista

Para João Paulo Machado, estratégia da campanha de Flávio Bolsonaro deve repetir movimento adotado por Lula em 2022 ao explorar o desgaste do governo adversário

Marina Verenicz

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A principal aposta da campanha de Flávio Bolsonaro para a eleição presidencial de 2026 deve ser explorar o desgaste do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A avaliação é do analista de política da XP João Paulo Machado, que participou da edição especial do programa Mapa de Risco, do InfoMoney, dedicada às estratégias eleitorais para a disputa de outubro, que foi ao ar nesta sexta-feira (17).

Segundo ele, o bolsonarismo pretende reproduzir uma lógica semelhante à utilizada pelo PT na campanha de 2022, quando Lula capitalizou o desgaste do governo de Jair Bolsonaro para ampliar sua rejeição entre parte do eleitorado.

“Me parece que a gente tem uma estratégia muito parecida com a que foi adotada pelo petismo em 2022. Naquele momento, Lula trabalhou a ideia do cansaço com o bolsonarismo. Agora, o bolsonarismo quer utilizar justamente o cansaço com o petismo. As pesquisas mostram um desgaste não apenas da gestão, mas também do tempo de exposição do presidente Lula à frente do poder. Ele disputou direta ou indiretamente todas as eleições presidenciais desde 1989 e hoje exerce seu terceiro mandato, buscando um quarto. Esse será um dos principais ativos explorados pela oposição”, afirmou.

Na avaliação do analista, o discurso antipetista continuará sendo o principal eixo da comunicação de Flávio Bolsonaro, mas a campanha também buscará ampliar seu alcance para além do eleitorado tradicional da direita.

“O bolsonarismo nasceu politicamente no antipetismo e é nesse terreno que ele continua mais confortável. A campanha vai trabalhar para manter esse eleitorado mobilizado e evitar qualquer dispersão de votos para candidaturas alternativas. Ao mesmo tempo, existe uma compreensão de que será preciso avançar sobre segmentos onde a direita teve mais dificuldade, especialmente entre as mulheres e os eleitores de centro”, disse.

Machado afirma que uma das prioridades será reduzir a rejeição de Flávio Bolsonaro nesses grupos sem perder a identificação com a base bolsonarista.

“O desafio é manter muito condensado esse eleitorado antipetista e conservador, impedindo qualquer desmobilização, mas também ampliar o diálogo com quem não faz parte desse núcleo duro. É justamente nesse eleitorado menos ideológico que a campanha acredita haver espaço para crescimento”, afirmou.

Durante o programa, Renato Dolci, diretor de Dados da Timelens, avaliou que essa estratégia dialoga com uma mudança observada nas últimas disputas presidenciais, em que a rejeição passou a pesar mais do que a preferência do eleitor.

“A rejeição tem determinado muito mais voto do que a escolha ideológica. A maioria dos brasileiros não é composta por eleitores altamente ideológicos. Existe um grupo muito grande que acompanha política à distância e tende a tomar sua decisão mais perto da eleição. É esse eleitor que acaba definindo o resultado”, afirmou.

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Para Dolci, a campanha de Flávio também tenta construir uma imagem menos radical do que a associada ao ex-presidente Jair Bolsonaro, justamente para reduzir resistências.

“O Flávio tem procurado se apresentar como um candidato menos radical, dialogando com públicos onde o bolsonarismo tradicional encontrou dificuldades. A maioria do eleitorado brasileiro não gosta de radicalismo. A radicalidade ajuda a fazer barulho nas redes sociais, mas não necessariamente define voto. Por isso, reduzir rejeição será tão importante quanto mobilizar a base”, disse.

O Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, vai ao ar todas as sextas-feiras, a partir das 6h da manhã, no YouTube e no seu tocador de podcast preferido.

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