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A primeira conversa entre Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o pai depois que Michelle Bolsonaro tornou pública a crise familiar ocorreu na manhã da última sexta-feira, três dias após a divulgação dos vídeos em que ela criticou o enteado nas redes sociais. Quando o senador chegou à casa onde Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar, Michelle não estava. Enquanto pai e filho conversavam, ela gravava vídeos de campanha para candidatas do PL na sede do partido, a cerca de vinte quilômetros dali.
Segundo interlocutores ouvidos pelo GLOBO, Bolsonaro adotou um tom de pacificação na conversa com o filho. O ex-presidente pediu a Flávio que encerrasse a crise aberta e atuasse para conter os ataques que Michelle passou a sofrer nas redes sociais por parte de aliados do senador.
Durante a conversa, ainda de acordo com o relato desses interlocutores, Flávio também apresentou sua versão dos fatos. Aliados dele contaram que ele comentou com o pai como foi sua reação às declarações de Michelle, reafirmou que nunca teve a intenção de magoá-la e disse continuar aberto ao diálogo. O senador também sustentou que considera indispensável a participação da ex-primeira-dama na construção de uma candidatura capaz de unificar o campo conservador e derrotar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
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Pessoas próximas a Michelle, ouvidas pela reportagem, afirmam que a divulgação das gravações ocorreu com o conhecimento de Bolsonaro e tinha como objetivo chamar a atenção dos filhos para um conflito que, segundo esse grupo, vinha se agravando havia meses.
A avaliação de pessoas próximas à ex-primeira-dama é que os vídeos eram a última alternativa depois de sucessivas tentativas frustradas de resolver o impasse reservadamente. Michelle esperava, por exemplo, um pedido público de desculpas do deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) pelos ataques de aliados do enteado e também aguardava uma reação mais firme de Flávio para conter as ofensivas virtuais contra ela. Nenhum dos dois movimentos aconteceu.
Interlocutores da família também relatam que o senador nem sequer cumprimentava a madrasta durante as visitas à residência do pai, sinal de que o distanciamento entre ambos antecedia a pública da crise.
Horas depois de deixar Brasília, Flávio desembarcou em Goiânia para participar da Romaria do Divino Pai Eterno, em Trindade.
— Conversei com ele. Estava tudo bem. A saúde dele demanda cuidados ainda, mas estava sem soluço. Para ficar bem claro, da minha parte é bola para frente. É página virada. Vim com a blusa branca, da paz. Vamos resgatar esse Brasil junto — afirmou.
Neste domingo, Flávio embarcou para a Argentina para uma agenda com lideranças conservadoras, na tentativa de recolocar a pré-campanha no noticiário político depois de uma semana dominada pelo conflito familiar. A expectativa é de que ele se encontre com o presidente Javier Milei antes de retornar ao Brasil.
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