Por que a China está tratando anúncios pop-up como ameaça à segurança nacional

Governo afirma que pop-ups estariam sendo usados para coletar dados de usuários e disseminar conteúdo considerado hostil ao país

Marina Verenicz

Congresso Nacional do Partido Comunista da China (Foto: Bloomberg)
Congresso Nacional do Partido Comunista da China (Foto: Bloomberg)

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A China anunciou novas restrições a plataformas online após afirmar que anúncios publicitários na internet estariam sendo usados como ferramenta de espionagem estrangeira.

Em comunicado divulgado neste domingo (21), o Ministério da Segurança do Estado informou ter identificado operações que utilizariam propagandas digitais para monitorar usuários chineses, coletar informações pessoais e direcionar conteúdo considerado contrário aos interesses do país.

A denúncia ocorre em meio ao esforço de Pequim para ampliar o controle sobre o ambiente digital doméstico. Segundo as autoridades, empresas ligadas ao setor de publicidade teriam servido como intermediárias para estruturas de inteligência estrangeiras interessadas em acessar dados de cidadãos chineses.

Na avaliação do governo, o problema não se limita à privacidade. O ministério afirma que parte dessas campanhas publicitárias direcionaria usuários para páginas hospedadas fora da China com mensagens críticas ao regime e conteúdos classificados como tentativas de influência ideológica.

O alerta também menciona estratégias usadas para aumentar a interação dos internautas com os anúncios. Entre elas estariam janelas que surgem inesperadamente durante a navegação, botões de fechamento difíceis de localizar e mecanismos que levam o usuário a acessar links externos de forma involuntária.

Como reação, Pequim determinou que plataformas digitais suspendam imediatamente a veiculação de publicidade associada a endereços estrangeiros sem identificação clara. O governo também anunciou a criação de novas regras para o setor.

As medidas deverão exigir que anúncios sejam claramente identificados como conteúdo publicitário e que ofereçam ferramentas simples para encerramento da exibição. A intenção declarada é reduzir a exposição dos usuários a conteúdos considerados suspeitos e dificultar a atuação de agentes externos na internet chinesa.

Nos últimos anos, o governo chinês ampliou a fiscalização sobre plataformas digitais, empresas de tecnologia e fluxos internacionais de informação, frequentemente associando o tema à proteção da soberania nacional.