Irã diz que não abrirá mão de enriquecer urânio e pressiona negociações com os EUA

Às vésperas da primeira rodada de negociações na Suíça, Teerã reafirma programa nuclear e eleva tensão com disputa sobre o Estreito de Ormuz

Marina Verenicz

Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian 
21/02/2026
Site presidencial do Irã/WANA (Agência de Notícias da Ásia Ocidental)/Handout via REUTERS
Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian 21/02/2026 Site presidencial do Irã/WANA (Agência de Notícias da Ásia Ocidental)/Handout via REUTERS

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O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou neste domingo (21) que o país não aceitará encerrar suas atividades de enriquecimento de urânio, um dos principais pontos de atrito nas negociações conduzidas com os Estados Unidos para tentar encerrar o conflito que já dura quase quatro meses no Oriente Médio.

A declaração foi feita horas antes do início da primeira rodada de conversas entre representantes dos dois países em Luzerne, na Suíça.

Segundo Pezeshkian, o governo iraniano está disposto a formalizar compromissos que afastem qualquer suspeita sobre a produção de armas nucleares, mas considera inegociável o direito de manter seu programa nuclear para fins civis.

“O que os Estados Unidos exigem é que o Irã não construa uma bomba atômica. Isso podemos garantir. Mas não abriremos mão do nosso direito ao enriquecimento de urânio”, declarou o presidente iraniano.

O encontro na Suíça ocorre após a assinatura de um memorando de entendimento com validade de 60 dias, considerado o primeiro avanço diplomático relevante desde o início da guerra. A mediação ficará a cargo de autoridades do Paquistão.

Novo ponto de conflito

No sábado (20), o governo iraniano anunciou restrições ao tráfego no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo e gás natural.

Teerã justificou a medida alegando descumprimento de compromissos assumidos pelos Estados Unidos e continuidade das operações militares de Israel na região.

O impasse tem potencial para ampliar a pressão sobre as negociações. O Estreito de Ormuz é considerado uma das principais rotas energéticas do mundo, e qualquer interrupção relevante no fluxo de embarcações costuma gerar preocupação nos mercados globais.