Gleisi vê inocência de Jaques, mas diz que senador deve responder se houver provas

Ex-ministra da Secretaria de Governo, Gleisi também tentou relembrar a proximidade de Flávio Bolsonaro com o caso investigado na Operação Compliance Zero

Caio César

Gleisi Hoffmann (Foto: Foto:
Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Gleisi Hoffmann (Foto: Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

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A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) afirmou na quinta-feira (18) que acredita na inocência do senador Jaques Wagner (PT-BA), investigado na Operação Compliance Zero, que apura desdobramentos ligados ao caso do Banco Master. Ela disse, no entanto, que o congressista deverá responder integralmente por seus atos caso fique comprovado algum envolvimento.

“Ouvi ele falando sobre isso [detalhes da investigação]. Acredito no Jaques, que ele não tem nada a ver. Agora, se houver comprovação de envolvimento, benefício pessoal, ele precisa responder. Ninguém está isento”, disse a deputada em entrevista à rádio BandNews FM, em Curitiba.

A ex-ministra da Secretaria de Relações Institucionais também afirmou ter ouvido as explicações do líder do PT no Senado sobre o CredCesta, uma operação de cartão consignado para servidores públicos que, segundo o senador, foi vendida antes de o Banco Master se tornar sócio do negócio.

Gleisi defendeu a continuidade das investigações e a instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para apurar o caso. Na entrevista, ela também voltou a citar suspeitas envolvendo o pré-candidato e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), afirmando que os áudios vazados pelo The Intercept são “muito graves”, por indicarem envio de dinheiro ao exterior e proximidade entre o parlamentar e Daniel Vorcaro.

Jaques Wagner foi alvo, na quinta-feira, de mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao seu nome na Bahia e em Brasília. Em um dos locais, os agentes apreenderam US$ 49 mil em espécie, o equivalente a cerca de R$ 253 mil pela cotação atual.

As investigações também apuram se o senador recebeu de Daniel Vorcaro um apartamento avaliado em mais de R$ 2,4 milhões. Segundo a Polícia Federal, Wagner também teria viajado com frequência em jatos do banqueiro e recebido pagamentos do Banco Master ao longo dos anos por meio de uma empresa ligada à esposa de seu enteado, Bonnie Bonilha.

De acordo com a investigação, as transações destinadas à familiar do senador estariam registradas em mensagens trocadas entre Wagner e Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro. A PF afirma que Bonnie Bonilha recebeu cerca de R$ 11 milhões do Master por meio de um contrato de consultoria firmado pela BK Financeira, em repasses feitos por intermediários também alvos da operação.

Diante dos elementos reunidos pela investigação, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça impôs medidas cautelares a Wagner. Entre elas estão a proibição de contato com os demais investigados — com exceção de seu enteado, Eduardo Sofré, e de Bonnie Bonilha —, a proibição de contato com pessoas ligadas às negociações e à reforma do apartamento investigado e a vedação ao exercício de qualquer atividade econômica em conjunto com os demais alvos da apuração.