Justiça determina que governo pare de patrocinar conteúdos pelo fim da 6×1

Juíza, no entanto, afastou a tese apresentada pelo deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ) de que o caso configurava campanha eleitoral prévia

Caio César

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante 7ª Reunião Plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, no Palácio Itamaraty, em Brasília. Foto: Ricardo Stuckert / PR
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante 7ª Reunião Plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, no Palácio Itamaraty, em Brasília. Foto: Ricardo Stuckert / PR

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A Justiça Federal determinou, na terça-feira (16), que o governo Lula suspenda os anúncios patrocinados nas redes sociais em defesa do fim da escala 6×1. A decisão foi proferida em caráter liminar pela juíza Pollyanna Kelly Maciel Medeiros Martins Alves, em ação movida pelo deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ).

Na decisão, a magistrada entendeu que há indícios de que recursos públicos possam ter sido utilizados para promover a proposta legislativa, que ainda depende de aprovação no Senado e de promulgação para entrar em vigor.

De acordo com o processo, o governo teria investido ao menos R$ 1,5 milhão em conteúdos relacionados à aprovação da proposta nas plataformas Facebook, Instagram, X e YouTube.

A magistrada destaca que o momento em que parte dos anúncios foi contratada é relevante para justificar a suspensão. De acordo com o levantamento, R$ 881 mil foram investidos entre 15 e 18 de abril de 2026, período em que a matéria estava em votação na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara.

Para a juíza, a data utilizada reforça que a intenção do governo ao promover o conteúdo ia além do caráter informativo, como apontou a defesa do governo. A magistrada também citou entendimento anterior do Tribunal de Contas da União, que destacou que a utilização de recursos públicos para divulgar projetos de lei não atende aos requisitos necessários para caracterizar publicidade institucional.

Com a decisão, a Secom terá até 48 horas para suspender os impulsionamentos pagos de conteúdos relacionados ao fim da escala 6×1 e também ficará impedida de realizar novos aportes financeiros para promover conteúdos sobre o tema.

A proibição, no entanto, não impede que o governo publique sobre o tema em suas redes sociais, apenas veda o impulsionamento pago dessas publicações.

Apesar de a decisão ser favorável ao solicitado por Jordy, a juíza rejeitou os argumentos apresentados pela União de que o caso deveria ser julgado pela Justiça Eleitoral e de que a campanha digital configura propaganda eleitoral antecipada.